Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Alimento dos Vermes

Alimento dos Vermes, Vermes, Tatuzinhos

Acordo e percebo que mais um ano se foi
mas os vermes que me roem continuam aqui
dentro da minha cabeça, enlouquecendo os dois
eus que habitam este humilde tupi.

Já não sei quem sou ou nunca soube
que nada sou além do alimento natural
do acaso e do caso expansivo que coube
na pós-explosão do desespero sideral.

Sou quase e cada dia sou menos do que era...
Ontem certamente fui um pouco mais eu
e hoje sou apenas a humanização de uma quimera
que um dia foi um verme que na Terra cresceu...

Mas os vermes continuam roendo-me internamente
no intenso desejo de desfazer o que não sou nem supus,
na programação genética e frenética e, aleatoriamente,
soterrar o que chamo de corpo, de abrigo, de eu, de mente
e nada mais é do que um composto sólido de pus.

Gustavo V.S Ferreira
01/01/2020

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