Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Maio, 2018

Sepulcral

Nosso amor infernal é doce-amargo puro
É um pouco anormal, mas não é doutro mundo
Um pouco sepulcral porém muito maduro
Eu, do bem, tu do mal - amor de vagabundo.

O diferencial é não ser prematuro;
incondicional, é fúnebre e profundo!
Um amor tão bossal, capaz, mas inseguro;
Quase-sonho real: a verdade que abundo.

Mente passional e um cérebro imaturo
Viver atemporal neste cruel submundo
No julgo desigual, a verdade tem muro

separa este casal num instante infecundo
e sem qualquer moral, destrói todo o futuro;
resta só - sepulcral - nosso amor sujismundo.

Gustavo V.S Ferreira
31/05/2018

Penumbra

Como preso fiquei neste anoitecer maro
Estranho ao que sei; meu belo dia penumbra
Absorvendo esta luz que a alegria ressumbra
o tenro medo induz - futuro - mal ignaro.

Necessário calor escurecendo o claro;
É doce, a gentil dor, nosso fôlego lumbra...
A vida é torpor que nos dias obumbra
chamada só de amor, pros loucos anteparo.

A morte é o condão que no humano vislumbra
E o nosso coração, tão fraco se deslumbra
e morto, vai ao chão, vê na cova um amparo.

E fiquei preso aqui, onde o canto reslumbra
E num vulpino fim, a alma, cansada, alumbra
e no último sorrir, paga o preço mais caro.

Gustavo V.S Ferreira
30/05/2018

Novo Lar

Esta vil sensação causa-me uma amargura
que me derrete atroz, matando-me de novo...
E no triste sofrer noutras lágrimas chovo
cansado de morrer nesta densa ternura...

Não há fogo a queimar mas este mundo é covo
e as torturas aqui são parte da cultura...
Sensação do que fui é abreviatura
mediante o que sou neste inferno retovo...

E sofro nesta dor, perco até a postura
neste mundo sem cor de cruel tessitura
em que há amargo mel, que amargamente provo...

Mas é meu novo lar, minha nova estrutura
Aqui, quero reinar; serei outra criatura...
Quando se apaga a luz, todo o teu mundo estrovo.

Gustavo V.S Ferreira
29/05/2018

Arrependimento

"Se arrependimento matasse..." - dizem...
E não mata? Achas que morri por quê?
Creio que não preciso nem dizer...
Os detalhes e segredos condizem.

Verdades agora se contradizem,
As dores voltaram a entorpecer,
o inferno, de mim, fez um dossiê...
Quero que minhas mortes amenizem...

Esperança, por onde andas? Cadê?
- Desespero - estou a desaprender
que os anjos da morte, a morte bendizem...

E mui doudo em meio a esse fuzuê
Sinto o demônio minha alma comer
e os seus olhos, meu tormento, predizem.

Gustavo V.S Ferreira
28/05/2018

Despertar

O inferno é aqui. Assim desperto
e quieto, abro os olhos e percebo
que ao acordar nesta terra, recebo
somente amargura;  assim desconcerto.

Na sociedade como um mancebo
observo tudo; vejo o mal coberto,
consigo sentir o terror de perto,
quanto mais da realidade bebo.

E desenhando meu destino incerto
projeto nele, todo o mal enxerto
enquanto graça ao demônio, concebo...

E de todo o sentimento, liberto
enfrento o inferno; com o obscuro flerto
e infiro que a bondade é placebo.

Gustavo V.S Ferreira
27/05/2018

Inferno

Será que os mortos nunca ressuscitarão?
Será que serão condenados ao inferno
e queimarão num fogo terrível e eterno
enquanto achamos que tudo é uma ilusão?

Gustavo V.S Ferreira
26/05/2018

A Lua

Presa neste céu solitário, a lua
vai morrendo nas noites, devagar;
enquanto nós, dormimos, a sonhar,
os poetas, sua morte atenua...

Talvez já seja o fantasma da lua
na escuridão longínqua a postergar
a morte que cedo ou tarde virá
(a morte que co' a vida compactua)...

E quando este dia ruim chegar
a lua, aos poucos, se apagará
na solidão terna que à noite estua...

