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Mostrando postagens de Fevereiro, 2019

Destroços Internos

Neste eterno arrastar, destroços e cabelos
estão a revoar em sonhos desprezíveis
querendo ultrapassar os mais difíceis níveis
da vida crua em flor; conseguirei vencê-los?

Neste interno arrastar dos ossos e cabelos
estou a me matar em lutas impossíveis
as quais não vencerei pois são imprevisíveis
mas não desistirei, enfrento os pesadelos!

No intenso amortecer das vidas imiscíveis
eu rastejando vou sozinho combatê-los
sem ajuda qualquer dos homens insensíveis...

O tenso amanhecer não derreteu os gelos
de sangue já sem cor, marcas inesquecíveis
da minha guerra atroz, dos próprios atropelos.

Gustavo V.S Ferreira
27/02/2019

Hábil Prisioneiro

Sonhos são ilusões do pensador dormente
e o sono é o apagão do cérebro ligeiro;
A morte é salvação desse homem passageiro
e descanso fatal do mais inteligente.

Os sonhos nunca são obras do consciente
mas realização d'um latente hospedeiro.
O sono é condução para o despenhadeiro
do ser habitual, do mortal impotente.

O desejo vulgar pelo ato rotineiro
de se autodesligar daquilo que é ordeiro
é reles indução do vão subconsciente.

A mente genial do hábil prisioneiro
desperta fogo e luz e faz-lhe companheiro
do natural saber e aprendiz transcendente.

Gustavo V.S Ferreira
26/02/2019

Mortal Clarão

Há um mortal clarão queimando no meu peito;
infernal sedução - desamores d’outrora
quase a me estrangular no mal que corrobora
apenas me matar por ser insatisfeito

com tal amor vulgar, profundo desrespeito
ao puro e singular bem que nos condecora
à mais pura emoção, gás que nos revigora
a rebuscar razão, dar ou obter respeito.

E este mortal clarão, agouro de última hora
que vem me compelir a aceitar sem demora
o verbo desmentir p’ra sentir falso efeito.

Prefiro recusar o mal que se aprimora
no ofício de enganar; sozinho vou embora
mas jamais cederei a tão vago conceito.

Gustavo V.S Ferreira
25/02/2019

In[pacto]

O verbo ódio nasceu e causou grande impacto;
à luz escureceu esplendorosas vozes
desfazendo o apogeu das vítimas e algozes
ruindo a solidão num modo mais compacto.

A vítima sem deus pressente-se coacto
ao nascer do não ser das emoções ferozes;
política cruel de milícias velozes
em polícias fiéis ao depravado pacto.

A vendida nação entregue aos albatrozes
espera salvação dos homens mais atrozes
de secos corações - bem mais secos que um cacto.

O verbo ódio floriu em caras simbioses;
O fantasma sorriu gerando apoteoses
e o tempo lhe partiu mas não ficou intacto.

Gustavo V.S Ferreira
25/02/2019

Carismático Anjo

O carismático anjo ofertou novidade!
A nova salvação do deus ambivalente;
trouxe uma liberdade afeita da corrente;
foco extremo de luz, de amor e ambiguidade.

Esse aprazível anjo em grande assiduidade,
terno dominador hipossuficiente;
grande conquistador de cérebro dormente
difunde a ilusão da auto-incolumidade.

É exímio invasor da vulnerável mente,
influenciador da subjetividade,
subliminal algoz, amargo intransigente.

Tal anjinho de luz simula alteridade
e invade o puro ser como falso adstringente
recriando zumbis vis sem identidade.

Gustavo V.S Ferreira
24/02/2019

Infinito do EU

Eu sou um astronauta de granito
desprendendo do espaço sideral;
Protejam-se na aurora boreal
fujam do bipolar e grave atrito.

Os profetas haviam me descrito
em páginas obscuras do anormal
livro sumeriano milenal
como Mediador do gran Conflito.

Sou O Astronauta-arcanjo supernal,
filho da ordeira morte original,
herdeiro marginal do último grito.

Farei tu’alma tremer ante o real
juízo consciente do impessoal.
Morte externa p’ra dentro do infinito.

Gustavo V.S Ferreira
23/02/2019

Beijo Abiótico

No beijo abiótico d’alma morta
lúgubres sentimentos tomam forma;
e contrariando a retrátil norma
cerram o peito e abrem uma porta.

A porta aberta traz o que conforta:
mal necessário multiplataforma;
promove ilusões na interna reforma
deixando apenas o que nos importa.

A Alma clara geme mas se transforma
na dor da perda infame se auto-exorta
mas perde essência na invisível morma.

O beijo esmarrido gran’ mal transporta
e morosamente o mundo deforma
enquanto a vida maviosa aborta.

Gustavo V.S Ferreira
20/02/2019

Órbitas Possessivas

Órbitas morais em fatais caveiras,
errantes e lastimáveis viventes,
caricatas figuras vis, doentes
cruzando a morte e a vida nas fronteiras.

Órbitas fatais, desiguais maneiras
espalham-se por entre as várias mentes;
são almas malévolas, mas cogentes
que nos conduzem às más ribanceiras.

Almas desalmadas e penitentes
perdidas em órbitas decadentes
procurando pessoas altaneiras.

Se encontram humanos convalescentes
as almas sombrias e dirimentes
se apossam em visitas rotineiras.

Gustavo V.S Ferreira
20/02/2019

Lágrimas Mortas

O parco brilho d’alma enrubescida
acende o bravo e belo coração;
obriga o Ser a ser um ser senão
a existência será despercebida.

Desobrigado a ser um homicida
torna-se um homicida com razão
e mata mais rápido que um tufão
na estranha ânsia de ser um genocida.

