Pular para o conteúdo principal

Entrevistei o poeta paraibano Danilo Soares - autor do livro "Versos Substanciais", pela Editora Hope

Olá caros leitores deste site, é com imensa satisfação que publico esta entrevista concedida pelo caro poeta Danilo Soares. Para quem não conhece, Danilo Soares, além de meu amigo, é o poeta paraibano que recentemente lançou o livro "Versos Substanciais" pela editora Hope. Ele até me contou um segredo e deixou-nos uma recomendação!

Antes da entrevista, segue uma pequena bio do poeta que pode ser encontrada no site da Editora Hope.

Danilo Soares nasceu em primeiro de fevereiro de 2001, na cidade de Rio Tinto - PB, onde reside atualmente. Estudante, Poeta e leitor voraz de Augusto dos Anjos e Carlos Dias Fernandes. É criador do site literário Paixão Melancólica que mostra poemas, matérias/artigos relacionados à literatura nacional. Também é autor de Versos Substanciais, obra de poemas publicados pela Editora Hope.

O Danilo fora das páginas é um adolescente ganancioso de 17 anos de idade que rir com coisas simples e chora sem se preocupar se vão ligar


Segue a entrevista:


Olá Danilo Soares, tudo bem?

Danilo, é com grande prazer e honra que o entrevisto aqui, fico deveras honrado em poder entrevistá-lo!

P: Danilo, conte-me sobre você, quantos anos tem, o que faz além de escrever e onde reside.

R - O Danilo fora das páginas é um adolescente ganancioso de 17 anos de idade que rir com coisas simples e chora sem se preocupar se vão ligar. Estudante e natural de Rio Tinto-PB.

P: Conte-me com quantos anos descobristes a literatura e a partir de qual idade começastes a rascunhar os teus primeiros textos.

R - Não sei bem ao certo. Mas lembro-me que foi no fundamental pós ler um livro que o professor de Etno-história recomendou. A obra era Jogador n1! apaixonei-me pelo livro e continuei a ler de tudo.

Faz alguns anos que comecei a escrever. Na verdade eu adorava as frases, e, rabiscava pensamentos no caderno. Mas escrever versos/poemas acho que foi aos 15 anos de idade que iniciei a compor.


P: Conte-me como seu "eu" artístico começou a ganhar maturidade e quando percebestes o quão incrível era escrever literatura.

R - Cada soneto que escrevo eu acho melhor que o anterior. Por isso, comecei a amadurecer o fazer artístico me dedicando à Arte e escrevendo, escrevendo, escrevendo.

Percebi o valor de escrever quando vi que dá para pedir socorro usando metáforas.


Percebi o valor de escrever quando vi que dá para pedir socorro usando metáforas.


P: Conte-me, caro poeta, quais dificuldades encontrastes ao longo do teu desenvolvimento lírico e quais foram os pontos mais angustiantes... Conte-me se houve alguma situação ou momento que te fez recuar ou até mesmo pensar em desistir da literatura autoral.

R - Interessante. Uma pessoa de minha família disse que é perda de tempo escrever, sem contar que moro numa região com pouco índice de leitores, mas não apenas minha terra, o país inteiro está carente em Arte. Isso já é irritante para quem produz algo.

Às vezes tenho algo em mente, mas não consigo escrever algo decente. Apago o poema do bloco de notas, se for em papel, rasgo. Sempre que isso acontece, penso que o dom foi ao inferno e que esse é o momento de deixá-lo ir.


Sempre que isso acontece, penso que o dom foi ao inferno e que esse é o momento de deixá-lo ir.


P: Houve alguém que te serviu de baluarte no desenvolvimento artístico e, ao mesmo tempo, houve alguém que foi "uma pedra" em teu caminho? Como lidastes?

R - Minha mãe, irmã, o amigo Senildo, a Roana e o Filósofo Matheus sempre me incentivaram.

Sob as pedras, deixo-as no caminho mesmo! Nunca liguei muito para quem já tá no chão.


