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Mostrando postagens de Março, 2019

Campo de' Fiori - (Para Giordano Bruno)

E nasci militar, tive infância atrevida
procurei estudar para obter sapiência
p'ra fazer-se capaz de fazer na ciência
o que meus maros pais não fizeram na vida.

Fui além do normal e da crença contida;
vaga fé anciã, velha resiliência
na loucura dos fãs baldos de competência
fui julgado vulgar pela fera ferida.

Inda filosofei contra a besta erigida
e quiseram meu mal - caso de divergência -
condenado assim fui na mais pura inocência.

Mesmo assim não temi a sentença escolhida
quieto a recebi; mas o clã genocida
temeu quando eu sorri da sua sucumbência!

Gustavo V.S Ferreira
13/03/2019

O Final

Chegamos ao final dum belo desafio
iniciado aqui neste poema ovante
leve igual bem-te-vi, grande como elefante!
Poema de aprendiz que mantém algum brio.

Pedaços pessoais do meu ultravazio
queimando em verso, prosa e soneto ofegante
mas em ternos plurais, poetar meliante
de substantivos vis com teor bem sombrio!

Chegamos ao final do começo gritante
dos termos irreais que eu mesmo balbucio
em textos radicais do vate delirante.

Desde o início ao fim falei num tom bem frio
nem cheguei a viver morri aqui diante
de ti, caro leitor (mantenha-se sadio)!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

O Ponto

Há um ponto final nas frases dessa vida.
É o ponto normal que no corpo ponteia.
Ponto-fogo fatal que até nos desnorteia.
Ponte paranormal d'água desconhecida.

Há uma queda abissal no infinito da lida
anexa ao laboral transpirar de cadeia
na prisão do eu real embasado na areia
atômica hiemal e biopesticida.

O ponto pontual faz parte duma teia
finita, universal, sacra e liberticida;
O ponto acidental do início que incandeia...

O tal ponto é igual e qualquer um liquida
Sendo do bem ou mal mesmo assim te permeia.
Há um ponto final nas fases dessa vida.

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Poema Transverso

Há milhares de sóis no universo do verso,
há galáxias de luz luzindo belas rimas,
há grandezas além do que tu vês e estimas:
cada letra é um sol no verso do universo.

Os satélites são os acentos no inverso;
são luas naturais das belas obras-primas
que o poeta transcreve açorado de enzimas
nos lívidos papéis do pensamento imerso.

Há vida inconsciente em poemas que estimas
e aventuras cabais no texto mais adverso
mesmo nos abismais há variados climas!

Vida subliminar no poema transverso:
sujeitos, orações, verbos que subestimas
quando não lês ou vês o profundo do verso!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Fogão de Fogo

A sua luz de lua encrua a nua mente
que sua crua à cruz de sangue e de doçura.
E essa luz é fugaz e tenaz, é brancura
de guerra, luta e paz que abafa imoralmente

o conceito que traz deliberadamente
as sequelas reais do padrão e da alvura;
O alvo conquistador que conquista à tortura
quis ser fogo opressor do teu fogo evidente...

O tal bravo foi breve e houve greve, houve cura
tua luz se acendeu adamantinamente
atraindo fogões que bradavam à altura

Fogão de fogo e luz não coze a tua mente
tão crua e nua com pus, sem voz nem tessitura
e hoje é oito de Março e tua mente, mente.

Gustavo V.S Ferreira
08/03/2019

Letras de Sangue

Meus diversos boçais textos, irreversíveis
em folhas de papéis vivos, brancos, funestos;
expressões anormais de anseios vagos, lestos;
gritos rotos sem paz, lágrimas descritíveis...

Letras de sangue e fel em versos insensíveis
abala a pouca fé, assoreia meus restos
no interno escurecer dos desejos honestos;
meu sangue em verso e prosa aqui: vozes fusíveis.

Meu choro apenas é sombra dos manifestos
das letras que não são simples indivisíveis
mas revelam somente os meus eus indigestos.