A guerra, quente ou fria, traz ação
que movimenta e aquece a tal nação
que faz da morte simples despedida.

E o parco brilho traz fugaz clarão
e alento p’ro eterno bebê chorão;
lágrimas mortas têm gosto de vida.

Gustavo V.S Ferreira
18/02/2019

Vida que Agoniza

A alva vida lentamente evapora
sucumbe matando o principal sonho;
Flutua no céu amargo e risonho
avermelhado, cru e turvo na aurora.

O sino maldito insinua a hora
e levemente à mão no peito ponho
sinto o último revoar tristonho
da ebúrnea alma triste que vai embora.

É penoso ver tal ato medonho
forçando a vida no passo enfadonho
a calcorrear sem aura nem glória.

Vida seca sem descanso, suponho
que a tua morte foi o único sonho
realizado em toda tua história.

Gustavo V.S Ferreira
18/02/2019

Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
à luz fúnebre, sob a lua inesperada;
pétalas que despedaçam à alma brilhante
na música silente, silente pancada.

Jaz no baque sutil o medo castigante
de quem voou eternamente para o nada
restou a dor e o desespero lancinante
de quem achou o anjo sem luz na madrugada.

Ismália na torre e seu sonho angustiante
vê Ofélia lá no rio sendo afogada
mas ninguém vê pois a lua está ofuscante...

Ismália pula, Ofélia jaz desacordada
sem conseguir nadar vê-se insignificante
perante a lua e o mar se perde imaculada.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Calor Intenso

O calor infernal que almas derrete
queima a pele, os olhos, a breve vida;
Mata os humanos sem que nada o afete
acinzenta a natura colorida.

Usa a dor, faz-nos de marionete
de sapiência fria e desprovida;
que amarga a morte que lhe compromete
na ânsia a salutar por subvida.

O intenso e fatal que nos acomete
acelerando a delgada descida
é o calor travestido de confete.

Pelados, nus, d’alma desprecavida
percebemos que o sonho exige frete
que custa caro, custa a nossa vida.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Flor da Morte

Cavalgo a morte no horizonte belo
e amargo a vida em rasos pesadelos;
Carrego o eu em ossos e cabelos
em busca do irrecuperável elo.

Afogo-me no espaço paralelo
nadando em atômicos escalpelos
cortantes como pedaços de gelos
que arrancam minha pele num flagelo.

Conheço da dona morte, o modelo
resistente como um forte camelo
no deserto vital preso em castelos.

Sou uma flor da morte, um sinuelo;
transbordo em solidão co' imortal zelo
de matar nas batidas dos martelos.

Gustavo V.S Ferreira
16/02/2019

Fuga da Caverna

Estava acorrentado na caverna
vendo meu conhecimento em solombras
que recobriam meu chão como alfombras
forçando-me a usar uma lanterna.

A tenra sombra do meu eu me assombra
causando uma ânsia cardíaca interna;
Meu coração néscio se desgoverna
à póstera liberdade me ensombra.

Amedrontado, acendo mi’a luzerna
nado para fora dessa cisterna
enquanto outro, de mim, somente zomba.

Adeus correntes! Fiquem na caserna
enquanto acho a vida real e eterna
voando em liberdade como uma pomba.

Gustavo V.S Ferreira
14/02/2019

Persistência Douda

Ainda insistes em dar murros
em pontas de facas?
Achas que um dia a dor
vai simplesmente sumir?
Achas que as feridas sararão
se continuares tentando?

Ainda insistes onde sabes
que não há solução?
Achas que tentativas repetidas
garantem o resultado da ação
em algo que sequer esboça
algum tipo de reação?

Ainda insistes em abandonar
o teu eu em prol dos outros?
Achas que o mundo te dará de volta
o tempo perdido, jogado no esgoto?
Achas que insistir em quem se acomodou
trará algum tipo de amor que supere a dor?

Ainda insistes. Admiro tua burrice
travestida de persistência.
A tua resiliência na mesmice
é algo surreal, anormal, sem sapiência.

Gustavo V.S Ferreira
09/02/2019

Geração Psicopata

Lendo sobre psicopatas
acabo percebendo que muitos traços
não apenas me definem como um,
mas também me alivia.

Alivio-me por saber que todos
temos um lado sombrio, psicopata;
todos somos semi-psicopatas,
sociopatas da nova era,
os novos tipos de humanos...

Somos a geração mais fria de todas,
mais banal e sem objetivos a longo prazo.

Não temos mais relações sexuais
apenas nos masturbamos com os corpos
dos outros e fingimos que é sexo.

Não temos mais relações familiares.
Tudo o que temos são obrigações sociais
engatilhadas em nossos cérebros nativamente.

Empatia?
O que é isso?
Amor?
Como defini-lo?

Estamos tão perdidos em nossas
distorções pessoais
que nem sabemos mais diferenciar corretamente
amor, paixão, compulsão e obsessão.

Somos masoquistas sentimentais;
terroristas em corações alheios;
máquinas na arte de matar
fisicamente e/ou psicologicamente.

Somos a geração mais narcisista;
vivemos compartilhando nossas vidas,
fotos e fatos,
intimidades e comidas em redes sociais
queremos es…

Sou

Sou o solitário farol
que ilumina as noites secas sem luar...
Sou a coragem que se foi
e tem medo de voltar.

Sou a alegria que chega
e não tem hora para acabar...
Sou a saudade que vem
e te faz chorar...

Eu sou o olhar da criança
que esbanja esperança
ao ver o céu azulado...

Sou a grande festança
que enfeita a distância
de um mundo apagado.

Sou a triste lembrança
das inconstâncias
de um poeta calado.

Gustavo V.S Ferreira
08/02/2019