Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Sepulcral

Nosso amor infernal é doce-amargo puro
É um pouco anormal, mas não é doutro mundo
Um pouco sepulcral porém muito maduro
Eu, do bem, tu do mal - amor de vagabundo.

✑ Penumbra

Como preso fiquei neste anoitecer maro
Estranho ao que sei; meu belo dia penumbra
Absorvendo esta luz que a alegria ressumbra
o tenro medo induz - futuro - mal ignaro.

✑ Novo Lar


Esta vil sensação causa-me uma amargura
que me derrete atroz, matando-me de novo...
E no triste sofrer noutras lágrimas chovo
cansado de morrer nesta densa ternura...

✑ Arrependimento


"Se arrependimento matasse..." - dizem...
E não mata? Achas que morri por quê?
Creio que não preciso nem dizer...
Os detalhes e segredos condizem.

✑ Despertar


O inferno é aqui. Assim desperto
e quieto, abro os olhos e percebo
que ao acordar nesta terra, recebo
somente amargura;  assim desconcerto.

✑ Inferno


Será que os mortos nunca ressuscitarão?
Será que serão condenados ao inferno
e queimarão num fogo terrível e eterno
enquanto achamos que tudo é uma ilusão?

Gustavo V.S Ferreira
26/05/2018

✑ A Lua

Presa neste céu solitário, a lua
vai morrendo nas noites, devagar;
enquanto nós, dormimos, a sonhar,
os poetas, sua morte atenua...

✑ A Coruja

Está escuro e a coruja aparece
voando e emitindo seu som temido
horripilante canto num grunhido
de medo, até a alegria fenece.

✑ O Lobo

As madrugadas surgem assombrosas
e o lobo, do mal, por elas vagueia
uivando às sombras que à noite permeia
em densas trevas, nuvens tenebrosas...

✑ O Lobo, a Coruja e a Lua

Uma águia na noute, assusta a coruja,
e um uivo sombrio logo é ouvido
num som de asas no escuro interrompido,
um medo que mata e a morte é lambuja...

✑ Tempos Lilithianos

Estamos em tempos lilithianos.
Tempos sombrios, amargos e densos
onde os tormentos são bem mais intensos
e arrastam-se por entre os longos anos.

✑ De Costas no Escuro

Ei! Tu não sentes o peso do escuro
a acariciar o teu corpo trêmulo?
Não sentes o denso e pávido estímulo
à sua volta, construindo um muro?

✑ Flores Mortais

Agora não preciso mais ter medo
deste teu perfume intenso e mortal
sentirei-te perto de mim, sem mal
poderei desvendar o teu segredo.

✑ Quanto Vale?

Amor: quanto vale?
Amorizarás?
Sonho: Quanto vale?
Inda sonharás?

✑ Turvos Olhos

Olhos turvos teus,
flor que feneceu
mundo escureceu
(caros apogeus).

✑ Velha Casa

Acordei na madrugada
escuridão me cercava
não sabia onde estava...
Sorrateiro, desci a escada...

✑ Meu Corpo

Meu corpo querido
é meu para-raio
está protegido
nunca é lacaio.

✑ Paredes Vivas

No silêncio da noute, ouço sussurros
dumas vozes estranhas e inconstantes
que pronunciam palavras uivantes
e tentam atrair-me com seus zurros.

✑ Assombração

Se o fim for a morte, para onde irão as almas
dos caros e magos poetas desalmados?
Não ressuscitarão em caros assombrados
poemas para cada um dos doídos traumas?

Gustavo V.S Ferreira
16/05/2018

✑ Fusão

Nossas mentes obscuras e maliciosas
abismaram-se enquanto faziam o mal;
Iludidas distorceram o mapa astral
enquanto cantarolavam vitoriosas.

✑ O Suicídio do Eu

Assassinei o meu eu
para ser muito feliz.
Perdi minha diretriz
ao matar um lado meu.

✑ Segunda Morte

Disseste-me tu que muito me amavas
e que sem mim não sobreviveria...
Dissestes que em mim, amor encontravas
e que este puro amor não morreria.

✑ Vento Frio

O vento está soprando sua ventania
forte e sem alegria, acalentando o frio;
corroendo-se em mágoas e com covardia
traz esta rebeldia como poderio.

✑ Viagem Maldita

Vivo a namorar as lindas estrelas
imaginando o dia tão sombrio
que meu espírito, livre e fugidio
viajará pro espaço, p'ra contê-las.

✑ Último Voo

Maria acordou mui fraca e sem força
e fez extrema força p'ra acordar
e de dor sentiu o âmago amargar
amordaçada em sua vida insossa.

✑ Ambicídio Matinal

A voz dela, tão doce e leve em meus ouvidos
soava como música boa e macia
que circulava em minh'alma tensa e vazia
e despertava meus olhos enegrecidos.

✑ Alma Penada

A minh'alma pena madrugada à fora
e loucamente arrasta-se pelas calçadas
que limitam o mundo (o mundo é as estradas),
que não deixa a minh'alma cálida ir embora.

✑ O Assassinato dela

Ela está morta. Não fui eu. Quem a matou?
A adrenalina tomou conta de mim...
Puxei o gatilho, o revólver disparou...
Ela era ótima, nunca foi ruim.

✑ Morte

A morte simboliza só o fim de tudo?
Mas aqui a morte é apenas o começo.
Todo o mundo será revirado ao avesso
e cada verso fala, mesmo estando mudo.

Gustavo V.S Ferreira
06/05/2018

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