Sem enfeites, o céu não brilhará,
o namorado não namorará
e o amor perder-se-á no meio da rua...

Gustavo V.S Ferreira
25/05/2018

A Coruja

Está escuro e a coruja aparece
voando e emitindo seu som temido
horripilante canto num grunhido
de medo, até a alegria fenece.

E esse medo, em mim, inda permanece;
em arrepios, fico estarrecido,
sem qualquer ação, travado e tolhido...
Só me resta iniciar uma prece.

A coruja, num eco combalido
deixou-me levemente entorpecido
e assim, minha vaga vida esmorece...

E a coruja, num ataque aturdido
pegou-me no escuro, desprevenido,
comeu os meus olhos... A morte amor tece...

Gustavo V.S Ferreira
24/05/2018

O Lobo

As madrugadas surgem assombrosas
e o lobo, do mal, por elas vagueia
uivando às sombras que à noite permeia
em densas trevas, nuvens tenebrosas...

A lua, solitária em pesarosas
fumaças, é sua única plateia...
Lobo solitário, sem alcateia
nas noites em caçadas melindrosas...

Uivando e chorando... Por sangue anseia
em desejos carnais de carne alheia
em fomes notívagas e onerosas...

Morte noturna, sua dispineia,
mata vagarosamente a sua ideia
de jantas fartas e voluptuosas.

Gustavo V.S Ferreira
23/05/2018

O Lobo, a Coruja e a Lua

Uma águia na noute, assusta a coruja,
e um uivo sombrio logo é ouvido
num som de asas no escuro interrompido,
um medo que mata e a morte é lambuja...

Uma lua disforme e garatuja
presa num céu obscuro e introvertido
a perder tempo e a perder o sentido
e perdendo tanto, a lua maruja...

E da ave noturna, ouve-se o gemido
e num eco retumbante e oprimido
foge na escuridão, a dita cuja...

O lobo desiste; está convencido
que outra vez ouvirá aquele gemido
num luar e numa janta rabuja.

Gustavo V.S Ferreira
22/05/2018

Tempos Lilithianos

Estamos em tempos lilithianos.
Tempos sombrios, amargos e densos
onde os tormentos são bem mais intensos
e arrastam-se por entre os longos anos.

A lua nasce sem meridianos
e morre devagar; sonhos suspensos
e vazios, com horrores apensos
amedrontam até sumerianos.

Adúlteros morrem em seus pretensos,
violentos não serão mais infensos
e não causarão nenhum mal, nem danos.

Aqueles que são oprimidos, tensos
na dor da vingança estarão propensos
a eternizar tempos lilithianos.

Gustavo V.S Ferreira
21/05/2018

De Costas no Escuro

Ei! Tu não sentes o peso do escuro
a acariciar o teu corpo trêmulo?
Não sentes o denso e pávido estímulo
à sua volta, construindo um muro?

Ei! Não sentes como se houvesse acúmulo
de algo lento, terrível e descuro
concentrando-se e tornando-se puro
como se quisesse levar-te ao túmulo?

E agora não se sente mais seguro
nada enxergando, estás só, num apuro...
É como se fosses, do abismo, fâmulo...

Teu pensamento é amargo perjuro;
blasfemas e xingas, estás impuro
enquanto do teu medo, agora és êmulo.

Gustavo V.S Ferreira
20/05/2018

Flores Mortais

Agora não preciso mais ter medo
deste teu perfume intenso e mortal
sentirei-te perto de mim, sem mal
poderei desvendar o teu segredo.

Degustarei teu coração azedo
co' esse sentimento irracional
em flor de lis e num fogo infernal
Hei de acordar-te no silêncio aedo.

Terei meu lugar; não serei alpedo
neste caminho disfuncional
desenhado num morto arvoredo.

Numa promessa de sangue, em meu dedo
sinto teu falecer mesotermal
enquanto devoro tu' alma, bem cedo.

Gustavo V.S Ferreira
19/05/2018

Quanto Vale?

Amor: quanto vale?
Amorizarás?
Sonho: Quanto vale?
Inda sonharás?

A dor, quanto vale?
E tu, a curarás?
A paz, quanto vale?
Pacificarás?