Meu soneto contesta e sangra em rimas críveis,
suas estrofes são ossos podres, infestos
de morte enquanto lês meus lírios desprezíveis.

Gustavo V.S Ferreira
07/03/2019

Abraço Escuro

Não foi a morte quem abraçou a minh'alma
foi minh'alma soturna e asmática e devassa
que co’ ela se abraçou. Entregue a vida crassa,
não houve alternativa: A morte trouxe calma.

Em busca duma cura abissal p’ra o seu trauma
calmamente voou. A liberdade grassa
na sua mente solta e livre e leve e escassa...
Muito tempo se passa e agora há grande encauma.

Depois do abraço escuro, o mundo alou sem graça
e o espírito lesto ocupara o eixo d’alma,
causando-lhe uma dor alva que lhe transpassa...

Gritos azuis de dor; o inferno fogo espalma
e no fogo a alma surge envolta em biomassa.
O inferno me devolve a vida como agalma.

Gustavo V.S Ferreira
07/03/2019

Para Fora

Entrar fora do mundo ousando descobertas
exigiu ambição e gran' tecnologia;
Vermelhos Sociais dalém da guerra-fria
criaram nova base e geraram alertas...

Ousaram ir além das certezas incertas
das trêmulas ações de assaz topologia;
orbitaram no espaço e em bem menos de um dia
a Vostok 1 deixou as nações boquiabertas!

A Torre de Babel gerou isonomia
e também validou Vaga Democracia.
Gagarin foi O Herói das almas vis e espertas.

E fora do ovo azul, chorando de alegria
Yuri sente o sabor d'alma em epifania;
não enxergando deus viu galáxias abertas!

Gustavo V.S Ferreira
04/03/2019

Herança Casual

O ocaso é causador de tão belo cuidado
na vida vaga e vil do pensador errante
que cuida muito bem do bem mais instigante
da força divinal, do sideral legado.

Não é especial, o espacial tablado
herança casual bio-peregrinante
que força a forca à força astral aglomerante
no animal racional que quer ser celebrado.

P'ro memorável ser há busca extravagante
se acaso quiser ser um imortalizado
deixará de viver de forma aconchegante.

Mas para enaltecer um eu dissimulado
vive só por viver, fala por ser falante
morre só por morrer e jamais é lembrado.

Gustavo V.S Ferreira
03/03/2019

Graves Tinidos

Os sons da morte têm vida e graves tinidos;
metálicos faróis de pólvora ecoando
na cabeça sangrenta; há almas ressoando
no espaço assustador de astros desconhecidos.

Os ecos musicais dos sons indefinidos
sinéreses de dor e prazer percolando
os olhos num fitar fatal, perambulando
o corpo e o corte em tons de azuis envilecidos.

O caso é casual mas vem nos destroçando,
e cala, castra e queima os sonhos coligidos
sem ao menos nos dar qualquer tempo sobrando...

Os sons da morte são espasmos suprimidos
das notas imortais do eu finito acordando
enquanto a carne é morta ao léu dos esquecidos.

Gustavo V.S Ferreira
02/03/2019

Lua de Sangue

A lua de sangue é a minh’ampla passagem
para o mundo sem cor que os humanos habitam
sob leis vis, imorais e arcaicas que os limitam
a alcançar qualquer voo autônomo ou selvagem.

O sagrado amor pela alva vida - a viagem
é enforcado à noute quando eles conflitam;
votos, vales e vultos às trevas cogitam
velas, vilas e valas para antidopagem.

Novas senzalas, alas para os que acreditam
que a liberdade só pode ser gran’ vantagem
se for ilimitada e eles riem, e ditam

que a lua de sangue é uma falsa paisagem
e ninguém a vê, exceto os maus que necessitam
d’um pouco de nequícia à luz da pseudo-imagem.

Gustavo V.S Ferreira
01/03/2019