Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Mantos Abismais

fantasma na floresta
Que do abismo ressurjam densos mantos
escurecendo os traumas dos bons servos;
que os lobisomens comam os eus protervos
que se fingem de bons; de mestres santos.

Desçam, ó chuvas negras, pelos cantos
asmáticos dos homens; dos seus nervos
arrancando sem dó os vis acervos
maléficos que são tontos e tantos...

Ó mantos negros, véu de morte e sorte
desate-se nos pravos e os aborte;
corte o mal pela raiz antes que cresça.

Chuvas venosas, chuvas redentoras
expurgue as tezes más e malfeitoras
com a tua mais funérea lama espessa!

Gustavo VS Ferreira
29/06/2019

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