P: Conte-me quando começou a ficar impossível de controlar o eu lírico e como isso afetou sua vida secular... Como e quando surgiu a ideia de tornar público os teus textos e qual foi o impacto que isso te causou.

R - Às vezes o fato de refletir muito e escrever muito sobre o conhecimento, razão e amor nos deixa seco e niilista. Isso magoa.

Deixo/deixei público meus textos para mostrar que o meu Vale me tem e têm outros grandes artistas que ficarão na história da Paraíba.


P: Como surgiu o desejo de publicar seu primeiro livro, a saber, Versos Substanciais? Como tal desejo foi alimentado e quais dificuldades encontradas para torná-lo real?

R - Eu tinha um vasto número de poemas! Vi que estava na hora de exibir Rio Tinto num livro de literatura. Procurei editoras para publicar a obra e, a que mais me agradou, foi a amada Hope.

A dificuldade principal foi só a que minha mente colocava.


A dificuldade principal foi só a que minha mente colocava.


P: Qual foi a sua expectativa durante o processo de desenvolvimento do livro, sobretudo quando o mesmo estava no processo de editoração, correção e diagramação... Como foi acompanhar tudo isso e ser paciente até o resultado final?

R - Cada passo que a Editora Hope dava na edição do livro me deixava feliz. A parte mais emocionante foi quando a Jéssica, editora chefe, e o Adriano, agente literário, me mostraram a capa de Versos Substanciais. Eu estava morto naquele dia. Morto de alegria. O resultado final me fez bater no peito e dizer: AGORA SIM!

Eu tinha chegado da escola. A caixa dos exemplares entregue pelo Correio foi a coisa mais linda que tinha visto. A capa amarela, as folhas amarelas e a diagramação brilhavam em meus olhos. Noutro dia, acordei e corri para olhar se num era um sonho! E não era. O livro ainda estava ali no sofá. Lindo e gostoso.


P: Caro poeta, eu já sei qual poeta te serve de inspiração, ainda assim hei de perguntar-te: Qual poeta ou quais poetas foram cruciais na definição de tua escrita e qual deles te inspira mais? O quão importante as escolas literárias e seus respectivos movimentos são?

R - Augusto dos Anjos, Allan Poe, Dante Alighieri, Dias Fernandes me fascinam. Eu leio mais o Augusto, levo o EU, único livro publicado por ele, na mochila e abro-o quando quero conversar com o poeta.

Gosto do romantismo e simbolismo. A melancolia sincera é algo que poucos conseguem expor.


A melancolia sincera é algo que poucos conseguem expor.


P: Qual movimento literário influenciou mais as suas obras? Qual a intensidade do impacto que o simbolismo tem em sua vida literária?

R - Acho que o modernismo. Sou um poeta vagabundo. Pouco me serve as regras. Arte tem que ser livre mesmo.

Por ir afundo na consciência, o simbolismo me faz desabafar sem medo de nada. Isso é bom.


O simbolismo me faz desabafar sem medo de nada.


P: Pretende publicar mais livros? Se sim, existe algum já em processo de escrita ou até idealizado?

R - Segredo, tenho um livro de poesia em processo.

P: Quais as dificuldades que destacas em ser escritor no Brasil?

R - Rapaz, o Brasil não têm muitos leitores,
As escolas mal convidam escritores para palestrar,
A direção de cultura muitas vezes excluem os autores,
A sociedade mal sabe interpretar um texto e às vezes tem medo dos escritores.


P: Danilo, se houvesse a possibilidade de trocar a fama de um livro atual por outro pouco conhecido, qual livro famoso escolherias para substituí-lo e qual livro não-famoso seria o substituto desse?

R - Substituiria a fama do 50 Tons de Cinza pela do Solaus do Carlos Dias Fernandes.

P: Algum conselho para os nossos jovens acerca da literatura? O que você recomenda para nossos futuros escritores que ainda não tiveram coragem de rascunhar seus primeiros textos?

R - Leia, mas leia mesmo. Se quer falar com alguém, escreva.

Se quer falar com alguém, escreva.


