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Mostrando postagens de Junho, 2018

Sinergia

Ouço a (atraente) voz dela gravada
e o meu coração, bem mas forte pulsa
sua doçura, meus nervos, impulsa
deixando minha pele arrepiada.

Sinto algo em sua voz aveludada
que outras estranhas sensações compulsa,
sinergia sensual que propulsa
a tocar sua pele extasiada...

A minha timidez logo é expulsa
e meu corpo numa dança safada
atrai, retrai, contrai, sua... e convulsa.

Mas de longe, falho nesta empreitada;
meu desejo dissolve-se e repulsa
a saudade dela na madrugada...

Gustavo V.S Ferreira
30/06/2018

Punhal

A voz dela amor exala;
seu perfume é um segredo
da bondade é arremedo
é sofrer em grande escala.

Ela, brandamente fala
e seu linguajar é ledo
que me condena ao degredo
e põe-me numa senzala.

Por seu caro amor, excedo
a razão como uma bala
inda me perco, de medo...

E como haverei de amá-la
se eu aprendi desde cedo
não amar quem me apunhala?

Gustavo V.S Ferreira
29/06/2018

Joaninha

Alguns humanos são como erva daninha
afirmam saber quase toda a ciência
porém para obtê-la, não têm paciência
e sobrevivem numa vida mesquinha.

Na mesquinhez proclamam em ladainha
que conhecem da natura humana, a essência
e experientes na arma da prepotência
sequer andam, voam como uma fadinha...

Somente alimentam a concupiscência
de crer que quase tudo é um probleminha
que logo se desfará em leniência...

E presos dentro desta ignóbil caixinha
não conseguem explicar com competência
o segredo das asas da joaninha.

Gustavo V.S Ferreira
28/06/2018

Sorte

Sorte é importante no status quo
desta sociedade; é adereço
que serve também como um endereço
que leva o mundo a um estado oblíquo.

E lá não há ajuda nem de propínquo
e é improvável obter recomeço
antes de pagar todo e qualquer preço
de abusar deste recurso longínquo.

É certo saber antes do tropeço
que a sorte é o caminho mais avesso
cujo destino é um lugar iníquo.

Pela sorte não tenho algum  apreço,
faço só, o meu fim e o meu começo
e este modo de viver é relíquo.

Gustavo V.S Ferreira
27/06/2018

Extraterrestre

O teu amor por mim é extraterrestre
e excede o que posso compreender...
Tu tentas, aos poucos me reviver
mas sou vazio e da frieza, um mestre.

Desejas-me há muito mais d'um semestre
e mediante a teu tanto sofrer
sequer aparentas desfalecer...
És mui jovem porém forte; és rupestre.

Esse modo estranho de me querer
diferente e difícil de entender
corre em meu coração feito um pedestre.

E eu, mui louco, mas tentando aprender
como é que faço para reacender
minh'alma morta, gélida e terrestre.

Gustavo V.S Ferreira
26/06/2018

Teu Corpo

Teu corpo belo no chão tão quieto
fez os meus olhos suarem, de dor
ante o acidente estarrecedor
que desfez minha vida e o meu afeto...

Choro só mas o choro é mui discreto...
No silêncio, choro é avassalador,
conforta, acalma; é aliciador...
O choro é, das emoções, o dejeto...

Vendo o teu corpo frio em esplendor
esvaindo no mais cruel projeto
que nem sequer possui um criador...

Desejo vê-lo puro e ressurreto
no voo final denunciador
a reclamar, em morte, do arquiteto.

Gustavo V.S Ferreira
26/06/2018

Amálgama

A eterna saudade que hei de sentir
haverá de me matar lentamente
e pranteando copiosamente
tento, no inferno, não imiscuir.

Parece impossível desconstruir
as lembranças tuas na minha mente
que aparecem e exponencialmente
tentam rapidamente me excutir...

Morrestes, mas voltas frequentemente
a visitar meus sonhos; e a sorrir
matas-me com teu amor comovente.

Eu já não consigo mais te impedir
pois nosso fim é, paradoxalmente
a nossa única forma de existir.

