Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2018

O Tempo Dela

O tempo dela parece mais curto
sua vida pouco é aproveitável;
o seu sono é insano e lamentável
e o seu sonho é tonto, parece um surto.

O seu modo de vida é murcho e murto
em sua maior parte é alienável;
mas ela é uma guerreira indomável
respira sangue, mas vence ante o furto.

Respirando na dor insuportável
seu pedido de ajuda é um insulto
pois ninguém a vê como vulnerável.

E assim, vivendo morta como um vulto
seu destino parece inevitável
tendo a morte fatal como resulto.

Gustavo V.S Ferreira
30/11/2018


Poema Narrado:


Tuas Culturas

Fantasiado com tuas farturas
não há preocupação com faturas,
e mesmo quando há enormes fraturas
não afetam tuas vidas futuras.

És feliz mantendo tuas culturas
dinheiro, terras, boas conjunturas
que te ajudam nas fugas e capturas
das tuas mais diversas criaturas

Porém se te endireitas há rupturas
de tuas falhas fazem releituras
e ampliam tuas más miniaturas

Em milícias destroem estruturas
fazem de cadáveres esculturas...
e mesmo assim co’ eles tu te misturas.

Gustavo V.S Ferreira
26/11/2018

Versos Negros

Ei! Olha a morte vindo na neblina
tragando os sonhos belos e mais novos
a morte vem ceifando com vontade
enquanto durmo sem nada esperar.

Durmo todo dia e sempre que eu acordo
não consigo dos sonhos recordar
a morte sequestrou durante o sono
e eu, eu desperto sempre sem futuro.

Pressinto a morte vindo à flor da pele
tão cruel quanto um tiro no meu peito.
Vejo que o amanhã talvez nem venha.

Mas ei! Olhe a morte indo embora agora
levando toda a minha dignidade
enquanto eu mal consigo reagir.

Gustavo V.S Ferreira
22/11/2018

Por Direito!

Eu perdi a chave que abre o meu peito
trancado para sempre hei de ficar;
Portanto irei apenas amargar
na busca insana por algum efeito...

Mas eu também perdi todo o conceito
e a fantasia de me libertar.
Não quero tal situação mudar
sem chave criarei um outro jeito.

Eu deveria mesmo incomodar
investir tempo até reencontrar
aquilo que me causa algum defeito?

Vou ao vazio apenas me entregar
à sombra da minh'alma descansar
trancafiado em mim... Por direito!

Gustavo V.S Ferreira
21/11/2018




O Assassino

O assassino
bateu nela
bem na porta
torta
da minha
residência.

Eu
senti
a prepotência
na essência
do assassino.

O badalo
mortal
do sino
neural
moral
foi ativado.

Então
muito calado
fechei a porta
torta
ressabiado
e entusiasmado
arrastei-a
para dentro
de minha
residência.

Logo
tomei ciência
do que eu era
ou do que sou.

O assassino
a matou
na minha
frente
e eu
inconsciente[mente]
vi-me
no espelho
limpando
o sangue dela
do meu rosto
com a minha
flanela
amarela.

Peguei
atento
a minha
pistola
(espanhola)
Astra 400.

E com desdém
matei
o assassino
e morri também.

Gustavo V.S Ferreira
20/11/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018

A Vida tem Cor?

A vida tem cor, mas eu sei de cor
que a cor da vida está bem mais pior...
Morreu o meu sol, tempo bem menor
diz que a cor da vida será maior.

Mas será melhor? Pois já tenho dó
que a cor da vida torne-se um xodó.
A cor vital morre no cafundó
e os vitais morrem no duvi-de-o-dó...

Pesco novos sonhos sem ter anzol;
peço aos tristonhos: ouçam rouxinol
mas peco estranho diante do sol
no espaço opaco: Morte no arrebol.

A vida tem cor mas ela se entangue
nas calçadas e ruas como sangue.

Gustavo V.S Ferreira
17/11/2018

O Tudo é Apenas Vazio

Não há motivo algum para temer
a hora da morte que chegará
Logo todos haverão de morrer
essa vida à morte sucumbirá.

