Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Versos Viscerais

Ninguém quer ver o quanto é formidável
descobrir que somos civil quimera
tão solitários quanto uma pantera
que da morte é amiga inseparável.

Acostumamo-nos ao fim que espera
trazer-nos o conforto miserável
neste nosso morrer inevitável
nas garras da mais vil e mortal fera.

Queimamos a vida como um cigarro
e apagamo-nos num rápido escarro
cujo o tempo apressa enquanto apedreja...

E nossas lembranças como uma chaga
encontram na morte que nos afaga
a paz eterna do fim que nos beija.

Gustavo V.S Ferreira
03/07/2018




* Este poema foi escrito como um Tributo ao grande e espetacular Augusto dos Anjos.

Foi um desafio proposto por um amigo, que também é fã do grande poeta, que incitou-me a escrever um soneto cujo os versos terminassem exatamente com as mesmas palavras que terminam os versos do soneto "Versos Íntimos" de Augusto dos Anjos. Sei que não fiz jus, mas cumpri o desafio.


Narração do poema:

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