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Mostrando postagens de Agosto, 2018

Hoje não tem Poesia

Hoje não tem poesia
pois ela morreu aqui.
Hoje não tem alegria
pois eu, mui triste, caí.

Cresceu a monotonia
e eu, fraco, diminuí...
Ela, uma rosa, sorria
e eu, pasmo, retribuí...

Hoje não tem poesia
pois ela já não sorri
e a vida ficou vazia.

Por isso eu já concluí
que a saudade é antologia
das lembranças que eu senti...

Gustavo V.S Ferreira
31/08/2018

Messalina

A podridão do mundo me sufoca,
a corrupção é só carnificina
e também é falta de disciplina
que gradativamente me provoca.

Tranco-me em minha saudosa maloca
vivendo somente a minha doutrina
prefiro mil vezes minha rotina
do que me misturar à badalhoca.

Parece até que uma densa neblina
de cegueira mental nos alucina
e nossa real intenção desfoca.

Somos uma versão da Messalina
afundados na metanfetamina
e usados como moeda de troca.

Gustavo V.S Ferreira
30/08/2018

O Poeta da Morte

O poeta renasceu
de Alagoas pro Brasil
numa reação sombria;
ninguém soube, ninguém viu
que o poeta sucumbiu
para fazer poesia.

Encontrou um corpo vazio
tomou-lhe em gran poderio
eliminando a estesia.
E tornou-se noutro alguém
não era do mal ou do bem
só importava a poesia.

Não voava, asa não tinha
no seu cérebro continha
da morte, a sabedoria.
Gratidão não lhe faltava
e a morte homenageava
em quase toda poesia.

Ao lê-lo ninguém notava
que apenas fantasiava
o que da morte sabia.
pedaços de sua morte,
sua ausência de sorte
formavam a poesia.

Não havia sentimento
pois su'alma era um vento
soprando na noite fria.
Eram só palavras ocas
que ao saírem pelas bocas
transformavam-se em poesia.

Como parte dessa ação
sua única obrigação
era um poema por dia.
Logo, em versos evocava
a morte que apreciava
sua obscura poesia.

Cada poesia é sombria
e cada leitor que a ler
evoca a morte sem saber
p'ra ser sua companhia.

Gustavo V.S Ferreira
29/08/2018

A Morte e o Poeta

Foi na terra de Alagoas
terra fértil, merecida
nasceu um sem alegria
quase morto em fraca vida
seu choro, sua partida
foi um grito em poesia.

E cresceu desbitolado
era um estranho no ninho
sua vida era distopia
e fingia ser bonzinho
assim treinava sozinho
como fazer poesia.

Não via televisão
não queria perder tempo
com tamanha hipocrisia
pois de tanto contratempo
mantinha só um passatempo
que era escrever poesia.

Cresceu num bairro pobre
onde a morte faz morada
e tem muita autonomia;
a noite era sua amada
e durante a madrugada
escrevia poesia.

O menino virou homem
e co' uma moça casou
na época mais sombria;
porém sua amada o amou
mas ele sequer notou
só pensava em poesia.

Perdeu o gosto da vida
nada fazia sentido
e tudo era alegoria
o mundo havia morrido
ninguém havia sabido...
Quem leu sua poesia?

Seus pés descalços no chão
trilhavam à escuridão
a morte era companhia
dava-lhe muita esperteza
e também muita destreza
para escrever poesia.

Ele escreveu vários versos
sobre assuntos …

Só o Amor Pode nos Salvar

Tão cedo decidi fugir de casa
e fui à procura do meu lugar;
respirando pânico ao invés de ar
o medo pôs meu coração em brasa.

A sensação de solidão me atrasa
este mundo novo está a me esnobar
e temo nunca conseguir chegar
parece que estou numa cova rasa...

O amor é tristeza a sintetizar
algo irreal e vil a masturbar
o cérebro que não deseja pausa.

Apaixonado eu não pude enxergar
que apenas o amor pode nos salvar
dos males terríveis que ele nos causa.

Gustavo V.S Ferreira
27/08/2018

Amor

O meu caro amor caiu do cavalo
e foi atropelado pelo tempo;
Morreu e desfez-se no contratempo
dessa vida e escorregou pelo ralo.

Sua existência causava um gargalo
e descompassava o meu passatempo;
Ele surgiu e nesse meio-tempo
transformou-me em seu único vassalo.

O amor aparentemente supempo
deu-me sofrimento como regalo
e apenas música triste, no embalo...

Hoje, mais maduro e consciente, empo
que o amor é o lancinante intervalo
entre o amadurecido e o chavalo.

Gustavo V.S Ferreira
25/08/2018

Uma Espera

Temporal na primavera:
viver é ato suicida
porém em contrapartida
tem excelente atmosfera.

