Pular para o conteúdo principal

A Mulher da Minha Vida

Houve uma época que eu realmente gostava de interagir com mulheres. O jogo da sedução era muito legal e dava-me a sensação de poder, de conquistador...
Porém fui tornando-me uma pessoa fria ao longo do tempo; já não tinha atração por relações que exigissem muito do meu tempo, quer seja na conquista ou mesmo na manutenção.

Ter um relacionamento consome bastante energia, tempo e "psicológico". Logo, resolvi focar muito em estudos e livros e gastar menos tempo com relacionamentos.
Eliminei meus relacionamentos com mulheres e focava no conhecimento. Quando eu realmente precisava fazer sexo, contratava através de um site especializado em acompanhantes e profissionais do sexo para os mais variados gostos.

Quando eu queria uma companhia para ir ao cinema ou a um evento, contratava uma acompanhante. Quando eu precisava desligar-me do mundo e relaxar, contratava uma massagista sensual, que fazia apenas massagem, sem sexo.

Quando eu de fato precisava do sexo, contratava uma profissional. Como sou uma pessoa de poucos amigos e não costumo confiar com facilidade, foi um grande desafio depender dessa indústria, mas me acostumei com algumas profissionais e sempre contratava-as novamente justamente pelo laço de confiança que acabou sendo criado.

Não é tão fácil fugir dos laços.

Eu tinha alguns amigos, com os quais eu costumava jogar dominó, xadrez, baralho e etc.
Então sempre que eu queria somente gastar tempo com conversa à toa, reunia-me com eles para jogar um pouco.

Certa vez eu estava precisando muito de sexo, era quase urgente. Eu tinha o telefone de duas profissionais de confiança o qual eu contratava regularmente para transar comigo.
Nesse bendito dia as duas estavam ocupadas. Havia um evento ocorrendo na cidade e ambas foram contratadas para atuarem como dançarinas por lá.

Então voltei ao site e passei horas ansioso, excitado e procurando alguma profissional que me interessasse. Foi quando vi o anúncio de Andressa.  O perfil dela me atraiu, não só pela aparência física dela, mas pela descrição, ela gostava de filosofia, destacando Schopenhauer, Nietzsche e destacava Bukowski, Augusto dos Anjos e Cruz & Souza na poesia, nas horas vagas escrevia poemas, além de curtir rock e falar espanhol e inglês. Não hesitei em telefoná-la, mas não consegui falar com ela. Alguns minutos depois ela enviou-me uma mensagem de texto.

Começamos a conversar. Ela não podia falar ao telefone, somente por SMS naquele momento. Conversamos um pouco sobre filosofia e música, ela disse que gostou da conversa e "eu aparentava ser uma pessoa instigante e interessante", e me presentou com uma promoção, brindando-me com uma noite inteira pelo preço de 2h, mas só estaria disponível após as 23h e perguntou se me interessava.

Olhei a hora, era 21h45m, não havia o que fazer tampouco eu tinha interesse em continuar procurando outra e agendei com ela. Combinamos que eu solicitaria um veículo de transporte por aplicativo para buscá-la e levá-la até a minha casa.

Pois bem, às 22h49m ela enviou-me um SMS e deu-me o endereço de onde ela se encontrava, rapidamente solicitei um transporte por aplicativo e aguardei. Segundo o aplicativo, ela estaria em minha casa às 23h09m.

Aproveitei o tempo e fui ler um pouco, acabei cochilando até que o celular vibrou, era o motorista do transporte comunicando-se comigo pelo aplicativo dizendo que estava na portaria do condomínio aguardando que eu liberasse a entrada, o porteiro havia tentando comunicar-se pelo interfone mas não conseguiu.

Era um hábito meu desligar o cabo do interfone para não ser incomodado quando estava focado em algo, naquele dia, esqueci de plugar novamente. Autorizei a entrada do veículo e fui recebê-la. O aplicativo informava a placa e modelo do veículo que eu havia contratado, não seria difícil identificá-la.

Mas a surpresa foi terrivelmente grande quando o veículo pára e desce do carro uma moça fantástica, linda e...  noiva de um amigo meu!

Andressa era o nome "profissional" dela, o nome real era Vanessa, noiva de um amigo que costumava gastar tempo comigo em jogos esporádicos de dominó e xadrez...