O amor se desvale.
E então chorarás
tua dor? Resvale

e assim acharás
além deste vale
tu' alma sassafrás.

Gustavo V.S Ferreira
19/05/2018

Turvos Olhos

Olhos turvos teus,
flor que feneceu
mundo escureceu
(caros apogeus).

Brilhos cegos meus,
dor que renasceu
amor que morreu
(raro semideus).

(Enlouqueces o eu)
Tempo entorpeceu
os minutos seus...

(Mundo escureceu)
Este amor morreu
no último adeus.

Gustavo V.S Ferreira
18/05/2018

Velha Casa

Acordei na madrugada
escuridão me cercava
não sabia onde estava...
Sorrateiro, desci a escada...

A parede está manchada...
O vento sequer soprava,
a escuridão passeava
sobre os pedaços de nada.

O vazio sussurrava
enquanto eu me aconchegava
neste frio que desfasa...

A manhã quase chegava,
eu, inda insano lembrava
que ali já foi minha casa.

Gustavo V.S Ferreira
18/05/2018

Meu Corpo

Meu corpo querido
é meu para-raio
está protegido
nunca é lacaio.

Meu corpo polido
é para-choque aio
um bem concedido
a este vil lambaio.

Não será oprimido
pois não o distraio
com caso contido.

Também não o atraio
com pouca libido
(não causa desmaio).

Gustavo V.S Ferreira
17/05/2018

Paredes Vivas

No silêncio da noute, ouço sussurros
dumas vozes estranhas e inconstantes
que pronunciam palavras uivantes
e tentam atrair-me com seus zurros.

Escondo-me p'ra não ouvir os urros
em meus pensamentos inquietantes
de medo, tremem em angustiantes
curiosidades, credos casmurros...

Minhas paredes são muito vibrantes
em segredos escondem habitantes
doutros mundos e que vêm em enxurros

e voltam em viagens ululantes
e dizem-me cousas interessantes
através das paredes em esturros.

Gustavo V.S Ferreira
17/05/2018

Assombração

Se o fim for a morte, para onde irão as almas
dos caros e magos poetas desalmados?
Não ressuscitarão em caros assombrados
poemas para cada um dos doídos traumas?

Gustavo V.S Ferreira
16/05/2018

Fusão

Nossas mentes obscuras e maliciosas
abismaram-se enquanto faziam o mal;
Iludidas distorceram o mapa astral
enquanto cantarolavam vitoriosas.

Começaram um amor eterno abismal
por entre as nuvens pálidas e nebulosas
Voavam entre o céu e o inferno orgulhosas
juravam horrores num canto matinal.

Assim viveram estas vidas mentirosas
e cruzando dados em somas escabrosas
ganharam tudo, mas perderam a moral.

Nossas mentes insanas e perniciosas
fundiram-se em metas doudas e desastrosas,
mataram-se num poema descomunal.

Gustavo V.S Ferreira
15/05/2018

O Suicídio do Eu

Assassinei o meu eu
para ser muito feliz.
Perdi minha diretriz
ao matar um lado meu.

Não opino por medo de ofender,
não defendo por medo de perder...
Eu não vivo por medo de morrer
e não morro por medo de viver.

Parte da sociedade
aceita-me como sou
pois parte deles matou
a sua própria vontade.

Não amo por medo de magoar,
não prometo por medo de enganar,
não beijo por medo de não gostar,
não sinto por medo de respirar...

Ao matar um lado meu
perdi minha diretriz...
Para ser muito feliz
assassinei o meu eu.

Gustavo V.S Ferreira
14/05/2018

Segunda Morte

Disseste-me tu que muito me amavas
e que sem mim não sobreviveria...
Dissestes que em mim, amor encontravas
e que este puro amor não morreria.

Mas subitamente me apunhalastes
(rompestes meu coração co' um só corte),
e inda dissestes que nunca me amastes...
E assim compulsivamente assinastes
o meu enterro e a minha segunda morte.

Gustavo V.S Ferreira
13/05/2018

Vento Frio

O vento está soprando sua ventania
forte e sem alegria, acalentando o frio;
corroendo-se em mágoas e com covardia
traz esta rebeldia como poderio.

