Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Orbital

Assassinei a lua na madruga;
incomodava-me vê-la sozinha
no espaço sinuoso que continha
apenas o vazio como fuga.

Não haverá poema sanguessuga
pois não verão a lua-patricinha;
se a lua não podia ser só minha
não será tema de amor que subjuga.

Guardei da lua só o que a lua tinha:
o reflexo vão da luz que mantinha
e a paixão orbital que nos aluga.

A lua morreu por ser tão mesquinha
atraindo poetas à noitinha
p'ra beijá-los na face co'a verruga.

Gustavo V.S Ferreira
08/08/2018

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