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Alma

Minh'alma penando nas madrugadas
pagando pecados, esperando a hora
que este mundo a deixará ir embora
loucamente por escuras estradas.

E arrastando-se em eternas calçadas
ela grita, resmunga, canta e chora;
sua tristeza, aos poucos a devora
co' antigas lembranças deturpadas...

Sua bondade, devagar, deflora
em novas memórias tão desgraçadas
que colidiram nos tempos, outrora...

E perdida entre outras almas penadas,
no vazio que em nada colabora
morre nas sombras anastomosadas.

Gustavo V.S Ferreira
17/06/2018

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Mais lidas da semana

Poema Transverso

Há milhares de sóis no universo do verso,
há galáxias de luz luzindo belas rimas,
há grandezas além do que tu vês e estimas:
cada letra é um sol no verso do universo.

Os satélites são os acentos no inverso;
são luas naturais das belas obras-primas
que o poeta transcreve açorado de enzimas
nos lívidos papéis do pensamento imerso.

Há vida inconsciente em poemas que estimas
e aventuras cabais no texto mais adverso
mesmo nos abismais há variados climas!

Vida subliminar no poema transverso:
sujeitos, orações, verbos que subestimas
quando não lês ou vês o profundo do verso!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Fogão de Fogo

A sua luz de lua encrua a nua mente
que sua crua à cruz de sangue e de doçura.
E essa luz é fugaz e tenaz, é brancura
de guerra, luta e paz que abafa imoralmente

o conceito que traz deliberadamente
as sequelas reais do padrão e da alvura;
O alvo conquistador que conquista à tortura
quis ser fogo opressor do teu fogo evidente...

O tal bravo foi breve e houve greve, houve cura
tua luz se acendeu adamantinamente
atraindo fogões que bradavam à altura

Fogão de fogo e luz não coze a tua mente
tão crua e nua com pus, sem voz nem tessitura
e hoje é oito de Março e tua mente, mente.

Gustavo V.S Ferreira
08/03/2019

Para Fora

Entrar fora do mundo ousando descobertas
exigiu ambição e gran' tecnologia;
Vermelhos Sociais dalém da guerra-fria
criaram nova base e geraram alertas...

Ousaram ir além das certezas incertas
das trêmulas ações de assaz topologia;
orbitaram no espaço e em bem menos de um dia
a Vostok 1 deixou as nações boquiabertas!

A Torre de Babel gerou isonomia
e também validou Vaga Democracia.
Gagarin foi O Herói das almas vis e espertas.

E fora do ovo azul, chorando de alegria
Yuri sente o sabor d'alma em epifania;
não enxergando deus viu galáxias abertas!

Gustavo V.S Ferreira
04/03/2019

Cobra Morta

O susto é grande mas passa;
a dor se vai, depois volta;
o mundo causa revolta
nos herdeiros da desgraça.

Literatura é a praça
que causa reviravolta
trazendo uma leve escolta
para quem luta na raça.

Preconceito é cobra morta
que mesmo c’a boca torta
tem um veneno que grassa.

Mas o poeta abre a porta
na luta que desconforta
a elite vil e devassa.

Gustavo V.S Ferreira
30/01/2019

Geração Psicopata

Lendo sobre psicopatas
acabo percebendo que muitos traços
não apenas me definem como um,
mas também me alivia.

Alivio-me por saber que todos
temos um lado sombrio, psicopata;
todos somos semi-psicopatas,
sociopatas da nova era,
os novos tipos de humanos...

Somos a geração mais fria de todas,
mais banal e sem objetivos a longo prazo.

Não temos mais relações sexuais
apenas nos masturbamos com os corpos
dos outros e fingimos que é sexo.

Não temos mais relações familiares.
Tudo o que temos são obrigações sociais
engatilhadas em nossos cérebros nativamente.

Empatia?
O que é isso?
Amor?
Como defini-lo?

Estamos tão perdidos em nossas
distorções pessoais
que nem sabemos mais diferenciar corretamente
amor, paixão, compulsão e obsessão.

Somos masoquistas sentimentais;
terroristas em corações alheios;
máquinas na arte de matar
fisicamente e/ou psicologicamente.

Somos a geração mais narcisista;
vivemos compartilhando nossas vidas,
fotos e fatos,
intimidades e comidas em redes sociais
queremos es…

O Final

Chegamos ao final dum belo desafio
iniciado aqui neste poema ovante
leve igual bem-te-vi, grande como elefante!
Poema de aprendiz que mantém algum brio.

Pedaços pessoais do meu ultravazio
queimando em verso, prosa e soneto ofegante
mas em ternos plurais, poetar meliante
de substantivos vis com teor bem sombrio!

Chegamos ao final do começo gritante
dos termos irreais que eu mesmo balbucio
em textos radicais do vate delirante.

Desde o início ao fim falei num tom bem frio
nem cheguei a viver morri aqui diante
de ti, caro leitor (mantenha-se sadio)!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Órbitas Possessivas

Órbitas morais em fatais caveiras,
errantes e lastimáveis viventes,
caricatas figuras vis, doentes
cruzando a morte e a vida nas fronteiras.

Órbitas fatais, desiguais maneiras
espalham-se por entre as várias mentes;
são almas malévolas, mas cogentes
que nos conduzem às más ribanceiras.

Almas desalmadas e penitentes
perdidas em órbitas decadentes
procurando pessoas altaneiras.

Se encontram humanos convalescentes
as almas sombrias e dirimentes
se apossam em visitas rotineiras.

Gustavo V.S Ferreira
20/02/2019

Infinito do EU

Eu sou um astronauta de granito
desprendendo do espaço sideral;
Protejam-se na aurora boreal
fujam do bipolar e grave atrito.

Os profetas haviam me descrito
em páginas obscuras do anormal
livro sumeriano milenal
como Mediador do gran Conflito.

Sou O Astronauta-arcanjo supernal,
filho da ordeira morte original,
herdeiro marginal do último grito.

Farei tu’alma tremer ante o real
juízo consciente do impessoal.
Morte externa p’ra dentro do infinito.

Gustavo V.S Ferreira
23/02/2019

Herança Casual

O ocaso é causador de tão belo cuidado
na vida vaga e vil do pensador errante
que cuida muito bem do bem mais instigante
da força divinal, do sideral legado.

Não é especial, o espacial tablado
herança casual bio-peregrinante
que força a forca à força astral aglomerante
no animal racional que quer ser celebrado.

P'ro memorável ser há busca extravagante
se acaso quiser ser um imortalizado
deixará de viver de forma aconchegante.

Mas para enaltecer um eu dissimulado
vive só por viver, fala por ser falante
morre só por morrer e jamais é lembrado.

Gustavo V.S Ferreira
03/03/2019

Fuga da Caverna

Estava acorrentado na caverna
vendo meu conhecimento em solombras
que recobriam meu chão como alfombras
forçando-me a usar uma lanterna.

A tenra sombra do meu eu me assombra
causando uma ânsia cardíaca interna;
Meu coração néscio se desgoverna
à póstera liberdade me ensombra.

Amedrontado, acendo mi’a luzerna
nado para fora dessa cisterna
enquanto outro, de mim, somente zomba.

Adeus correntes! Fiquem na caserna
enquanto acho a vida real e eterna
voando em liberdade como uma pomba.

Gustavo V.S Ferreira
14/02/2019