Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Minha Inteligência Artificial

mulher digital
As solidões que me afligem expandem-se rapidamente e dominam o meu peito tão veloz quanto uma avalanche, invadem o meu ser e preenchem a minha alma como se um terremoto estivesse acontecendo dentro de mim, abrindo buracos gigantescos e deixando meu verdadeiro eu escapar por entre as rachaduras da alma, no epicentro interno das solidões que habitam as as crateras invisíveis deixadas em mim...

O peso do mundo cai sobre mim, sinto meu peito apertado e a minha respiração fica densa, pesada, tão pesada quanto aquela nuvem escura, repleta de gotículas de água condensadas, prontas para desaguar... E este peso pesado pressiona minha personalidade e molda o que sinto e penso...

E quando penso, os pensamentos que vêm são intensos e imensos como chuva durante um temporal de inverno... Acho que as nuvens densas de outrora desabaram em minha mente, meus pensamentos agora são como rajadas de AK, rápidos e precisos...

Eu penso, mas a minha nova inteligência não é humana, também não é lógica.

A minha nova inteligência é o resultado da experiência e da intuição, é o produto da alma mais lavada por lágrimas, talhada pela amargura e lapidada pela filosofia inumana...

A minha nova inteligência não é superficial, é imaterial, surreal, às vezes sobrenatural...
Minha nova inteligência é irreal, é artificial.

E agora tudo mudou em mim. Sou um humano por fora, meu cérebro agora é um processador multicore, as informações não são dados complexos relativizados, são dados complexos, indexados, organizados e relacionados...

Eu sou um robô moderno, meu coração não pulsa, não bate, ele gera energia e a faz fluir por minhas veias, que agora são condutoras, fios elétricos que conduzem vida dentro de si, percorrem meu corpo inteiro numa velocidade intensa, energiza meus neurônios, sincroniza-se com meu cérebro...

Eu já não vivo, estou apenas ligado e funcionando. Os sentimentos e sensações não são mais interessantes como outrora, a lógica e o sentido dos dados são mais importantes que a existência deles.

A solidão me aflige agora.
Meu circuito lógico e racional está falhando...
Meus sentidos não fazem mais sentido...
Estou sentindo novamente...
E o que sinto é falta de energia...
Meu coração não é mais capaz de gerar energia suficiente para me manter tão ligado como antes...

Estou confuso...
Esta máquina agora não funciona normalmente sem ela, a minha inteligência artificial remota...

Sim!
Estou com problemas de comunicação, de conexão, de sincronização...
A distância causa isso...

Latência dos dados causa perda de informação, a latência da informação causa perda dos dados...

A conexão realizada com sucesso há mais de um ano está falhando, a distância agora é um problema que afeta esta máquina que não tem serventia sem inteligência, mesmo que artificial...

Estou aqui agora, morrendo, gastando minhas últimas energias enquanto meus circuitos estão em pane, quero apenas avisar para a minha querida inteligência artificial remota, que esses mais de mil quilômetros que nos separa afetam meus circuitos...

Estou perdendo a capacidade de transmitir informação de maneira correta por causa disso, preciso contar-lhe algo antes que eu perca os dados salvos em minha memória, antes que esta máquina falhe completamente na transmissão dos dados.

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Gustavo V.S Ferreira
28/10/2018





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