Gustavo V.S Ferreira
25/06/2018

Eterno Descanso

Eis que o fim está próximo, digo,
logo, toda a dor há de findar
e de toda a paz poderei gozar
sem ter o tempo como inimigo.

Espero solitário e consigo
por muito mais, ainda esperar
aguardo a paz contextualizar
o descanso que terei como amigo.

Não preciso sequer agonizar
pois não existe sombra de perigo
que seja capaz de me atrapalhar...

Terei o descanso como castigo,
vida e morte num harmonizar
bem dentro do meu eterno jazigo.

Gustavo V.S Ferreira
23/06/2018

Suicídio

Estamos presos neste precipício
ainda não sabemos como sair
e semimortos, quase a sucumbir
desejamos retornar ao início.

Porém o tempo não está propício
e não há uma forma de interagir;
é até mais difícil distinguir
se estamos ou não num enorme hospício.

A incerteza parece persuadir
ofertando-nos algum benefício
entusiasmada em nos confundir...

Co' as vidas presas neste desperdício
o suicídio parece um souvenir
humano e também, da paz, um resquício.

Gustavo V.S Ferreira
22/06/2018

Frieza

Esta vida é inútil e sem suporte
lotada de pessoas muito frias
que causam tempestades, ventanias
somente para encontrar algum norte.

Pessoas que dependem duma sorte
p'ra quase tudo, inclusive em porfias
mesmo causando enormes avarias...
'té parece que fazem por esporte.

Inda arranjam algumas companhias
e entre si, compactuam empatias
e não exigem que alguém os conforte.

São pessoas quase inúteis, vazias
em suas grandes bolhas de utopias
vivenciando uma segunda morte.

Gustavo V.S Ferreira
21/06/2018

Última Queda

O amor à vida apenas nos azeda
torna-nos amargos e ignorantes
ácidos, egoístas e arrogantes
alimentando aquilo que nos veda.

Tal amor, nossa cegueira leveda
em visões singelas e contrastantes
que se destacam em interessantes
situações que o egoísmo enreda.

O amor à vida traz exorbitantes
preços obscuros e decepcionantes
e exige nossa alma como moeda.

Vivemos a vida como imigrantes
deste amor que nos torna coadjuvantes
'té acordarmos na última queda.

Gustavo V.S Ferreira
20/06/2018

Duplamente

O mundo que nos força duplamente
a viver numa memória vazia
e a matar uma pobre alma por dia
inda conviver co' isso normalmente.

O mundo nos força constantemente
a aceitar toda nossa covardia
dentro nós, desta nossa moradia
que criamos dentro de nossa mente.

E assim, submissos, damos estadia
ao mal que doma paulatinamente
tudo que há numa vida sadia...

E morremos assim, tão calmamente
conformados, lendo uma poesia
gastando o último fôlego emergente.

Gustavo V.S Ferreira
19/06/2018

Alma

Minh'alma penando nas madrugadas
pagando pecados, esperando a hora
que este mundo a deixará ir embora
loucamente por escuras estradas.

E arrastando-se em eternas calçadas
ela grita, resmunga, canta e chora;
sua tristeza, aos poucos a devora
co' antigas lembranças deturpadas...

Sua bondade, devagar, deflora
em novas memórias tão desgraçadas
que colidiram nos tempos, outrora...

E perdida entre outras almas penadas,
no vazio que em nada colabora
morre nas sombras anastomosadas.

Gustavo V.S Ferreira
17/06/2018

Ela

Lá vem a minha querida donzela,
vem dançando entre os vendavais, tão pobre
e faz com que o tempo congele e dobre
nas ruas assombrosas da favela.

Anda, parando o vento com cautela
distraindo a todos com seu ar nobre
cegando-os do mal que seu mel encobre
da maneira mais mortal e singela.

O vento pérfido e candor descobre
que uma pureza divinal daquela
é algo raro e dalgum bem exprobre...

E descobriu que ela é uma sentinela
e o seu coração é um estranho alfobre
do mal e da morte que habita nela.

Gustavo V.S Ferreira
16/06/2018



Segunda Morte

Muitos acreditam que tudo é pura sorte;
vivem sem dar o devido valor à vida
arriscam-se numa procura ensandecida...
Morrem vazios em suas "segunda morte".

