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Teu Corpo

Teu corpo belo no chão tão quieto
fez os meus olhos suarem, de dor
ante o acidente estarrecedor
que desfez minha vida e o meu afeto...

Choro só mas o choro é mui discreto...
No silêncio, choro é avassalador,
conforta, acalma; é aliciador...
O choro é, das emoções, o dejeto...

Vendo o teu corpo frio em esplendor
esvaindo no mais cruel projeto
que nem sequer possui um criador...

Desejo vê-lo puro e ressurreto
no voo final denunciador
a reclamar, em morte, do arquiteto.

Gustavo V.S Ferreira
26/06/2018

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Mais lidas da semana

Fogão de Fogo

A sua luz de lua encrua a nua mente
que sua crua à cruz de sangue e de doçura.
E essa luz é fugaz e tenaz, é brancura
de guerra, luta e paz que abafa imoralmente

o conceito que traz deliberadamente
as sequelas reais do padrão e da alvura;
O alvo conquistador que conquista à tortura
quis ser fogo opressor do teu fogo evidente...

O tal bravo foi breve e houve greve, houve cura
tua luz se acendeu adamantinamente
atraindo fogões que bradavam à altura

Fogão de fogo e luz não coze a tua mente
tão crua e nua com pus, sem voz nem tessitura
e hoje é oito de Março e tua mente, mente.

Gustavo V.S Ferreira
08/03/2019

Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
à luz fúnebre, sob a lua inesperada;
pétalas que despedaçam à alma brilhante
na música silente, silente pancada.

Jaz no baque sutil o medo castigante
de quem voou eternamente para o nada
restou a dor e o desespero lancinante
de quem achou o anjo sem luz na madrugada.

Ismália na torre e seu sonho angustiante
vê Ofélia lá no rio sendo afogada
mas ninguém vê pois a lua está ofuscante...

Ismália pula, Ofélia jaz desacordada
sem conseguir nadar vê-se insignificante
perante a lua e o mar se perde imaculada.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Para Fora

Entrar fora do mundo ousando descobertas
exigiu ambição e gran' tecnologia;
Vermelhos Sociais dalém da guerra-fria
criaram nova base e geraram alertas...

Ousaram ir além das certezas incertas
das trêmulas ações de assaz topologia;
orbitaram no espaço e em bem menos de um dia
a Vostok 1 deixou as nações boquiabertas!

A Torre de Babel gerou isonomia
e também validou Vaga Democracia.
Gagarin foi O Herói das almas vis e espertas.

E fora do ovo azul, chorando de alegria
Yuri sente o sabor d'alma em epifania;
não enxergando deus viu galáxias abertas!

Gustavo V.S Ferreira
04/03/2019

Beijo Abiótico

No beijo abiótico d’alma morta
lúgubres sentimentos tomam forma;
e contrariando a retrátil norma
cerram o peito e abrem uma porta.

A porta aberta traz o que conforta:
mal necessário multiplataforma;
promove ilusões na interna reforma
deixando apenas o que nos importa.

A Alma clara geme mas se transforma
na dor da perda infame se auto-exorta
mas perde essência na invisível morma.

O beijo esmarrido gran’ mal transporta
e morosamente o mundo deforma
enquanto a vida maviosa aborta.

Gustavo V.S Ferreira
20/02/2019

Cobra Morta

O susto é grande mas passa;
a dor se vai, depois volta;
o mundo causa revolta
nos herdeiros da desgraça.

Literatura é a praça
que causa reviravolta
trazendo uma leve escolta
para quem luta na raça.

Preconceito é cobra morta
que mesmo c’a boca torta
tem um veneno que grassa.

Mas o poeta abre a porta
na luta que desconforta
a elite vil e devassa.

Gustavo V.S Ferreira
30/01/2019

Sou

Sou o solitário farol
que ilumina as noites secas sem luar...
Sou a coragem que se foi
e tem medo de voltar.

Sou a alegria que chega
e não tem hora para acabar...
Sou a saudade que vem
e te faz chorar...

Eu sou o olhar da criança
que esbanja esperança
ao ver o céu azulado...

Sou a grande festança
que enfeita a distância
de um mundo apagado.

Sou a triste lembrança
das inconstâncias
de um poeta calado.

Gustavo V.S Ferreira
08/02/2019

O Final

Chegamos ao final dum belo desafio
iniciado aqui neste poema ovante
leve igual bem-te-vi, grande como elefante!
Poema de aprendiz que mantém algum brio.

Pedaços pessoais do meu ultravazio
queimando em verso, prosa e soneto ofegante
mas em ternos plurais, poetar meliante
de substantivos vis com teor bem sombrio!

Chegamos ao final do começo gritante
dos termos irreais que eu mesmo balbucio
em textos radicais do vate delirante.

Desde o início ao fim falei num tom bem frio
nem cheguei a viver morri aqui diante
de ti, caro leitor (mantenha-se sadio)!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Carismático Anjo

O carismático anjo ofertou novidade!
A nova salvação do deus ambivalente;
trouxe uma liberdade afeita da corrente;
foco extremo de luz, de amor e ambiguidade.

Esse aprazível anjo em grande assiduidade,
terno dominador hipossuficiente;
grande conquistador de cérebro dormente
difunde a ilusão da auto-incolumidade.

É exímio invasor da vulnerável mente,
influenciador da subjetividade,
subliminal algoz, amargo intransigente.

Tal anjinho de luz simula alteridade
e invade o puro ser como falso adstringente
recriando zumbis vis sem identidade.

Gustavo V.S Ferreira
24/02/2019

Graves Tinidos

Os sons da morte têm vida e graves tinidos;
metálicos faróis de pólvora ecoando
na cabeça sangrenta; há almas ressoando
no espaço assustador de astros desconhecidos.

Os ecos musicais dos sons indefinidos
sinéreses de dor e prazer percolando
os olhos num fitar fatal, perambulando
o corpo e o corte em tons de azuis envilecidos.

O caso é casual mas vem nos destroçando,
e cala, castra e queima os sonhos coligidos
sem ao menos nos dar qualquer tempo sobrando...

Os sons da morte são espasmos suprimidos
das notas imortais do eu finito acordando
enquanto a carne é morta ao léu dos esquecidos.

Gustavo V.S Ferreira
02/03/2019

Infinito do EU

Eu sou um astronauta de granito
desprendendo do espaço sideral;
Protejam-se na aurora boreal
fujam do bipolar e grave atrito.

Os profetas haviam me descrito
em páginas obscuras do anormal
livro sumeriano milenal
como Mediador do gran Conflito.

Sou O Astronauta-arcanjo supernal,
filho da ordeira morte original,
herdeiro marginal do último grito.

Farei tu’alma tremer ante o real
juízo consciente do impessoal.
Morte externa p’ra dentro do infinito.

Gustavo V.S Ferreira
23/02/2019