Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Poema Frio

chão coberto de neve
Um vento gelado domina a sala
meus ossos doem e minh'alma chora
lembranças táteis e fúteis de outrora;
hora que urge, frieza que me cala...

✑ À Porta

arte deserto com uma porta e varias peças de xadrez
Olhos graves, a morte bate à porta;
na hora do medo até o tempo congela...
O coração pulsa sugando a aorta
pois por dentro dele há uma procela...

✑ Poeta Morto

ursinho na linha do trem
Preocupo-me em deixar um legado
que possa, minhas filhas, sustentar,
que consiga dar-lhes o mais puro ar
dentro deste mundo dissimulado...

✑ Caminhos

bifurcação de estrada com placa sinalizadora
Todos os caminhos estão errados
quando não sabemos nosso destino
ou enquanto estivermos bitolados
nas regras do pragmatismo asinino.

✑ Naquela Esquina

esquina noturna
Ocorreu à noite, naquela esquina
onde o vento morre e sequer sussurra
sons fantasmagóricos na suburra
que forma palavras de adrenalina...

✑ Silêncio

mulher pedindo silencio
Silêncio! Preciso me decompor,
sentir minha carne pacificar
este meu coração que a saltitar
verseja no ritmo d'um trovador.

✑ Sou Rico

plantações de moedas
Poder morrer é o que me faz rico
e ter medo da morte me faz pobre;
aproveitar a vida me faz nobre,
desperdiçá-la torna-me impudico.

✑ Uni Versos

Da galáxia mais distante do verso,
na imensidão escura e redundante,
no espaço-tempo lírico e instigante,
ergue-se o epicentro controverso.

✑ Infinito

homem sendo abduzido
Escafedeu dos seus olhos, o grito
num forte ímpeto quebrou seu pescoço;
foi um baque retumbante - alvoroço!
foi um som triste, mortal e erudito.

✑ Morfema

cesta de presente sobre um tumulo
A morte é a única solução
capaz de resolver qualquer problema;
É real, não apenas teorema,
é nossa verdadeira salvação.

✑ Anjo Sombrio

Na madrugada taciturna, um anjo
sobrevoou o meu corpo sombrio,
despertou-me num grande calafrio
fez morada em meu ser, seu novo arranjo.

✑ Ela Partiu

Deu um suspiro e partiu
partiu o meu coração
deu um suspiro e sorriu
numa última reação.

✑ Detenção

Quais valores da nação
se mal sabemos quem somos
enquanto nos decompomos
sem alguma educação?

✑ Atraso

Às vezes me atraso
e caio da escada,
chego na calçada
tropeço; descaso!

✑ Era Madrugada III

Ela descansava
em paz, transformada;
quieta no nada,
calma, sussurrava...

✑ Era Madrugada II

Morte projetava
enquanto ocupada
ela só e calada
atenção me dava.

✑ Era Madrugada I

Era madrugada
o vento soprava
a lua cantava
na rua espantada.

✑ O Grito

Dorme tarde e mui cedo se levanta,
vive somente para trabalhar;
...Ainda sabe o que é transpirar
pois no olhar triste a lamentar, decanta.

✑ Orbe da Morte II

O tempo passa sem sonoridade;
fixo, cumprindo a sua disciplina
somente por acaso, sem ser sina
ou mesmo pouca subjetividade.

✑ Inflamado

Enganado, o meu peito inflama e clama
tremendo em intensa e amarga dor
perante o escárnio avassalador
que o teu egoísmo cruel derrama...

✑ Orbe da Morte

Não vês! Não é a vida que me anima
tampouco a busca por felicidade;
Não! Não é o futuro da humanidade
que nos fará recalibrar o clima.

✑ Versos Viscerais

Ninguém quer ver o quanto é formidável
descobrir que somos civil quimera
tão solitários quanto uma pantera
que da morte é amiga inseparável.

✑ Patologia

A vida d'alguns seres é um catarro
durante a longa agonia fremente
que controla deliberadamente
o pulso e a respiração do barro.

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