Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ A Vida Faz Sentido

manequim deitado na calçada movimentada
Era segunda-feira, 16 de outubro de 2017 quando tudo começou.

Ela me ligou à madrugada, disse que estava atordoada, não conseguia dormir.
As mensagens de texto dela chegavam sem parar, nesse dia eu realmente entendi o motivo de chamarem as mensagens de texto (SMS) de torpedo.

Não dava pra trocar tanta informação em tão pouco tempo via torpedo, resolvi ligar para que ela pudesse contar-me o que, de fato, estava se passando...

Ela não atendeu, apenas enviou-me um torpedo afirmando que o "meu amigo" estava lá, sinalizando como perigo e portanto ela não poderia de maneira nenhuma atender o celular...

Notei que ela estava em risco, algo muito grave estava acontecendo para que "meu amigo" estivesse em plena madrugada batendo em sua porta; recebi um torpedo dela pedindo que eu me apressasse pois "meu amigo" estava armado e bravo, e que ela não sabia por quanto tempo a porta iria mantê-lo "do lado de fora".

Levantei-me rapidamente, naquela hora, seria muito difícil encontrar qualquer veículo de transporte público; eu não perderia tempo esperando um veículo particular pois cada segundo poderia custar caro e resolvi seguir andando pela avenida madrugada à fora, ela não morava muito longe e eu sabia que durante o percurso encontraria algum táxi disponível e tudo seria mais fácil.

No entanto estou aqui, deitado nesse chão frio sentindo-me preso e inútil, não consigo sentir parte do meu corpo e meu pescoço parece não estar mais sob meu controle...
Fui jogado para o outro lado da rua com uma força tão violenta que minha visão está turva, minha boca está seca e meu peito pulsa forte e rápido como uma metralhadora...

Estou sentindo que nada poderei fazer enquanto as vozes humanas que escuto sussurrando ao meu redor estão ficando cada vez mais longe, juntamente com a esperança de rever minha terna namorada... As vozes estão ficando escassas iguais as chances do meu amor estar bem...

Sinto um peso em mim; alguém movimentou o meu corpo, eu sei disso, mesmo sendo incapaz de sentir... As lembranças da minha donzela em perigo não saem da minha mente e não consigo sequer movimentar a boca para pedir que alguém a ajude...

Estou com frio...
Sinto as lágrimas da mulher da minha vida escorrendo pelos meus olhos enquanto enxergo um céu turvo, opaco e estrelado, como se o mundo fosse apenas uma imensidão escura e infinita, sem que minha existência pudesse fazer alguma diferença...



Maceió, 17 de Outubro de 2018
Gustavo V.S Ferreira




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