Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ O Poeta e a Lua

Jão Cínico de Alagoas
um poeta diferente
escrevia poesia
ficava todo contente
quando alguém lia seus textos
arranjava alguns pretextos
para ficar sorridente.

Seu Jão era muito humilde
não ligava pro dinheiro
queria ser conhecido
por qualquer um brasileiro
seu sonho era viajar
sua poesia mostrar
para este mundo inteiro.

Mas o destino é incerto
e os sonhos são traiçoeiros
seu Jão muito se esforçava
longe dos seus travesseiros
escrevia sem parar
e até o dia raiar
foram vários candeeiros.

Suas poesias noturnas
inspiradas nas caladas
eram belas e simétricas
com rimas bem arrumadas
versificava com vigor
da morte até a dor
em poesias explanadas.

Seu Jão falava da lua
e nunca falou do sol
falava da rua nua
pescava estrelas co' anzol
mas essa opção pela noite
lhe causara algum açoite
que alterou seu cortisol.

Então dona natureza
não curtiu muito a ideia
de falar só d'uma beleza;
convocou uma assembleia
seres de todas as formas
escreveram outras normas
para quem quer ter plateia.

Todos seres concordaram
co' esse novo tratado
de efeito imediato;
Ficou assim combinado:
Pode falar só da noite
mas terá como açoite
um sono prejudicado.

Mas a lua é atraente
e o sol sabe nos queimar
ocupou a nossa mente
virou símbolo de amar.
Mas se o sol inspira o dia
a lua traz a poesia
inspirada ao luar.

Seu Jão sem saber de nada
continuou a escrever
durante a madrugada
até ficar velho e morrer.
Culpa dele todo poeta
morrer sem ter cerimônia
e conviver co' a insônia
sem atingir a sua meta.

Gustavo V.S Ferreira
04/09/2018

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