A surpresa foi dupla! Ela não sabia o que fazer e/ou falar; eu não sabia como reagir mediante a situação, porém não poderia confundir Vanessa com Andressa. Vanessa era a pessoa noiva do meu amigo; Andressa era a personagem do trabalho dela, a profissão dela. Conversei com ela um pouco, falei que jamais diria algo sobre aquilo para ninguém e que se ela não quisesse, não haveria sexo tampouco programa algum, mas eu adoraria tê-la como companhia durante o restante da noite.

Ela concordou timidamente, Foi uma situação inusitada e confusa e a minha reação diante disto não foi completamente racional. Ela foi ao meu apartamento, que era bem simples, eu não tinha quase nenhuma mobília, gostava do apartamento livre.

Minha sala só tinha uma rede, um tapete felpudo e algumas almofadas. No meu quarto tinha minha cama, meu guarda-roupas e minha mesa para estudos  e pesquisas. No segundo quarto ficava meu laboratório, minha bancada para estudos de elétrica e eletrônica e também era minha biblioteca. Minha cozinha resumia-se apenas num fogão de "quatro bocas", minha geladeira, os armários necessários que quase toda cozinha tem, um mesa de dois lugares, microondas e etc.

Era tudo muito simples, focando somente em atender todas as minhas necessidades, que eram bem básicas. Quase nunca recebia visita, a maioria dos meus amigos sequer sabia qual era o meu apartamento.

Ela entrou, sentiu a simplicidade do meu apartamento e, de primeira, disse que se apaixonou pela simplicidade e pela decoração. Minhas paredes eram escuras e repletas de desenhos grafitados com spray neon que acendia no escuro. A iluminação era pouca pois eu sofria de fotofobia. Os lugares mais claros do apartamento era a cozinha e o banheiro, e é claro, o segundo quarto que era o meu quartel-general de estudos e experiências.

Eu não sabia o que conversar com ela, então para "quebrar o gelo", perguntei se ela queria comer alguma coisa; eu poderia preparar algo ou solicitar por telefone. Ela prontamente aceitou desde que eu a deixasse me ajudar a preparar o lanche. Concordei.

Ela foi a primeira mulher que entrou na minha cozinha e utilizou meus utensílios. Juntos preparamos nosso lanche, até fizemos cupcake com massa-pronta. Tínhamos a noite toda para aproveitar e nem era meia-noite ainda, eu não costumava dormir antes das 4h, e ela sofria de insônia.

Não me senti à vontade para falar da vida pessoal dela tampouco sobre sexo, então começamos a falar sobre filosofia, literatura e rock. Levei-a até meu QG e mostrei os meus livros e meu pequeno laboratório, além de alguns protótipos eletrônicos e informáticos que eu havia desenvolvido. Ela ficou fascinada; levei-a para o meu quarto para mostrar o meu PC e os efeitos luminosos que haviam por lá. Deitamos na cama e ficamos conversando sobre filosofia, política e poesia.

Até compomos alguns versos juntos, peguei meu violão e improvisamos um pouco, depois ficamos só ouvindo alguns clássicos do rock enquanto, deitados na minha cama porém sem contato físico desnecessário, continuávamos conversando.

Assim passamos a noite toda! Amanheceu tão rápido que não percebemos!
Ela pediu para tomar banho, e fez. Na hora de ir, ela se recusou a receber o pagamento, mas eu insisti tanto que ela acabou recebendo. Gostei bastante da companhia dela e ela da minha que remarcamos para a semana seguinte, e depois marcamos novamente para a outra semana e assim me tornei um cliente regular dela. Éramos praticamente irmãos, não havíamos transado e curtíamos adoidado a amizade e o tempo disponível. E ela sempre se recusava a receber o pagamento e só aceitava depois de muita insistência.

Ela era ótima, inteligente, sagaz, culta e eclética, expressava-se muito bem, até brincávamos fingindo ser algum personagem que falasse espanhol ou inglês. Ela era rara, linda, meiga, paciente, inteligente... Enfim, ela possuía tantas qualidades que dava medo! Nossa amizade se fortalecia até que um dia resolvemos tomar um vinho juntos. Encontrávamos de 5 a 6 vezes por mês e evitávamos comunicação desnecessária fora desses encontros.

Nesse dia eu havia recebido um presente de um amigo que morava na Itália. Ele me enviou uma garrafa de vinho que os pais dele produziam por lá, então tomamos o tal vinho juntos. Era delicioso, tão delicioso que tomamos a garrafa toda e nos embriagamos... Ela resolveu fazer streap-tease para mim, luzes poucas, meu quarto colorido por leds enquanto no meu home-theater  tocava Blutengel... Ela fez o que sabia e aquilo era espetacular e excitante... Ela tirou a roupa completamente!