E tem a destruição na sua assessoria
tal qual alegoria do fétido rio.
E o vento vem e vai trazendo uma agonia
que sem sabedoria sequestra tal brio

que eu inda mantinha antes de me escurecer
no resvalar do ódio advindo em seu poder
de matar qualquer coisa que possa viver.

E o vento continua a soprar os seus medos
arrebentando sonhos e talvez segredos
e a criar cruéis, e novos e mortais enredos.

Gustavo V.S Ferreira
12/05/2018

Viagem Maldita

Vivo a namorar as lindas estrelas
imaginando o dia tão sombrio
que meu espírito, livre e fugidio
viajará pro espaço, p'ra contê-las.

Aqui ouso congelar-me neste frio
até que eu não consiga jamais vê-las;
e fico aqui no escuro, só, a lê-las;
desligo as luzes que há em meu vazio...

Errante e solitário a pertencê-las
ponho-as em mim, até não mais cabê-las
e de tanta luz, forte e alvo, irradio...

Vivia a namorar lindas estrelas
e perdi-me ao tentar, morto, contê-las
e morri ao apagá-las num cicio.

Gustavo V.S Ferreira
11/05/2018

Último Voo

Maria acordou mui fraca e sem força
e fez extrema força p'ra acordar
e de dor sentiu o âmago amargar
amordaçada em sua vida insossa.

E inda fraca, tentou, triste, voar
mas somente afundou na amarga poça
a sua mocidade; pobre moça
sentiu-se velha e pôs-se a lamentar.

A ave desaprendeu a bater asas
então pôs-se a andar em covas rasas,
e sem velocidade alcançará

somente aquele fogo quase em brasa
e que somente queima, e não enfasa
os pesados e mortos, a voar.

Gustavo V.S Ferreira
10/05/2018

Ambicídio Matinal

A voz dela, tão doce e leve em meus ouvidos
soava como música boa e macia
que circulava em minh'alma tensa e vazia
e despertava meus olhos enegrecidos.

E os nossos desamores, em morte, envolvidos
pairavam densos, gélidos no coração
e congelava tudo; nossa redenção
era apenas buscar o sol, arrependidos...

E saímos em busca, perdidos nas noites
nada mais encontramos além dos açoites
que intensos, forçaram-nos ao suicídio...

Só espero que não despertes em afoites,
nem em nossas lembranças; não quero que acoites
a eterna solução que achamos no ambicídio.

Gustavo V.S Ferreira
09/05/2018

Alma Penada

A minh'alma pena madrugada à fora
e loucamente arrasta-se pelas calçadas
que limitam o mundo (o mundo é as estradas),
que não deixa a minh'alma cálida ir embora.

E meu silêncio triste, grita, clama e chora
preso por dentro desta pobre alma penada
que emudecida quer falar desengonçada
mas não consegue: a morte, devagar devora

seus restos. No silêncio frio emite o canto
e rasga-se em voz muda, mudando o seu pranto
que indecifravelmente, o vazio, deflora.

E desta forma, minha oca alma sofre enquanto
perdida estiver neste submundo amaranto
que a impede de voar. Nada aqui colabora.

Gustavo V.S Ferreira
08/05/2018

O Assassinato dela

Ela está morta. Não fui eu. Quem a matou?
A adrenalina tomou conta de mim...
Puxei o gatilho, o revólver disparou...
Ela era ótima, nunca foi ruim.

Enfim, os bons também encontram a morte...
Ela era tão linda, tão meiga e tão bela...
E quem a matou? Espero que eu tenha a sorte
em encontrar o assassino - como fera

arrancarei o seu coração num disparo...
O matarei devagar e sem clemência...
E neste feito terei um orgasmo raro,
lentamente e sem nenhuma condolência...

Acordei de mim mesmo nesta manhã,
o revólver ainda estava em minha mão...
Recobrei, devagar, minha mente sã...
Eu, o revólver... Disparo no coração...


Gustavo V.S Ferreira
07/05/2018

Morte

A morte simboliza só o fim de tudo?
Mas aqui a morte é apenas o começo.
Todo o mundo será revirado ao avesso
e cada verso fala, mesmo estando mudo.

Gustavo V.S Ferreira
06/05/2018