Gustavo V.S Ferreira
15/06/2018

Último Eclipse

Nunca falo do mal em paralipse
porém o mal, que há mim, é famulento
domina-me num recrudescimento
e mata-me, aos poucos, numa tlipse.

Estou tão mal que a morte faz ectlipse
e isto é meu brinde, meu emolumento
e tão morto quanto o suave vento
orbito a Terra, no espaço, em elipse.

Meu futuro é infame e lazarento
meu presente é amadurecimento
em contraste calmo deste eclipse...

E num empírico intumescimento
a minh'alma evolui em cem por cento
e meu lado bom causa o apocalipse.

Gustavo V.S Ferreira
14/06/2018

Sol é Vida

Ao amanhecer, ouço o som do sol
encantando à beleza desta vida
em sua luz forte e desinibida
e musicando o mundo em si bemol.

Minh'alma entona-se num arrebol
e dança livre, toda agradecida
e de raios solares envolvida
levita de leve e torna-se escol...

E na manhã musical divertida
desfaleceu todo o meu cortisol
numa eficaz evasão biocida...

De manhã, o céu cobriu-se co' o lençol
de luz. Então minh'alma enternecida
partiu suave como um rouxinol!

Gustavo V.S Ferreira
13/06/2018

O Perfume

Escapei feliz daquele tapume
transpondo minha vida em sacrifício;
suportando todo esse malefício
do morrer, que esta vida se resume...

Fugi de mim mesmo, meu eu assume
achando que seria um benefício
mas somente alimentei o meu vício
de ser tão livre como vagalume.

Sou viciado no belo solstício;
pairo livre no ar puro, ainda implume
aproveitando-se desse reinício...

Eu fujo de mim, mas não se acostume
que o meu fugir é apenas fictício
p'ra espalhar neste mundo, o meu perfume!

Gustavo V.S Ferreira
12/06/2018

Violino Novo

Ganho vida ao tocar meu violino
e d'um sonho transcendental acordo
viajando em suas notas, transbordo
num mar calmo, pacífico e divino.

Um beija-flor me beija matutino
e eu, bem delicadamente, o abordo;
prendo-me em suas asas; vou à bordo
do acaso certo como peregrino.

Este céu azul me atrai e eu concordo
decolo sem medo num desatino
pois sou do céu! Sou livre como um tordo!

E voando em busca do meu destino
do meu novo violino, recordo
então volto ao meu mundo clandestino.

Gustavo V.S Ferreira
11/06/2018

Pálido Anjo Azul

Vim num raio de sol e gelo, bem distante...
Ofuscamento - luz mui forte - fui à lua
e lá, meu coração morto, em gelo atenua
o tempo cru, que nunca foi bom o bastante.

Ganhei asas; voei pra Terra delirante
e fiquei bem aqui, 'sperando que evolua
a humanidade vil que esvai numa falua
onde a morte parece ser condicionante...

Quero apenas que minha frieza de lua
não emudeça o grito forte e retumbante
que esta pátria - Brasil - proclama até na rua.

Sou pálido anjo azul de gelo esfuziante;
Eu sou a evolução, na noute, que flutua,
carrego a redenção como emulsificante!

Gustavo V.S Ferreira
10/06/2018

Merecimento

E despertando por merecimento
recebi minh'alma em divina glória
depois percorri esta trajetória
e encontrei lúgubre conhecimento.

Clamo! Preciso de discernimento!
Quero novamente minha memória,
ouso lembrar de toda minha história,
fugir de qualquer arrependimento...

Espero uma vida satisfatória
tranquila, livre e sem ressentimento...
Almejo uma liberdade notória!

E serei, pessoalmente o momento
que a morte verá numa escapatória
enquanto foge de mim, como um vento!

Gustavo V.S Ferreira
09/06/2018

O Lembrete

Inda sinto dores em meu joelho
é uma lembrança que me atormenta
e que me incomoda e me experimenta;
será que a dor tenta dar-me um conselho?

Em sonhos estou num cordão vermelho
transbordo em plena luz que me arrebenta
e em eterna paz, a luz me acalenta
em raios de amor, ao céu me assemelho...