Em êxtase e sem reação, nada fiz além de observar seus movimentos até que ela se aproximou de mim e me beijou... O melhor beijo de toda a minha vida! Completamente excitado e percebendo que o vinho estava domando a nossa razão, achei melhor não me aproveitar da situação, não tinha certeza se nós dois queríamos fazer sexo naquele momento ou se era apenas o efeito do vinho, que eu já possuía conhecimento necessário sobre seus efeitos no nosso cérebro. Acabei dialogando com ela e fomos dormir; mas dessa vez, dormimos agarrados, ela completamente nua e eu só de cueca.

Apagamos completamente. O vinho agiu como um sonífero de alta potência. Fomos acordados durante a madrugada, quando ouvimos um barulho forte na porta e sem tempo algum de reação, percebemos que um grupo de homens havia invadido o meu apartamento, dentre eles, o noivo dela, meu amigo...

Eles estavam armados, não queriam explicação e depois de algumas horas sendo torturado por eles, eu realmente não sabia mais o que dizer para explicar tudo... Fui pego em flagrante, não quis dizê-los que ela trabalhava como garota de programa, não queria piorar a situação; simplesmente aceitei a acusação de ser amante dela. Não havia uma maneira sucinta de explicar os detalhes e eles não pareciam estar interessados nisso.

Ela e eu fomos torturados  intensamente, eles me drogaram; forçaram-me a engolir alguns comprimidos que me deixaram completamente excitado; obrigaram-nos a transar enquanto eles filmavam tudo, fizemos sexo à força... Eles me forçaram  a estuprá-la, pois naquela situação, não havia interesse dela nem meu no sexo... Eu havia recusado a situação, mas depois de horas de tortura, eu não conseguia vê-la na situação humilhante...

Eles pediram para que ela escolhesse entre fazer sexo comigo para que eles filmassem ou fazer sexo com o noivo e os amigos dele, seis, ao todo. Eles disseram que se ela aceitasse a primeira opção, apenas gravariam e nos deixariam em paz, caso contrário, estuprariam ela e eu e depois nos mataria e ainda divulgariam o vídeo na internet...

Ela escolheu a primeira opção... Foi nesse momento que me deram os comprimidos e fizemos o ato mais automático, nojento e robótico das nossas vidas... Depois de insistirem que permanecêssemos alguns minutos praticando o ato, eles nos pediram para parar, disseram que eu não sabia transar com "uma gata daquelas"...

Sim, ela foi estuprada na minha frente pelo próprio noivo! Não satisfeito, ele solicitou que os amigos a estuprassem também para supostamente me ensinar como é que se fazia sexo com uma "mina gostosa"... Filmaram tudo... Disseram que no dia seguinte tudo aquilo estaria circulando pelas redes sociais... O pai do noivo dela era secretário de segurança pública do nosso estado, os amigos deles eram todos filhos de policiais militares, mesmo assim, logo quando foram embora fomos à delegacia prestar queixa...

O delegado nos ouviu, mas duvidou do que afirmávamos; disse na nossa "cara" que a conversa não batia, que "algo não se encaixava nem cheirava bem"... Além do mais, os acusados não possuíam histórico de violência nem de crimes... Saímos da delegacia, o delegado sequer solicitou o exame de corpo de delito...

Fomos desacreditados... Eu tinha outro apartamento, no mesmo bloco e condomínio, só que bem em frente ao que eu morava. O apartamento era utilizado como estúdio, onde eu eu produzia vídeos e faziam gravações, era assim que eu ganhava uma renda extra.
Aterrorizados com a situação, fomos para esse apartamento até pensar melhor no que fazer... 

Optei por levá-la a um hospital particular, ela estava com hemorragia e outros ferimentos, eu tinha apenas alguns hematomas e cortes que precisavam de pontos; a situação dela era preocupante, não só a física, mas a mental também... Fomos ao hospital, ao chegar lá, fomos atendidos, claro, mas como de costume, o hospital acionou a polícia sem que soubéssemos, é um protocolo padrão.

Antes da polícia chegar no local, o noivo dela se apresentou, ele obteve a informação privilegiada, provavelmente através de contatos de seu pai... E adentrou o prédio, identificou-se como noivo dela, conseguiu acesso interno do hospital e foi até a enfermaria onde ela se encontrava e a executou...
Eu ouvi os disparos, foram seis... Sai como louco pelo corredor na direção da sala onde ela se encontrava quando "dei de cara" com ele de arma em punho...