E essa mortal biosfera
já está bem convencida
de que essa nossa partida
é o maior bem que tivera.

Dona Morte é destemida
experiente há mais de era
sua existência é arguida.

O ser humano é quimera.
Como pode a sua vida
durar bem mais que uma espera?

Gustavo V.S Ferreira
24/08/2018

Como Pode?

Como pode sentir dor
alguém tão forte e saudável?
Como pode um robô-mor
ser doce, meigo e amável?

Como pode o incolor
ser doído e execrável?
Como pode ser rancor
se é verdadeiro e imputável?

Como pode a frágil flor
representante do amor
não ser biodegradável?

Como pode ter sabor
a vida do espectador
se sequer é sustentável?

Gustavo V.S Ferreira
23/08/2018

Achismo

Na neblina, o saber é imaginário
promove o asco, o verme relutante
na acidez cavernosa repugnante
do cérebro aprendiz hereditário...

Tão certo do saber mais arbitrário
'té acredita ser preponderante
por isso não tem espaço restante
para aprender mais do extraordinário.

E grita, mente, inventa e inda ofegante
perde a razão, mas acha isso elegante
pois o seu conhecimento é binário.

Digo-te uma coisa, ó vil ignorante:
A sua opinião não é importante
quando há fatos que dizem o contrário.

Gustavo V.S Ferreira
22/08/2018

Sufixo

A vida quando é muito radical
exige mais vida como prefixo;
pode exigir morte como sufixo
ao romper o cordão umbilical.

Respirar pode ser ato prolixo
e por vezes, também será letal;
viver numa ladeira vertical
é transpirar em tempo semi-fixo.

O sonho pode até ser tropical
feliz, belo, perfeito ou surreal
mas nunca será mais que um crucifixo...

Viver é um pesadelo pessoal
à base da injustiça social
e que neste soneto hostil, transfixo.

Gustavo V.S Ferreira
21/08/2018

1945

Mil novecentos e quarenta e cinco:
A Terra virou Marte, a alma imprecou
o fim do mundo; sangue cru jorrou
dos olhos que esborravam mui afinco...

O sonho era viver, porém o zinco
não foi suficiente e desabou
ante aquele céu-pólvora; findou
vidas; o sangue floresceu no ginco *.

Nesse ano tenso, a guerra se expirou,
e devagar o sangue ressecou
mas as lembranças rúbeas são um vinco

relembrando que o homem projetou
a arte da guerra fria e arquitetou
o genocídio num atômico brinco.

Gustavo V.S Ferreira
20/08/2018




* Ginco ou Ginkgo Biloba é uma planta chinesa, um fóssil vivo com mais de 150 milhões de anos que foi capaz de sobreviver aos efeitos das bombas atômicas que atingiram o Japão durante a segunda guerra mundial. Depois deste feito, ela despertou o interesse da comunidade científica e hoje é utilizada para tratamento de Radicais Livres e como auxiliar da oxigenação cerebral.


Música que remete o resultado social da segunda guerra mundial.

Buracos n’Alma

Sessenta milhões - custo famulento;
um valor médio de buracos n’alma,
é número assombroso, um grande trauma;
de várias nações, é sonho sangrento.

Esperma-sangue em dia purulento
e corda no pescoço como agalma,
osso esfacelado trazia calma,
forca e força, paz e ressentimento...

No ano quarenta e cinco, co' arma e palma
uma bandeira nevoenta acalma
em fraudes, mortes e entretenimento...

A bandeira sangrenta trouxe encauma
de buracos na mente que desalma...
Ser vivo e consciente é um tormento.

Gustavo V.S Ferreira
19/08/2018

Assassina Fria

Lasso, adormeci co' a janela aberta;
corpo pesado, a cama me atraía...
Nem deu tempo de escrever poesia
tampouco de me enrolar na coberta.

Afundei-me na sonolência incerta
e perdi toda a minha autonomia
na ausência de humana tecnologia
dessa madrugada que se disserta...

E a lua, nua, vingativa e fria
invadiu meu ser sem burocracia
deixando a noute confusa e deserta...

E na janela da dicotomia
a lua sanguinolenta e sombria
deu-me somente a morte como oferta.

Gustavo V.S Ferreira
18/08/2018

Poema Poético?

Enganados pela pareidolia
também de quase tudo que é estético;
ignorantes quanto ao mundo sintético
pois noss'alma tem paraparesia.

Pela aparência temos frenesia
amamos aquilo que é hipotético
imaginário, vil ou teorético:
os fatos nos causam alestesia.

Logo estupramos tudo o que é noético,
focando somente no que é atlético
nessa cultura de poliquesia.

Nem tudo aquilo que é poético, é ético,
nem tudo que é ético, é energético
e nem todo poema é poesia.