A vida agora é minha ferramenta;
tenho o perdão como meu aparelho
e a mais bela razão me representa.

Quem presumiria que um destrambelho
daria-me esta linda vestimenta
de salvação que reluz feito espelho?

Gustavo V.S Ferreira
08/06/2018

Distante

Agora recebi uma nova chance
Então farei tudo valer a pena
Minha alegria co' a alma contracena
e juntas formam minha performance...

Farei, do ato de viver, um romance
fugirei de tudo que me condena,
colocarei meu mal em quarentena
e jamais o permitirei que avance.

Serei uma nova criatura e plena
irradiando até perder o alcance
eliminando o escuro que me drena.

E distante, o tempo será nuance
que fará com que minh'alma serena
em teus eternos abraços, descanse.

Gustavo V.S Ferreira
07/06/2018

Olhos Verdes

No grande espelho do tempo acordei
e calmamente meus olhos abri
refletindo pura vida, sorri
e uma nova jornada comecei.

No verde da natureza notei
o quanto fazemos o mal aqui
Mas uma nova chance consegui
isto era tudo que sempre almejei!

Um soneto à nova vida escrevi
e um motivo p'ra viver, arranjei
e assim viajei cantando por aí...

Com os meus olhos verdes enxerguei
que a beleza da vida é colibri;
renovada, fiz disto minha lei!

Gustavo V.S Ferreira
06/06/2018

Ressurreição

E se nossas almas pudessem retornar?
Já imaginou se pudesses conhecer
os níveis de viver, morrer e reviver
e ainda conseguir, de todos, relembrar?

Gustavo V.S Ferreira
05/06/2018

Etéreo

Num passamento súbito, mal éreo
meu sopro consagrado, ressoando
atirou-se nos ares, tremulando
despedaçou-se em luz, no céu funéreo...

Depois o sofrimento, ala sidéreo
nos campos infernais procrastinando
a transfiguração; deambulando
enquanto reconstrói um sopro estéreo.

Último voo neste céu cinzento
em áspero planar num cambaluz
revendo velhos sonhos - terno alento...

Meu sopro consagrado miserando
ressurge novamente em plena luz
e devolve minh'alma, proclamando!

Gustavo V.S Ferreira
04/06/2018

Minuto Longo

Tempo nada tem além da ilusão
que tudo detêm pois é a razão
que rouba veloz pedaços de vida;
o tempo é algoz, é fera ferida...

É morte a matar, é uma diástole
de vida a findar na última sístole...
É brisa do mar na eterna partida;
leão a bradar - paixão elidida...

E nada farei num longo minuto
calado chorei num pranto fajuto
O tempo é o rei de todos os lutos.

Meu sonho já foi em casos volutos
deixados depois num raso estatuto.
Morremos nós dois - tempo tem tributo.

Gustavo V.S Ferreira
03/06/2018

Queimação

A morte indolor pegou-me de jeito
O sonho acabou de ser imperfeito
Lágrima que dói e deixa ferida
rápida, corrói a gota da vida...

Sem sono pretendo ofuscar a luz
que não compreendo, assaz me seduz
trava, queima e turva essa morte senra
retorce e recurva a minh'alma tenra...

A morte fugaz, no obscuro conduz
essa amarga paz que imperfeita induz
o cruel cordão que força essa lida

numa queimação forte e imerecida.
Morte desejada, amante do fim
Vida mal passada encontra estufim.

Gustavo V.S Ferreira
02/06/2018


-> Cada verso deste soneto é composto por duas redondilhas menores que funcionam como hemistíquios do verso decassílabo.

31 de Agosto

E no oitavo dia do mês de agosto
encontrei-a chorando, triste e perdida,
desmotivada e também constrangida,
e com lágrimas banhando o seu rosto...

E no trigésimo dia disposto
resolvi curar a sua ferida
prestando-lhe certa atenção devida
amenizando assim o seu desgosto...

Ela, com a alma já descolorida
de mentiras e de amores, despida
pediu-me um fim para o seu mal exposto...

E assim, na hora marcada e preferida
desfiz aquele restinho de vida
no trigésimo primeiro de agosto.

Gustavo V.S Ferreira
01/06/2018