Ele disparou seis vezes contra mim e foragiu...
Eu não morri ainda...
Acordei horas depois...
Havia passado por algumas cirurgias e agora eu estava totalmente paralisado...
Os únicos movimentos que eu possuía era do pescoço para cima... O resto do meu corpo estava completamente morto...

Passou-se alguns anos de tratamento intensivo e eu consegui recuperar o movimento completo do braço esquerdo. Mudei de estado e fiz um curso de tiro. Aprendi a atirar com a mão esquerda e fiquei longe durante quatro anos. Depois de preparado, já havia comprado um veículo adaptado às minhas necessidades...

Montei meu plano de vingança, executei todos num dia só, no mesmo lugar...
Pena que não pude demorar na vingança pois eu não tinha possibilidades além de me aproximar da mesa de bar que todos eles estavam e me explodir...

Sim! Eu haviam carregado minha cadeira de rodas elétrica de explosivos...
Fui até à mesa onde eles estavam reunidos, eram duas mesas juntas... Eles estavam lá, tomado cerveja friamente e comemorando o resultado do jogo de futebol.

Aproximei-me de todos, eles não me reconheceram inicialmente...
Quando eu estava bem próximo, disse apenas:

- Olá rapazes, lembram de quem eu era?

O "noivo" dela olhou para mim com "cara de espanto" e quando esboçou reação, pressionei o botão programado e me explodi.

Havia colocado explosivos suficientes para matar todos, e espero ter conseguido com sucesso.
Esse texto que estás lendo agora foi publicado em meu blog no dia 03 de Julho de 2016, o dia que escolhi para realizar minha vingança...

Escrevi este texto dias atrás, programei para que fosse publicado automaticamente no dia escolhido para a vingança, se estás lendo agora, é por que obtive êxito nos meus planos!

A vida é realmente uma caixa de surpresas, imprevisível e com picos rápidos de alegrias e tristezas...

A mulher da minha vida foi também a mulher da minha morte.

Nunca fiz algo tão importante quanto os que fiz com ela, e nunca tomei uma atitude tão importante como a vingança da morte dela.

Dito isto, espero que a explosão, que deve ter sido grande o suficiente para transformá-los em pedaços, tenha ocorrido conforme planejei minuciosamente por 3 anos...

Hasta la vista baby!


Gustavo V.S Ferreira
31/10/2018




Comentários

Mais lidas da semana

O Tempo Dela

O tempo dela parece mais curto
sua vida pouco é aproveitável;
o seu sono é insano e lamentável
e o seu sonho é tonto, parece um surto.

O seu modo de vida é murcho e murto
em sua maior parte é alienável;
mas ela é uma guerreira indomável
respira sangue, mas vence ante o furto.

Respirando na dor insuportável
seu pedido de ajuda é um insulto
pois ninguém a vê como vulnerável.

E assim, vivendo morta como um vulto
seu destino parece inevitável
tendo a morte fatal como resulto.

Gustavo V.S Ferreira
30/11/2018


Poema Narrado:


Sândalo

A tal paixão não é insana
ela é pura e soberana,
nobre, quieta e bacana
(e do coração emana)...

É um amor, mas à paisana
faz no peito uma cabana
eleva-nos ao nirvana
e porém nunca se explana.

Em mim, como um pé-de-cana
nasceu, cresceu e me ufana
canalizando-me em Roana.

Ela é musa paraibana
bem mais intensa que a arcana
musa de Copacabana.

Gustavo V.S Ferreira
07/12/2018

Soneto em redondilha maior
em homenagem a amizade
mais pura e sincera
que já vi entre um homem
e uma mulher.
A Danilo Soares, meu poeta,
e Roana Camily.

Entrevistei o poeta paraibano Danilo Soares - autor do livro "Versos Substanciais", pela Editora Hope

Olá caros leitores deste site, é com imensa satisfação que publico esta entrevista concedida pelo caro poeta Danilo Soares. Para quem não conhece, Danilo Soares, além de meu amigo, é o poeta paraibano que recentemente lançou o livro "Versos Substanciais" pela editora Hope. Ele até me contou um segredo e deixou-nos uma recomendação!

Antes da entrevista, segue uma pequena bio do poeta que pode ser encontrada no site da Editora Hope.

Danilo Soares nasceu em primeiro de fevereiro de 2001, na cidade de Rio Tinto - PB, onde reside atualmente. Estudante, Poeta e leitor voraz de Augusto dos Anjos e Carlos Dias Fernandes. É criador do site literário Paixão Melancólica que mostra poemas, matérias/artigos relacionados à literatura nacional. Também é autor de Versos Substanciais, obra de poemas publicados pela Editora Hope.