Gustavo V.S Ferreira
17/08/2018

Cachoeira Venenosa

Cachoeira venenosa:
os meus olhos têm veneno
meu linguajar é ameno
minha morte é gloriosa.

Recito esta quase-prosa
um poema quase-obsceno
complicadamente pleno
na noute silenciosa.

Minha vida é só veneno
meu falecer é sereno
minha queixa é pesarosa...

Mas se meu verso é ameno
sou um poeta pequeno
minha vida é mentirosa.

Gustavo V.S Ferreira
16/08/2018

O Cimo

O cimo celeste silencia o sino
em síntese sacra e silenciosa
sanciona sonhos na viciosa
noute suscetível ao vil destino

Sobrepuja salmos co' o mal divino
segrega os segredos da audaciosa
morte do sucesso à misteriosa
sincronização do lutuoso hino.

O cimo da ciência alcança e goza
o sino de carne que pulsa à prosa
versando sem ritmo, sem inquilino.

E a síntese sacra já melindrosa
sacode o peitoral na nebulosa
vida que faz do humano um dançarino.

Gustavo V.S Ferreira
15/08/2018

Quebrado

O sonho doce que se foi é santo
antecedeu a morte desejada
reconstruiu a longa e velha estrada
montou acordes do mais triste canto.

Dissipou-se no mais sincero encanto
erigiu-se e voou sobre a lufada
plainou a liberdade imaculada
chocou-se contra o chão e chorou tanto...

Chorou sangue na noute revirada
deixando toda a terra ensaguentada
e o ar contaminado co' amianto.

E a noute pura agora deturpada
penumbra em vida, morte e o nada
na insônia amarga do espanto.

Gustavo V.S Ferreira
14/08/2018

Aliter[ação]

No velejar da vida o ar que viaja
vai viajando em fúnebres veículos
vagando a respirar tristes currículos
vendo no vão do envaidecer que ultraja.

Vituperando em vultos se encoraja
age vetando os vasos dos ventrículos
sangra vida em vários cruéis versículos
velejando as veias que o vento engaja.

E este vigoroso ar rompe os funículos
em vis, vulgares e mortais retículos
volve à vida com veneno de naja.

E as vidas em verve são só fascículos
validando os vazios e ridículos
sonhos no velório que a morte traja.

Gustavo V.S Ferreira
13/08/2018

Pulso Solar

De sol em sol o amor andou tão solitário
e em voos abismais dissipou-se sofrido
em dor a reclamar do ódio comunitário
turvou a languidez do não-ser oprimido.

E esse ódio visceral no peito temerário
move o magma imortal no espaço comprimido;
pulsando à explosão do dia embrionário
expandindo a visão em fogo compelido.

De sol em sol o aval tornou-se hereditário;
cada raio solar em trevas envolvido
era vida a gerar um novo sedentário.

E aquele turvo amor, etéreo embevecido
em ondas orbitais - céu interplanetário -
foi pulso inicial do breu desconhecido.

Gustavo V.S Ferreira
12/08/2018

Rutilância Vermelha

Um brilho de sangue
cegou-me à noutinha,
minh'alma sozinha
faleceu exangue.

No céu há uma gangue
sem limite ou linha
que à morte se alinha
nas covas d'um mangue.

E a vida que eu tinha
amor não continha
voou num balangue

Oh morte que é minha
dai-me uma casinha
no passado langue.

Gustavo V.S Ferreira
11/08/2018

Lua Cintilante

A lua, mãe noturna cintilante
no espaço fixada, porém instável
encantando a pobre alma alienável
e enganando o ser humano ignorante.

Explorar-nos não parece o bastante;
o objetivo é focar no vulnerável
emudecer 'té tornar sociável
o animal irracional ultrajante.

Olhai a lua da treva impalpável,
densa, bela, correta e insofismável
na morbidez pálida cativante

a cintilar na mente miserável
e sufocando o filho mais mutável
com sua luz impura e inebriante.

Gustavo V.S Ferreira
10/08/2018

Arfando

Pulmões esmagados; estou arfando
e tentando manter-me consciente.
Dores ressurgem e, subitamente
consomem minh'alma, filosofando.

Estou esparso, inerte, divagando
perante todo o mal remanescente
surgindo quase simultaneamente
que vai aos poucos me martirizando.

Não há nada que, incondicionalmente
faça-me feliz verdadeiramente
sem aquele puro ar, intenso e brando

Que a morte soprava noturnamente
e mantinha-me hipossuficiente
mas capaz de viver, mesmo arquejando.

Gustavo V.S Ferreira
09/08/2018

Orbital

Assassinei a lua na madruga;
incomodava-me vê-la sozinha
no espaço sinuoso que continha
apenas o vazio como fuga.