P: Existem várias técnicas utilizadas para facilitar a composição de poemas... Usas alguma? Se sim, qual?

R - Eu abuso das figuras de linguagens, rimas A-B-A-B e redondilhas.

P: Como você quer se perceber quando tiver o dobro da sua idade atual?

R - Quero não se arrepender de ter a ideia de criar 3 motéis pelo mundo, ficar rico e ser doutor em Letras.

P: Como é ter fãs e como é interagir com eles?

R - Olha, costumo dizer que num tenho fãs, tenho amigos. Eu passo todos os dias por pessoas, falo com todas. Deve ser por isso que eles me admiram. Eu admiro-os.

P: Qual é a melhor parte de ser um escritor? E qual a pior (se houver)?

R - A melhor parte é que tu podes dar indiretas para as pessoas que te odeiam e elas não vão perceber. A pior é que, quando pedes socorro, eles também não entendem.

P: Fale-me o nome de três livros que mais gostas de ler e por que.

R - Eu e outras poesias - Augusto dos Anjos!
( Mudou/muda minha vida)

Canção de Vesta - Carlos Dias!
(É um livro lindo.)

Dom Casmurro - Machado de Assis!
(Machado que escreveu, então é bom).


P: Para finalizar esta entrevista, gostaria de perguntá-lo o quão desgastante é escrever literatura no Brasil onde poucas pessoas possui boa leitura e boa interpretação de texto? Muitos leitores seus perguntam-te o significado dalguns de seus poemas ou versos? Se sim, qual sua reação?

R - Quando me perguntam, eu choro. Quando entendem, comemoro. É muito triste quando questionam, mas não os culpo. Eu os amo haha!

P: Qual é o seu conselho para o leitor aprender a absorver o máximo de ideias e essências de um poema?

R - Ouça músicas, leia muito, viva muito. Quando for ler um poema, considere sua visão de mundo também, não só a do autor. Recomendo o filme: Sociedade dos Poetas Mortos.

Quando for ler um poema, considere sua visão de mundo também, não só a do autor.



Danilão, meu caro, agradeço pela oportunidade de entrevistá-lo!
Sinta-se livre para fazer suas considerações!

Só tenho a agradecer.

Agradeço a minha mãe Fabiana, ao meu amor (melhor amiga do mundo) Roana Camily, o meu amigo Filósofo Matheus Barros que tem uma conclusão de mundo fantástica, Kaylanne Macedo a poeta de Mamanguape, a minha Editora Hope que abriu as portas no momento certo e à todos que me salvam.


Esta foi minha rápida e curta entrevista com o nosso amigo e caro poeta Danilo Soares.
O livro "Versos Substanciais", de Danilo Soares pode ser adquirido pelo site da editora Hope clicando aqui.
Para ler mais sobre ele, acesse o site Paixão Melancólica onde nosso poeta publica regularmente.

Comentários

Mais lidas da semana

Fogão de Fogo

A sua luz de lua encrua a nua mente
que sua crua à cruz de sangue e de doçura.
E essa luz é fugaz e tenaz, é brancura
de guerra, luta e paz que abafa imoralmente

o conceito que traz deliberadamente
as sequelas reais do padrão e da alvura;
O alvo conquistador que conquista à tortura
quis ser fogo opressor do teu fogo evidente...

O tal bravo foi breve e houve greve, houve cura
tua luz se acendeu adamantinamente
atraindo fogões que bradavam à altura

Fogão de fogo e luz não coze a tua mente
tão crua e nua com pus, sem voz nem tessitura
e hoje é oito de Março e tua mente, mente.

Gustavo V.S Ferreira
08/03/2019

Nanquim Vermelho

Em mil novecentos e trinta e sete
o sangue humano transformou-se em tinta
a humanidade que a todos compete
foi ignorada e loucamente extinta.

Uns nipônicos mudaram a forma
de pintar a cidade de vermelho;
num jogo sádico de uma só norma:
matar, estuprar e pôr de joelho...