Sobreviver aqui é só passagem
nunca se apegue aos detalhes que há aqui.
A vida é só uma louca viagem
que move os humanos até ali.

E não há nada que faça sentido
o suficiente p'ra compensar
pois átomos são loucos na libido
de elétrons, nêutrons, prótons... A vagar...

Vida é bela mas é sonho sombrio
pois tudo nela é feito de vazio.

Gustavo V.S Ferreira
16/11/2018

Neblina nos Olhos

Dormimos calmamente igual lacaios;
Entregamo-nos quando o sono é forte...
Não sabemos que as noites são ensaios
para o triste dia da nossa morte.

Ingênuos a dormir feito animais
neste intenso mar somos os abrolhos
nas superfícies artificiais
co' imensidão e neblinas nos olhos.

Este mundo cinzento - é o que vemos;
o verde há muito tempo já se foi.
As estrelas sequer apercebemos
estamo' extintos como o peixe-boi...

Morremos de repente feito a luz
que se acende e se apaga, mas seduz.

Gustavo V.S Ferreira
10/11/2018

Revertendo a Morte

Ao deus que não existe não suplico
nem ao deus que existe vou suplicar.
Os deuses não são de verdade, explico!
Mas tu não deixarás de acreditar!

O deus que existe, existe nas figuras
que céticas quanto ao mundo real
sente-se confortáveis e seguras
ao crer que irão pr'um mundo surreal.

É verdade! - Dirão com gran certeza,
ao morrer seguiremos o juízo.
Mas tal afirmação tem estreiteza
que pode causar grande prejuízo.

Não tenho um livro nem deus como norte
mas leio livros que revertem morte.

Gustavo V.S Ferreira
09/11/2018

Por Dentro

O sonho escorregou, levou um baque
e o sonhador acordou num puxão.
Pulso acelerado, eis um breve ataque
há um choque por dentro do coração.

Logo o sonhador se desmancha em águas,
o pulso molda a dor da triste sina...
A esperança é sem cor e só traz mágoas
dum futuro de horror sem atropina...

Por dentro do homem dorme um viajor:
um lobisomem prestes a acordar.
O homem é o cruel catalisador
na tenra maldade a enchafurdar.

O homem é o salvador que habita o centro
do destruidor que carrega por dentro.

Gustavo V.S Ferreira
08/11/2018

Ecos Genéticos

Ecoam na mente os ecos da morte
e velozmente escancaram meu corpo;
ecos retumbantes dum som mui forte,
profundo estímulo aloanticorpo...

Em choque percorrem a minha pele,
e as células morrem devagarzinho;
O céu vingativo até me repele
e os ecos são mortes num só caminho...

E morro aos poucos a cada eco eterno
que me silencia e rouba meu brilho...
Sóbrio e sozinho em meu pesar interno
sigo o caminho vil como andarilho...

Energia estranha de obscura luz
em minhas entranhas morte introduz.

Gustavo V.S Ferreira
06/11/2018

Nanquim Vermelho

Em mil novecentos e trinta e sete
o sangue humano transformou-se em tinta
a humanidade que a todos compete
foi ignorada e loucamente extinta.

Uns nipônicos mudaram a forma
de pintar a cidade de vermelho;
num jogo sádico de uma só norma:
matar, estuprar e pôr de joelho...

A morte certa, tal qual em Canudos
pediu cabeças como recompensa;
na regra doentia dos "três tudos"
permitir um viver era uma ofensa...

Sem Conselheiro, o massacre em Nanquim
foi dos massacres em massa, o estopim.

Gustavo V.S Ferreira
03/11/2018




A Escuridão que Sou

Em águas escuras e sombrias
caminho entre almas desconhecidas,
negras, quebradas e distorcidas,
torturadas, amargas e frias...

Persigo nuvens densas, vazias
em noites sacras e entontecidas,
e nas solidões recrudescidas
padeço sem rosto e sem fimbrias...

E as almas tenras e entretecidas
deixam mi'almas entorpecidas
em estatutárias alegrias...

Estas minhas almas coalescidas
agora são luzes homicidas
programando eternas avarias.

Gustavo V.S Ferreira
01/11/2018