O Danilo fora das páginas é um adolescente ganancioso de 17 anos de idade que rir com coisas simples e chora sem se preocupar se vão ligar

Segue a entrevista:


Olá Da…

Arregaço duma Vida Seca

Eu quero ver o trinco nessa testa
exibindo o arregaço dessa vida
espancando-me forte na descida
como se viver fosse só uma festa.

O meu amargo estômago protesta
da podridão nojenta da comida
que me provoca uma ânsia germicida
que até minha maldade manifesta...

Respiro fundo e em contrapartida
minh’alma tem tendência desonesta...
- ainda bem que não ’tá convencida.

Porém a dor infame abre uma fresta
e dela expele massa incolorida
desperdiçando a vida que me resta.

Gustavo V.S Ferreira
02/12/2018

A Vida Faz Sentido

Era segunda-feira, 16 de outubro de 2017 quando tudo começou.

Ela me ligou à madrugada, disse que estava atordoada, não conseguia dormir.
As mensagens de texto dela chegavam sem parar, nesse dia eu realmente entendi o motivo de chamarem as mensagens de texto (SMS) de torpedo.

Não dava pra trocar tanta informação em tão pouco tempo via torpedo, resolvi ligar para que ela pudesse contar-me o que, de fato, estava se passando...

Ela não atendeu, apenas enviou-me um torpedo afirmando que o "meu amigo" estava lá, sinalizando como perigo e portanto ela não poderia de maneira nenhuma atender o celular...

Notei que ela estava em risco, algo muito grave estava acontecendo para que "meu amigo" estivesse em plena madrugada batendo em sua porta; recebi um torpedo dela pedindo que eu me apressasse pois "meu amigo" estava armado e bravo, e que ela não sabia por quanto tempo a porta iria mantê-lo "do lado de fora".

Levantei-me rapidamente, naquela hora, seria …

A Escuridão que Sou

Em águas escuras e sombrias
caminho entre almas desconhecidas,
negras, quebradas e distorcidas,
torturadas, amargas e frias...

Persigo nuvens densas, vazias
em noites sacras e entontecidas,
e nas solidões recrudescidas
padeço sem rosto e sem fimbrias...

E as almas tenras e entretecidas
deixam mi'almas entorpecidas
em estatutárias alegrias...

Estas minhas almas coalescidas
agora são luzes homicidas
programando eternas avarias.

Gustavo V.S Ferreira
01/11/2018



Sanguessuga

Como sanguessuga, lentamente sugas
o meu eu sem fugas; secas-me por dentro
e sem hemocentro, teu querer subjuga
o meu, sem ajuda. Assim desconcentro,

sem forças descentro enquanto meu leite
finda teu deleite e tu choramingas.
Cometes mandingas; não queres desleite
embora suspeites em tuas rezingas.

E nas caatingas abandonar-te-ei;
sozinha seguirei em busca de vigor.
Ouvirei teu clamor e ignorá-lo-ei
e só retornarei quando fores amor.

Gustavo V.S Ferreira
21/04/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018

Alexitimia

Sinto
que sentir
é não sentir.

Sinto
que sinto
mas meu sentir
é um segredo
que nem eu
sei desvendar.

Gustavo V.S Ferreira
01/02/2018

1945

Mil novecentos e quarenta e cinco:
A Terra virou Marte, a alma imprecou
o fim do mundo; sangue cru jorrou
dos olhos que esborravam mui afinco...

O sonho era viver, porém o zinco
não foi suficiente e desabou
ante aquele céu-pólvora; findou
vidas; o sangue floresceu no ginco *.

Nesse ano tenso, a guerra se expirou,
e devagar o sangue ressecou
mas as lembranças rúbeas são um vinco

relembrando que o homem projetou
a arte da guerra fria e arquitetou
o genocídio num atômico brinco.

Gustavo V.S Ferreira
20/08/2018




* Ginco ou Ginkgo Biloba é uma planta chinesa, um fóssil vivo com mais de 150 milhões de anos que foi capaz de sobreviver aos efeitos das bombas atômicas que atingiram o Japão durante a segunda guerra mundial. Depois deste feito, ela despertou o interesse da comunidade científica e hoje é utilizada para tratamento de Radicais Livres e como auxiliar da oxigenação cerebral.


Música que remete o resultado social da segunda guerra mundial.