A morte certa, tal qual em Canudos
pediu cabeças como recompensa;
na regra doentia dos "três tudos"
permitir um viver era uma ofensa...

Sem Conselheiro, o massacre em Nanquim
foi dos massacres em massa, o estopim.

Gustavo V.S Ferreira
03/11/2018

Narração:


Sufixo

A vida quando é muito radical
exige mais vida como prefixo;
pode exigir morte como sufixo
ao romper o cordão umbilical.

Respirar pode ser ato prolixo
e por vezes, também será letal;
viver numa ladeira vertical
é transpirar em tempo semi-fixo.

O sonho pode até ser tropical
feliz, belo, perfeito ou surreal
mas nunca será mais que um crucifixo...

Viver é um pesadelo pessoal
à base da injustiça social
e que neste soneto hostil, transfixo.

Gustavo V.S Ferreira
21/08/2018

Velha Casa

Acordei na madrugada
escuridão me cercava
não sabia onde estava...
Sorrateiro, desci a escada...

A parede está manchada...
O vento sequer soprava,
a escuridão passeava
sobre os pedaços de nada.

O vazio sussurrava
enquanto eu me aconchegava
neste frio que desfasa...

A manhã quase chegava,
eu, inda insano lembrava
que ali já foi minha casa.

Gustavo V.S Ferreira
18/05/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018



Narração

Para Fora

Entrar fora do mundo ousando descobertas
exigiu ambição e gran' tecnologia;
Vermelhos Sociais dalém da guerra-fria
criaram nova base e geraram alertas...

Ousaram ir além das certezas incertas
das trêmulas ações de assaz topologia;
orbitaram no espaço e em bem menos de um dia
a Vostok 1 deixou as nações boquiabertas!

A Torre de Babel gerou isonomia
e também validou Vaga Democracia.
Gagarin foi O Herói das almas vis e espertas.

E fora do ovo azul, chorando de alegria
Yuri sente o sabor d'alma em epifania;
não enxergando deus viu galáxias abertas!

Gustavo V.S Ferreira
04/03/2019

Calor Intenso

O calor infernal que almas derrete
queima a pele, os olhos, a breve vida;
Mata os humanos sem que nada o afete
acinzenta a natura colorida.

Usa a dor, faz-nos de marionete
de sapiência fria e desprovida;
que amarga a morte que lhe compromete
na ânsia a salutar por subvida.

O intenso e fatal que nos acomete
acelerando a delgada descida
é o calor travestido de confete.

Pelados, nus, d’alma desprecavida
percebemos que o sonho exige frete
que custa caro, custa a nossa vida.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
à luz fúnebre, sob a lua inesperada;
pétalas que despedaçam à alma brilhante
na música silente, silente pancada.

Jaz no baque sutil o medo castigante
de quem voou eternamente para o nada
restou a dor e o desespero lancinante
de quem achou o anjo sem luz na madrugada.

Ismália na torre e seu sonho angustiante
vê Ofélia lá no rio sendo afogada
mas ninguém vê pois a lua está ofuscante...

Ismália pula, Ofélia jaz desacordada
sem conseguir nadar vê-se insignificante
perante a lua e o mar se perde imaculada.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Morfema

A morte é a única solução
capaz de resolver qualquer problema;
É real, não apenas teorema,
é nossa verdadeira salvação.

Pela morte alimento uma paixão
que me enfeita feito algum diadema
fúnebre; Prego que a morte é morfema,
é luz, é fogo, é cicatrização!

É o final deste nosso subsistema
que é a vida, nossa religião,
que falha em ser mundo do treponema.

Espero a morte, minha redenção
nas linhas solitárias do poema
que faz da morte homogeneização!

Gustavo V.S Ferreira
17/07/2018

Era Madrugada II

Morte projetava
enquanto ocupada
ela só e calada
atenção me dava.

Luz que se apagava
na vil madrugada
fria, amargurada,
vida evaporava...

Ela imaculada
até levitava
mas não era alada...

Eu comemorava
ela, ali deitada
morta, descansava.

Gustavo V.S Ferreira
09/07/2018