Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Raízes de Sangue

Raízes de Sangue, Raízes Vermelhas
Líquido espesso umedecendo a terra...
Líquido orgânico gerador de vida...
Almas semeando o chão na guerra
silenciosa, branca, alva, genocida...

Vermelho corando as folhas, flores e frutos,
fungos pálidos infectando os ares naturais...
Pancadas, pólvoras, pragas... Perversos lutos
imersos em mortes nebulosas, frias e brutais...

Fumaças brancas, carne fresca e festejos
sob a terra úmida do que foi vivo, puro...
Símios albinos em barcos, velas e vilarejos
profanando o belo em prol do próprio futuro...

Sangue Tupi umedecendo a terra...
Sangue Guarani pagando os pecados brancos
dos símios engenheiros da mais fria guerra,
servos de Anhangá, portanto cegos e mancos...

Há vida indígena esvaindo durante todo o ano...
Tupã chorando acolhe os seus filhos no colo
e diz: Enquanto vidas inocentes molharem o solo
o brasileiro jamais será brasiliano.

Gustavo V.S Ferreira
01/01/2020


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