Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Poema Diário

Far-lhe-ei um poema por dia:  meu dilema.
Ficarás no meu tema, mesmo se não quiseres.
Ainda que não esperes, estarás em meu lema,
musa de Ipanema (da garota diferes)!

✑ Ascaridíase

Ascaridíase e/ou teníase,
comuns insensíveis no corpo humano;
vermes levianos, semi-milíase,
moscas invisíveis do quotidiano.

✑ Monstrinho

Seriam crianças pequenas instâncias
(com leves nuanças) de alguns monstrinhos?
Havendo carinho e/ou discrepâncias...
- Não vês as lambanças que fazem sozinhos?

✑ Hipersonia

Como compreender este raro poder
a nos surpreender tocando noss’alma?
E que nos desalma ao anoitecer,
fazendo-nos morrer em tão pura calma?

✑ Café

Viciantes cafés, mágicos contrafés:
adenosina és? Deixas-me alerta,
tu que me desperta como se as marés
viessem através da alma incerta.

✑ Sanguessuga

Como sanguessuga, lentamente sugas
o meu eu sem fugas; secas-me por dentro
e sem hemocentro, teu querer subjuga
o meu, sem ajuda. Assim desconcentro,

✑ Rosa-dos-ventos

São os sentimentos simples incrementos
da rosa-dos-ventos, chamada emoção.
A implementação destes fundamentos
causa desalentos e alienação.

✑ Como Lembrete

A dor é lembrete; ela é embrete
e pseudointérprete das nossas decisões.
Haveriam razões ou mesmo verbetes
que nos aquiete sem reivindicações?

✑ Embarcando

No mar embarcando prossigo amando;
E vou balançando minha triste vida
que descolorida está afundando;
segue reclamando destas despedidas...

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