Pular para o conteúdo principal

O Final

Chegamos ao final dum belo desafio
iniciado aqui neste poema ovante
leve igual bem-te-vi, grande como elefante!
Poema de aprendiz que mantém algum brio.

Pedaços pessoais do meu ultravazio
queimando em verso, prosa e soneto ofegante
mas em ternos plurais, poetar meliante
de substantivos vis com teor bem sombrio!

Chegamos ao final do começo gritante
dos termos irreais que eu mesmo balbucio
em textos radicais do vate delirante.

Desde o início ao fim falei num tom bem frio
nem cheguei a viver morri aqui diante
de ti, caro leitor (mantenha-se sadio)!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Comentários

Mais lidas da semana

Beijo Abiótico

No beijo abiótico d’alma morta
lúgubres sentimentos tomam forma;
e contrariando a retrátil norma
cerram o peito e abrem uma porta.

A porta aberta traz o que conforta:
mal necessário multiplataforma;
promove ilusões na interna reforma
deixando apenas o que nos importa.

A Alma clara geme mas se transforma
na dor da perda infame se auto-exorta
mas perde essência na invisível morma.

O beijo esmarrido gran’ mal transporta
e morosamente o mundo deforma
enquanto a vida maviosa aborta.

Gustavo V.S Ferreira
20/02/2019

Hábil Prisioneiro

Sonhos são ilusões do pensador dormente
e o sono é o apagão do cérebro ligeiro;
A morte é salvação desse homem passageiro
e descanso fatal do mais inteligente.

Os sonhos nunca são obras do consciente
mas realização d'um latente hospedeiro.
O sono é condução para o despenhadeiro
do ser habitual, do mortal impotente.

O desejo vulgar pelo ato rotineiro
de se autodesligar daquilo que é ordeiro
é reles indução do vão subconsciente.

A mente genial do hábil prisioneiro
desperta fogo e luz e faz-lhe companheiro
do natural saber e aprendiz transcendente.

Gustavo V.S Ferreira
26/02/2019

Calor Intenso

O calor infernal que almas derrete
queima a pele, os olhos, a breve vida;
Mata os humanos sem que nada o afete
acinzenta a natura colorida.

Usa a dor, faz-nos de marionete
de sapiência fria e desprovida;
que amarga a morte que lhe compromete
na ânsia a salutar por subvida.

O intenso e fatal que nos acomete
acelerando a delgada descida
é o calor travestido de confete.

Pelados, nus, d’alma desprecavida
percebemos que o sonho exige frete
que custa caro, custa a nossa vida.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
à luz fúnebre, sob a lua inesperada;
pétalas que despedaçam à alma brilhante
na música silente, silente pancada.

Jaz no baque sutil o medo castigante
de quem voou eternamente para o nada
restou a dor e o desespero lancinante
de quem achou o anjo sem luz na madrugada.

Ismália na torre e seu sonho angustiante
vê Ofélia lá no rio sendo afogada
mas ninguém vê pois a lua está ofuscante...

Ismália pula, Ofélia jaz desacordada
sem conseguir nadar vê-se insignificante
perante a lua e o mar se perde imaculada.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Nanquim Vermelho

Em mil novecentos e trinta e sete
o sangue humano transformou-se em tinta
a humanidade que a todos compete
foi ignorada e loucamente extinta.

Uns nipônicos mudaram a forma
de pintar a cidade de vermelho;
num jogo sádico de uma só norma:
matar, estuprar e pôr de joelho...

A morte certa, tal qual em Canudos
pediu cabeças como recompensa;
na regra doentia dos "três tudos"
permitir um viver era uma ofensa...

Sem Conselheiro, o massacre em Nanquim
foi dos massacres em massa, o estopim.

Gustavo V.S Ferreira
03/11/2018

Narração:


Sufixo

A vida quando é muito radical
exige mais vida como prefixo;
pode exigir morte como sufixo
ao romper o cordão umbilical.

Respirar pode ser ato prolixo
e por vezes, também será letal;
viver numa ladeira vertical
é transpirar em tempo semi-fixo.

O sonho pode até ser tropical
feliz, belo, perfeito ou surreal
mas nunca será mais que um crucifixo...

Viver é um pesadelo pessoal
à base da injustiça social
e que neste soneto hostil, transfixo.

Gustavo V.S Ferreira
21/08/2018

Velha Casa

Acordei na madrugada
escuridão me cercava
não sabia onde estava...
Sorrateiro, desci a escada...

A parede está manchada...
O vento sequer soprava,
a escuridão passeava
sobre os pedaços de nada.

O vazio sussurrava
enquanto eu me aconchegava
neste frio que desfasa...

A manhã quase chegava,
eu, inda insano lembrava
que ali já foi minha casa.

Gustavo V.S Ferreira
18/05/2018

Segunda Morte

Disseste-me tu que muito me amavas
e que sem mim não sobreviveria...
Dissestes que em mim, amor encontravas
e que este puro amor não morreria.

Mas subitamente me apunhalastes
(rompestes meu coração co' um só corte),
e inda dissestes que nunca me amastes...
E assim compulsivamente assinastes
o meu enterro e a minha segunda morte.

Gustavo V.S Ferreira
13/05/2018

Poema Diário

Far-lhe-ei um poema por dia:  meu dilema.
Ficarás no meu tema, mesmo se não quiseres.
Ainda que não esperes, estarás em meu lema,
musa de Ipanema (da garota diferes)!

Ainda que dilaceres este poeta nato,
encontrarei no mato motivos para compor.
E se eu encontrar dor jamais serei ingrato,
estando putrefato ou não, serás meu amor.

Então farei, sem temor, um poema por dia;
mesmo sem alegria,  encontrarei-te em mim
e plantarei um jardim de poemas nas manhãs.

As lembranças artesãs em minha utopia
darão autonomia até que chegue o fim:
poemas de ínterim  para estrelas anãs.

Gustavo V.S Ferreira
29/04/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018



Narração