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O Autor

Olá, sou Gustavo Valério,
natural de Maceió - Alagoas

Tenho 28 anos, duas filhas e 32 cadernos de poemas escritos à mão desde os meus 10 anos!

Sou escritor compulsivo, escrevo frequentemente sobre qualquer coisa, embora o meu maior foco seja a morte, o que me fez receber o apelido de "Poeta da Morte", dado por alguns leitores.

Trabalho na área de telecomunicações e redes de internet de alto desempenho. Atuo como programador e sou técnico em eletrônica e informática.

Nas horas vagas brinco um pouco de escrever sonetos, além de ser um grande viciado em ler livros.

Meus poemas são amadores, ainda estou em processo de aprendizado.
Tento sempre manter meus poemas com o mínimo possível de pares de rimas e manter os versos com o mesmo tamanho fonético.

A maioria das minhas composições são sonetos decassílabos, mas tenho experimentado outros formatos.

Comentários

Mais lidas da semana

Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
à luz fúnebre, sob a lua inesperada;
pétalas que despedaçam à alma brilhante
na música silente, silente pancada.

Jaz no baque sutil o medo castigante
de quem voou eternamente para o nada
restou a dor e o desespero lancinante
de quem achou o anjo sem luz na madrugada.

Ismália na torre e seu sonho angustiante
vê Ofélia lá no rio sendo afogada
mas ninguém vê pois a lua está ofuscante...

Ismália pula, Ofélia jaz desacordada
sem conseguir nadar vê-se insignificante
perante a lua e o mar se perde imaculada.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Flor da Morte

Cavalgo a morte no horizonte belo
e amargo a vida em rasos pesadelos;
Carrego o eu em ossos e cabelos
em busca do irrecuperável elo.

Afogo-me no espaço paralelo
nadando em atômicos escalpelos
cortantes como pedaços de gelos
que arrancam minha pele num flagelo.

Conheço da dona morte, o modelo
resistente como um forte camelo
no deserto vital preso em castelos.

Sou uma flor da morte, um sinuelo;
transbordo em solidão co' imortal zelo
de matar nas batidas dos martelos.

Gustavo V.S Ferreira
16/02/2019

Nanquim Vermelho

Em mil novecentos e trinta e sete
o sangue humano transformou-se em tinta
a humanidade que a todos compete
foi ignorada e loucamente extinta.

Uns nipônicos mudaram a forma
de pintar a cidade de vermelho;
num jogo sádico de uma só norma:
matar, estuprar e pôr de joelho...

A morte certa, tal qual em Canudos
pediu cabeças como recompensa;
na regra doentia dos "três tudos"
permitir um viver era uma ofensa...

Sem Conselheiro, o massacre em Nanquim
foi dos massacres em massa, o estopim.

Gustavo V.S Ferreira
03/11/2018

Narração:


Calor Intenso

O calor infernal que almas derrete
queima a pele, os olhos, a breve vida;
Mata os humanos sem que nada o afete
acinzenta a natura colorida.

Usa a dor, faz-nos de marionete
de sapiência fria e desprovida;
que amarga a morte que lhe compromete
na ânsia a salutar por subvida.

O intenso e fatal que nos acomete
acelerando a delgada descida
é o calor travestido de confete.

Pelados, nus, d’alma desprecavida
percebemos que o sonho exige frete
que custa caro, custa a nossa vida.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Sufixo

A vida quando é muito radical
exige mais vida como prefixo;
pode exigir morte como sufixo
ao romper o cordão umbilical.

Respirar pode ser ato prolixo
e por vezes, também será letal;
viver numa ladeira vertical
é transpirar em tempo semi-fixo.

O sonho pode até ser tropical
feliz, belo, perfeito ou surreal
mas nunca será mais que um crucifixo...

Viver é um pesadelo pessoal
à base da injustiça social
e que neste soneto hostil, transfixo.

Gustavo V.S Ferreira
21/08/2018

Lua Cintilante

A lua, mãe noturna cintilante
no espaço fixada, porém instável
encantando a pobre alma alienável
e enganando o ser humano ignorante.

Explorar-nos não parece o bastante;
o objetivo é focar no vulnerável
emudecer 'té tornar sociável
o animal irracional ultrajante.

Olhai a lua da treva impalpável,
densa, bela, correta e insofismável
na morbidez pálida cativante

a cintilar na mente miserável
e sufocando o filho mais mutável
com sua luz impura e inebriante.

Gustavo V.S Ferreira
10/08/2018

Velha Casa

Acordei na madrugada
escuridão me cercava
não sabia onde estava...
Sorrateiro, desci a escada...

A parede está manchada...
O vento sequer soprava,
a escuridão passeava
sobre os pedaços de nada.

O vazio sussurrava
enquanto eu me aconchegava
neste frio que desfasa...

A manhã quase chegava,
eu, inda insano lembrava
que ali já foi minha casa.

Gustavo V.S Ferreira
18/05/2018

Segunda Morte

Disseste-me tu que muito me amavas
e que sem mim não sobreviveria...
Dissestes que em mim, amor encontravas
e que este puro amor não morreria.

Mas subitamente me apunhalastes
(rompestes meu coração co' um só corte),
e inda dissestes que nunca me amastes...
E assim compulsivamente assinastes
o meu enterro e a minha segunda morte.

Gustavo V.S Ferreira
13/05/2018

Sinergia

Ouço a (atraente) voz dela gravada
e o meu coração, bem mas forte pulsa
sua doçura, meus nervos, impulsa
deixando minha pele arrepiada.

Sinto algo em sua voz aveludada
que outras estranhas sensações compulsa,
sinergia sensual que propulsa
a tocar sua pele extasiada...

A minha timidez logo é expulsa
e meu corpo numa dança safada
atrai, retrai, contrai, sua... e convulsa.

Mas de longe, falho nesta empreitada;
meu desejo dissolve-se e repulsa
a saudade dela na madrugada...

Gustavo V.S Ferreira
30/06/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018



Narração