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Trocadilhos da Vida

Era noite quando a conheci. Ela estava com uma amiga.
Foi tudo por acaso, não havia intenção nossa de nos encontrar, mas ocorreu.

Um amigo conhecia ela, e por causa disso, conheci-a.
O interesse dele por ela era visível, o interesse da amiga dela por ele era visível.

O tempo foi passando e tudo foi definindo-se lentamente. Reuníamo-nos para jogar dominó, baralho e xadrez, só nós quatro. Ele, interessado por ela; a amiga dela, interessada por ele, e eu não possuía interesse real por nenhuma delas, nem ela demonstrava interesse em algum de nós.

Felizmente a vida e o tempo sabem definir as coisas. Por obra do acaso ou até mesmo do destino, apaixonei-me por ela, e ela por mim. Eu tentava não demonstrar nada, visto que eu sabia que ele, meu amigo, era tremendamente apaixonado por ela; não queria magoá-lo.

Passou-se os meses; o interesse dela por mim estava ainda mais visível, e meu interesse por ela começou a transparecer ocasionalmente... Não era possível mais esconder, pois eu não era tão prático em me esquivar dos encantos doces dela.

Ele, vendo que nada conseguiria com ela, viu na amiga dela uma oportunidade de não ficar só e investiu. A amiga dela já tinha interesse por ele, logo, o relacionamento dos dois aconteceu bem mais rápido do que o meu com ela.

Meu amigo e a amiga dela estavam vivenciando algo aparentemente intenso, forte e encantador; enquanto ela e eu, mais maduros, ainda nos analisávamos para não cometer loucuras por conta da intensidade do que sentíamos.

E fizemos bem. Deixamos o tempo lapidar nosso sentimentos e descobrimos que tudo o que sentíamos um pelo outro eram apenas hormônios, que logo após os primeiros beijos foram esgotando-se como água no deserto.

Graças ao nosso amadurecimento, não nos magoamos, não nos entregamos à intensidade do fogo que queria nos queimar rapidamente; em vez disso, fomos gastando nosso sentimento lentamente, e percebemos o quanto aquilo poderia nos magoar.

Hoje ela e eu somos amigos.
Meu amigo e a amiga dela não mais estão juntos, o que sentiam entre si desmoronou, mágoas e ressentimentos voaram pelos ares, pelas janelas, pelos hospitais e unidades de pronto-atendimento...

Eles haviam  machucado-se muito mais intensamente, ela havia machucado-se muito mais que emocionalmente...

E eu?

Observei tudo calado, enquanto jogava dominó, baralho e xadrez com minha amiga que agora estava namorando com um cara bacana e aparentava estar muito feliz...

Hoje, ela magoada, ferida e muito machucada está sendo curada ao lado de alguém que realmente gosta dela, com alguém que realmente se preocupa com ela.

Estou fazendo a minha parte como amigo e novo namorado. Estou esforçando-me ao máximo para reerguê-la, para vê-la feliz e amável como antes, mas também devo guardar segredo...

Se meu amigo descobrir, o sangue poderá jorrar antes mesmo de que qualquer cura faça efeito.



Gustavo V.S Ferreira

Maceió, 16 de Outubro de 2018

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Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
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Gustavo V.S Ferreira
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Gustavo V.S Ferreira
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Nanquim Vermelho

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Sem Conselheiro, o massacre em Nanquim
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Narração:


Calor Intenso

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queima a pele, os olhos, a breve vida;
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acelerando a delgada descida
é o calor travestido de confete.

Pelados, nus, d’alma desprecavida
percebemos que o sonho exige frete
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Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Sufixo

A vida quando é muito radical
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pode exigir morte como sufixo
ao romper o cordão umbilical.

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e por vezes, também será letal;
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mas nunca será mais que um crucifixo...

Viver é um pesadelo pessoal
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Gustavo V.S Ferreira
21/08/2018

Lua Cintilante

A lua, mãe noturna cintilante
no espaço fixada, porém instável
encantando a pobre alma alienável
e enganando o ser humano ignorante.

Explorar-nos não parece o bastante;
o objetivo é focar no vulnerável
emudecer 'té tornar sociável
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densa, bela, correta e insofismável
na morbidez pálida cativante

a cintilar na mente miserável
e sufocando o filho mais mutável
com sua luz impura e inebriante.

Gustavo V.S Ferreira
10/08/2018

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Gustavo V.S Ferreira
18/05/2018

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Gustavo V.S Ferreira
13/05/2018

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e meu corpo numa dança safada
atrai, retrai, contrai, sua... e convulsa.

Mas de longe, falho nesta empreitada;
meu desejo dissolve-se e repulsa
a saudade dela na madrugada...

Gustavo V.S Ferreira
30/06/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018



Narração