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Sepulcral

Nosso amor infernal é doce-amargo puro
É um pouco anormal, mas não é doutro mundo
Um pouco sepulcral porém muito maduro
Eu, do bem, tu do mal - amor de vagabundo.

O diferencial é não ser prematuro;
incondicional, é fúnebre e profundo!
Um amor tão bossal, capaz, mas inseguro;
Quase-sonho real: a verdade que abundo.

Mente passional e um cérebro imaturo
Viver atemporal neste cruel submundo
No julgo desigual, a verdade tem muro

separa este casal num instante infecundo
e sem qualquer moral, destrói todo o futuro;
resta só - sepulcral - nosso amor sujismundo.

Gustavo V.S Ferreira
31/05/2018

Comentários

Mais lidas da semana

Inferno

Será que os mortos nunca ressuscitarão?
Será que serão condenados ao inferno
e queimarão num fogo terrível e eterno
enquanto achamos que tudo é uma ilusão?

Gustavo V.S Ferreira
26/05/2018

Sufixo

A vida quando é muito radical
exige mais vida como prefixo;
pode exigir morte como sufixo
ao romper o cordão umbilical.

Respirar pode ser ato prolixo
e por vezes, também será letal;
viver numa ladeira vertical
é transpirar em tempo semi-fixo.

O sonho pode até ser tropical
feliz, belo, perfeito ou surreal
mas nunca será mais que um crucifixo...

Viver é um pesadelo pessoal
à base da injustiça social
e que neste soneto hostil, transfixo.

Gustavo V.S Ferreira
21/08/2018

Chuva de Sangue

Chuva de sangue em dia purulento:
quanto vale uma vida quase humana?
A bala é forte e corta até o vento...
redefinição do fim de semana?

Uma neblina deixa o olhar cinzento,
a alma morta na pólvora que emana
do tubo de metal, bélico invento
esvai-se sem amor e sem nirvana.

Quem determinou o valor da vida?
Quem é capaz de ter algum valor
diante da insanidade envolvida?

Alguém vai deter a chuva de sangue
quando as vidraças mudarem de cor
e o líquido vital tornar-se um mangue?

Gustavo V.S Ferreira
18/11/2018



Narração

Morfema

A morte é a única solução
capaz de resolver qualquer problema;
É real, não apenas teorema,
é nossa verdadeira salvação.

Pela morte alimento uma paixão
que me enfeita feito algum diadema
fúnebre; Prego que a morte é morfema,
é luz, é fogo, é cicatrização!

É o final deste nosso subsistema
que é a vida, nossa religião,
que falha em ser mundo do treponema.

Espero a morte, minha redenção
nas linhas solitárias do poema
que faz da morte homogeneização!

Gustavo V.S Ferreira
17/07/2018

Suicídio

Estamos presos neste precipício
ainda não sabemos como sair
e semimortos, quase a sucumbir
desejamos retornar ao início.

Porém o tempo não está propício
e não há uma forma de interagir;
é até mais difícil distinguir
se estamos ou não num enorme hospício.

A incerteza parece persuadir
ofertando-nos algum benefício
entusiasmada em nos confundir...

Co' as vidas presas neste desperdício
o suicídio parece um souvenir
humano e também, da paz, um resquício.

Gustavo V.S Ferreira
22/06/2018

Não Quero Ser Amado

Eu não quero ser amado, não quero que você diga que sou o amor da sua vida,
a pessoa com a qual você sonhou a vida inteira. Não desejo ser
nenhum objeto de satisfação total de alguém.

Não quero ser teu amor, nem recebê-lo.
Pois sei que juntamente com a frase "te amo",
vem outras coisas, exigências e condições as quais não quero que me prendam.

Não espero que fales palavras mágicas para mim,
nem que fiques o dia inteiro ditando coisas doces, que logo,
quando as exigências não forem cumpridas, sucumbirão e se tornarão em ódio.

Não quero que me peças pra ser o teu homem,
pra ser teu capacho, ser teu chão, tua luz, teu céu, teu mundo;
não quero que exijas nada de mim, assim como jamais exigirei nada de você.

É estranho para mim essa conversa sobre amores e felicidades,
pois sei que as pessoas não estão dispostas a sentir o amor tal como ele é,
ou pelo menos, como deveria ser.

As pessoas fazem questão de dizer, repetidamente que nos amam, mas exigem recompensas,
tal como um cão …

Emprestada

Tomastes minha pobre alma emprestada
e assim fugistes co' ela pelo mundo
vagastes por ai como um vagabundo
e esquecestes da promessa acordada.

Fiquei co' a vida desequilibrada
submersa no meu pior, no submundo
que é mui frio, vazio e nauseabundo;
sinto-me sem forças e violentada.

Tomastes a minh'alma num segundo
e deixastes-me só e abandonada
sem fôlego, sem vida mas prostrada...

Agora em tristes lágrimas afundo
sozinha ao aceitar ser humilhada;
fiquei sem honra, sem vida, sem nada.

Gustavo V.S Ferreira
01/08/2018

Aflição

No timbre insano da música aflita
meu coração torna-se permeável
e na tortura interna e deplorável
ele sofre calado, mas milita.

Tenta fugir das notas que limita
e soltar-se da corda miserável
que o faz sofrer do mal inenarrável
tão denso que até o impossibilita

de ser bem mais que um pulso inigualável
na sinfonia interior erudita
da música sacra indissociável...

E a música externa sem paz conflita
co' essa música interna inexorável
que faz noss'alma ser cosmopolita.

Gustavo V.S Ferreira
02/08/2018

Alma

Minh'alma penando nas madrugadas
pagando pecados, esperando a hora
que este mundo a deixará ir embora
loucamente por escuras estradas.

E arrastando-se em eternas calçadas
ela grita, resmunga, canta e chora;
sua tristeza, aos poucos a devora
co' antigas lembranças deturpadas...

Sua bondade, devagar, deflora
em novas memórias tão desgraçadas
que colidiram nos tempos, outrora...

E perdida entre outras almas penadas,
no vazio que em nada colabora
morre nas sombras anastomosadas.

Gustavo V.S Ferreira
17/06/2018

Pulso Solar

De sol em sol o amor andou tão solitário
e em voos abismais dissipou-se sofrido
em dor a reclamar do ódio comunitário
turvou a languidez do não-ser oprimido.

E esse ódio visceral no peito temerário
move o magma imortal no espaço comprimido;
pulsando à explosão do dia embrionário
expandindo a visão em fogo compelido.

De sol em sol o aval tornou-se hereditário;
cada raio solar em trevas envolvido
era vida a gerar um novo sedentário.

E aquele turvo amor, etéreo embevecido
em ondas orbitais - céu interplanetário -
foi pulso inicial do breu desconhecido.

Gustavo V.S Ferreira
12/08/2018