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Joaninha

Alguns humanos são como erva daninha
afirmam saber quase toda a ciência
porém para obtê-la, não têm paciência
e sobrevivem numa vida mesquinha.

Na mesquinhez proclamam em ladainha
que conhecem da natura humana, a essência
e experientes na arma da prepotência
sequer andam, voam como uma fadinha...

Somente alimentam a concupiscência
de crer que quase tudo é um probleminha
que logo se desfará em leniência...

E presos dentro desta ignóbil caixinha
não conseguem explicar com competência
o segredo das asas da joaninha.

Gustavo V.S Ferreira
28/06/2018


Narração:

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Mais lidas da semana

Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
à luz fúnebre, sob a lua inesperada;
pétalas que despedaçam à alma brilhante
na música silente, silente pancada.

Jaz no baque sutil o medo castigante
de quem voou eternamente para o nada
restou a dor e o desespero lancinante
de quem achou o anjo sem luz na madrugada.

Ismália na torre e seu sonho angustiante
vê Ofélia lá no rio sendo afogada
mas ninguém vê pois a lua está ofuscante...

Ismália pula, Ofélia jaz desacordada
sem conseguir nadar vê-se insignificante
perante a lua e o mar se perde imaculada.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Nanquim Vermelho

Em mil novecentos e trinta e sete
o sangue humano transformou-se em tinta
a humanidade que a todos compete
foi ignorada e loucamente extinta.

Uns nipônicos mudaram a forma
de pintar a cidade de vermelho;
num jogo sádico de uma só norma:
matar, estuprar e pôr de joelho...

A morte certa, tal qual em Canudos
pediu cabeças como recompensa;
na regra doentia dos "três tudos"
permitir um viver era uma ofensa...

Sem Conselheiro, o massacre em Nanquim
foi dos massacres em massa, o estopim.

Gustavo V.S Ferreira
03/11/2018

Narração:


Calor Intenso

O calor infernal que almas derrete
queima a pele, os olhos, a breve vida;
Mata os humanos sem que nada o afete
acinzenta a natura colorida.

Usa a dor, faz-nos de marionete
de sapiência fria e desprovida;
que amarga a morte que lhe compromete
na ânsia a salutar por subvida.

O intenso e fatal que nos acomete
acelerando a delgada descida
é o calor travestido de confete.

Pelados, nus, d’alma desprecavida
percebemos que o sonho exige frete
que custa caro, custa a nossa vida.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Sufixo

A vida quando é muito radical
exige mais vida como prefixo;
pode exigir morte como sufixo
ao romper o cordão umbilical.

Respirar pode ser ato prolixo
e por vezes, também será letal;
viver numa ladeira vertical
é transpirar em tempo semi-fixo.

O sonho pode até ser tropical
feliz, belo, perfeito ou surreal
mas nunca será mais que um crucifixo...

Viver é um pesadelo pessoal
à base da injustiça social
e que neste soneto hostil, transfixo.

Gustavo V.S Ferreira
21/08/2018

Velha Casa

Acordei na madrugada
escuridão me cercava
não sabia onde estava...
Sorrateiro, desci a escada...

A parede está manchada...
O vento sequer soprava,
a escuridão passeava
sobre os pedaços de nada.

O vazio sussurrava
enquanto eu me aconchegava
neste frio que desfasa...

A manhã quase chegava,
eu, inda insano lembrava
que ali já foi minha casa.

Gustavo V.S Ferreira
18/05/2018

Segunda Morte

Disseste-me tu que muito me amavas
e que sem mim não sobreviveria...
Dissestes que em mim, amor encontravas
e que este puro amor não morreria.

Mas subitamente me apunhalastes
(rompestes meu coração co' um só corte),
e inda dissestes que nunca me amastes...
E assim compulsivamente assinastes
o meu enterro e a minha segunda morte.

Gustavo V.S Ferreira
13/05/2018

Poema Diário

Far-lhe-ei um poema por dia:  meu dilema.
Ficarás no meu tema, mesmo se não quiseres.
Ainda que não esperes, estarás em meu lema,
musa de Ipanema (da garota diferes)!

Ainda que dilaceres este poeta nato,
encontrarei no mato motivos para compor.
E se eu encontrar dor jamais serei ingrato,
estando putrefato ou não, serás meu amor.

Então farei, sem temor, um poema por dia;
mesmo sem alegria,  encontrarei-te em mim
e plantarei um jardim de poemas nas manhãs.

As lembranças artesãs em minha utopia
darão autonomia até que chegue o fim:
poemas de ínterim  para estrelas anãs.

Gustavo V.S Ferreira
29/04/2018

Fogão de Fogo

A sua luz de lua encrua a nua mente
que sua crua à cruz de sangue e de doçura.
E essa luz é fugaz e tenaz, é brancura
de guerra, luta e paz que abafa imoralmente

o conceito que traz deliberadamente
as sequelas reais do padrão e da alvura;
O alvo conquistador que conquista à tortura
quis ser fogo opressor do teu fogo evidente...

O tal bravo foi breve e houve greve, houve cura
tua luz se acendeu adamantinamente
atraindo fogões que bradavam à altura

Fogão de fogo e luz não coze a tua mente
tão crua e nua com pus, sem voz nem tessitura
e hoje é oito de Março e tua mente, mente.

Gustavo V.S Ferreira
08/03/2019

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018



Narração

Morfema

A morte é a única solução
capaz de resolver qualquer problema;
É real, não apenas teorema,
é nossa verdadeira salvação.

Pela morte alimento uma paixão
que me enfeita feito algum diadema
fúnebre; Prego que a morte é morfema,
é luz, é fogo, é cicatrização!

É o final deste nosso subsistema
que é a vida, nossa religião,
que falha em ser mundo do treponema.

Espero a morte, minha redenção
nas linhas solitárias do poema
que faz da morte homogeneização!

Gustavo V.S Ferreira
17/07/2018