Não haverá poema sanguessuga
pois não verão a lua-patricinha;
se a lua não podia ser só minha
não será tema de amor que subjuga.

Guardei da lua só o que a lua tinha:
o reflexo vão da luz que mantinha
e a paixão orbital que nos aluga.

A lua morreu por ser tão mesquinha
atraindo poetas à noitinha
p'ra beijá-los na face co'a verruga.

Gustavo V.S Ferreira
08/08/2018

O Sino

A vida não passa d'um perverso conceito
que sequestra tu'alma, teu corpo e teu desejo
e força-te a aceitar teu interno despejo
que despeja teu eu no próprio preconceito.

Ocorre diariamente sem respeito;
tua vida é apenas algum remanejo
que te mantém sobrevivendo num latejo
bem sistemático, estruturado e suspeito.

E vivendo enquanto morto neste cortejo
não respiras mais; falas mudo num solfejo
tentando convencê-los para ser aceito.

E asmático na luta sem qualquer traquejo,
vives na densa lama como um caranguejo...
Quebrou-se o sino que badalava em teu peito.

Gustavo V.S Ferreira
07/08/2018

Macuma

A voz vermelha surge em densa bruma
num grito pávido, triste, e estridente
que, de doído e tenso desarruma
o sorriso feliz e irreverente.

Um olhar tão mudo que se escaruma
rasga-me ao meio em dor impenitente
ao ver a morte da bela Macuma
levando à morte a luz do sol nascente.

Meu peito seco languidez escuma,
maldição genética persistente,
minh'alma pálida não se acostuma...

Amargo só a dor que duplamente
pinta de vermelho o céu que se esfuma
matando de fome o sol inclemente.

Gustavo V.S Ferreira
06/08/2018

Meus Sonetos

Os meus sonetos escorrem d'um corte
dentro de mim, desde o antigo inverno;
Dele provém versos sem qualquer norte,
nascem palavras no silêncio alterno.

Os meus sonetos não têm grande porte
mas pretendo que cada um seja eterno;
que acalme, amanse, sufoque e conforte
todos que me leem como fraterno.

Meus sonetos são névoas de suporte
que transpassam dos olhos ao esterno
destroçando más neblinas de sorte.

Não sou poeta e fujo do superno
enquanto faço poemas à morte
versificando este meu próprio inferno.

Gustavo V.S Ferreira
05/08/2018

Potência

Varia o valor da moeda e o da vida
vai variando na mesma frequência;
valores morais e até da ciência
perdem-se na linha desconhecida.

A alma cansada e desnuda é arguida
nem pode lutar para ter potência,
o orgulho dela é ter resiliência
para ser cegamente defendida.

Seu valor é baixo, sem anuência
p'ra decidir com muita paciência
seu sangue, seu suor, sua partida...

Humanos possuem eficiência
para mitigar sua própria essência
em prol de valores e/ou de comida.

Gustavo V.S Ferreira
04/08/2018

Tortura

Olhares pasmos, interpretativos
amargurados por grande tortura
refletem a morte, e na sepultura
espasmam os últimos sugestivos...

Olhares silenciosos, cativos
espelham uma alma vil, quase pura
a respirar morte na desventura
de pesadelos reais e abortivos.

A dor é sentida como ternura,
e o fel como mel; triste criatura
co' efeitos colaterais cognitivos...

O amor à vida torna-se sutura;
E o algoz tornou-se autor da estrutura
que fez o sapiens primitivus.

Gustavo V.S Ferreira
03/08/2018

Aflição

No timbre insano da música aflita
meu coração torna-se permeável
e na tortura interna e deplorável
ele sofre calado, mas milita.

Tenta fugir das notas que limita
e soltar-se da corda miserável
que o faz sofrer do mal inenarrável
tão denso que até o impossibilita

de ser bem mais que um pulso inigualável
na sinfonia interior erudita
da música sacra indissociável...

E a música externa sem paz conflita
co' essa música interna inexorável
que faz noss'alma ser cosmopolita.

Gustavo V.S Ferreira
02/08/2018

Emprestada

Tomastes minha pobre alma emprestada
e assim fugistes co' ela pelo mundo
vagastes por ai como um vagabundo
e esquecestes da promessa acordada.

Fiquei co' a vida desequilibrada
submersa no meu pior, no submundo
que é mui frio, vazio e nauseabundo;
sinto-me sem forças e violentada.

Tomastes a minh'alma num segundo
e deixastes-me só e abandonada
sem fôlego, sem vida mas prostrada...

Agora em tristes lágrimas afundo
sozinha ao aceitar ser humilhada;
fiquei sem honra, sem vida, sem nada.

Gustavo V.S Ferreira
01/08/2018