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Neblina nos Olhos

Dormimos calmamente igual lacaios;
Entregamo-nos quando o sono é forte...
Não sabemos que as noites são ensaios
para o triste dia da nossa morte.

Ingênuos a dormir feito animais
neste intenso mar somos os abrolhos
nas superfícies artificiais
co' imensidão e neblinas nos olhos.

Este mundo cinzento - é o que vemos;
o verde há muito tempo já se foi.
As estrelas sequer apercebemos
estamo' extintos como o peixe-boi...

Morremos de repente feito a luz
que se acende e se apaga, mas seduz.

Gustavo V.S Ferreira
10/11/2018

Comentários

Mais lidas da semana

O Tempo Dela

O tempo dela parece mais curto
sua vida pouco é aproveitável;
o seu sono é insano e lamentável
e o seu sonho é tonto, parece um surto.

O seu modo de vida é murcho e murto
em sua maior parte é alienável;
mas ela é uma guerreira indomável
respira sangue, mas vence ante o furto.

Respirando na dor insuportável
seu pedido de ajuda é um insulto
pois ninguém a vê como vulnerável.

E assim, vivendo morta como um vulto
seu destino parece inevitável
tendo a morte fatal como resulto.

Gustavo V.S Ferreira
30/11/2018


Poema Narrado:


Sândalo

A tal paixão não é insana
ela é pura e soberana,
nobre, quieta e bacana
(e do coração emana)...

É um amor, mas à paisana
faz no peito uma cabana
eleva-nos ao nirvana
e porém nunca se explana.

Em mim, como um pé-de-cana
nasceu, cresceu e me ufana
canalizando-me em Roana.

Ela é musa paraibana
bem mais intensa que a arcana
musa de Copacabana.

Gustavo V.S Ferreira
07/12/2018

Soneto em redondilha maior
em homenagem a amizade
mais pura e sincera
que já vi entre um homem
e uma mulher.
A Danilo Soares, meu poeta,
e Roana Camily.

Entrevistei o poeta paraibano Danilo Soares - autor do livro "Versos Substanciais", pela Editora Hope

Olá caros leitores deste site, é com imensa satisfação que publico esta entrevista concedida pelo caro poeta Danilo Soares. Para quem não conhece, Danilo Soares, além de meu amigo, é o poeta paraibano que recentemente lançou o livro "Versos Substanciais" pela editora Hope. Ele até me contou um segredo e deixou-nos uma recomendação!

Antes da entrevista, segue uma pequena bio do poeta que pode ser encontrada no site da Editora Hope.

Danilo Soares nasceu em primeiro de fevereiro de 2001, na cidade de Rio Tinto - PB, onde reside atualmente. Estudante, Poeta e leitor voraz de Augusto dos Anjos e Carlos Dias Fernandes. É criador do site literário Paixão Melancólica que mostra poemas, matérias/artigos relacionados à literatura nacional. Também é autor de Versos Substanciais, obra de poemas publicados pela Editora Hope.

O Danilo fora das páginas é um adolescente ganancioso de 17 anos de idade que rir com coisas simples e chora sem se preocupar se vão ligar

Segue a entrevista:


Olá Da…

Arregaço duma Vida Seca

Eu quero ver o trinco nessa testa
exibindo o arregaço dessa vida
espancando-me forte na descida
como se viver fosse só uma festa.

O meu amargo estômago protesta
da podridão nojenta da comida
que me provoca uma ânsia germicida
que até minha maldade manifesta...

Respiro fundo e em contrapartida
minh’alma tem tendência desonesta...
- ainda bem que não ’tá convencida.

Porém a dor infame abre uma fresta
e dela expele massa incolorida
desperdiçando a vida que me resta.

Gustavo V.S Ferreira
02/12/2018

A Vida Faz Sentido

Era segunda-feira, 16 de outubro de 2017 quando tudo começou.

Ela me ligou à madrugada, disse que estava atordoada, não conseguia dormir.
As mensagens de texto dela chegavam sem parar, nesse dia eu realmente entendi o motivo de chamarem as mensagens de texto (SMS) de torpedo.

Não dava pra trocar tanta informação em tão pouco tempo via torpedo, resolvi ligar para que ela pudesse contar-me o que, de fato, estava se passando...

Ela não atendeu, apenas enviou-me um torpedo afirmando que o "meu amigo" estava lá, sinalizando como perigo e portanto ela não poderia de maneira nenhuma atender o celular...

Notei que ela estava em risco, algo muito grave estava acontecendo para que "meu amigo" estivesse em plena madrugada batendo em sua porta; recebi um torpedo dela pedindo que eu me apressasse pois "meu amigo" estava armado e bravo, e que ela não sabia por quanto tempo a porta iria mantê-lo "do lado de fora".

Levantei-me rapidamente, naquela hora, seria …

A Escuridão que Sou

Em águas escuras e sombrias
caminho entre almas desconhecidas,
negras, quebradas e distorcidas,
torturadas, amargas e frias...

Persigo nuvens densas, vazias
em noites sacras e entontecidas,
e nas solidões recrudescidas
padeço sem rosto e sem fimbrias...

E as almas tenras e entretecidas
deixam mi'almas entorpecidas
em estatutárias alegrias...

Estas minhas almas coalescidas
agora são luzes homicidas
programando eternas avarias.

Gustavo V.S Ferreira
01/11/2018



Sanguessuga

Como sanguessuga, lentamente sugas
o meu eu sem fugas; secas-me por dentro
e sem hemocentro, teu querer subjuga
o meu, sem ajuda. Assim desconcentro,

sem forças descentro enquanto meu leite
finda teu deleite e tu choramingas.
Cometes mandingas; não queres desleite
embora suspeites em tuas rezingas.

E nas caatingas abandonar-te-ei;
sozinha seguirei em busca de vigor.
Ouvirei teu clamor e ignorá-lo-ei
e só retornarei quando fores amor.

Gustavo V.S Ferreira
21/04/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018

Alexitimia

Sinto
que sentir
é não sentir.

Sinto
que sinto
mas meu sentir
é um segredo
que nem eu
sei desvendar.

Gustavo V.S Ferreira
01/02/2018

1945

Mil novecentos e quarenta e cinco:
A Terra virou Marte, a alma imprecou
o fim do mundo; sangue cru jorrou
dos olhos que esborravam mui afinco...

O sonho era viver, porém o zinco
não foi suficiente e desabou
ante aquele céu-pólvora; findou
vidas; o sangue floresceu no ginco *.

Nesse ano tenso, a guerra se expirou,
e devagar o sangue ressecou
mas as lembranças rúbeas são um vinco

relembrando que o homem projetou
a arte da guerra fria e arquitetou
o genocídio num atômico brinco.

Gustavo V.S Ferreira
20/08/2018




* Ginco ou Ginkgo Biloba é uma planta chinesa, um fóssil vivo com mais de 150 milhões de anos que foi capaz de sobreviver aos efeitos das bombas atômicas que atingiram o Japão durante a segunda guerra mundial. Depois deste feito, ela despertou o interesse da comunidade científica e hoje é utilizada para tratamento de Radicais Livres e como auxiliar da oxigenação cerebral.


Música que remete o resultado social da segunda guerra mundial.