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Mostrando postagens de Abril, 2018

Poema Diário

Far-lhe-ei um poema por dia:  meu dilema.
Ficarás no meu tema, mesmo se não quiseres.
Ainda que não esperes, estarás em meu lema,
musa de Ipanema (da garota diferes)!

Ainda que dilaceres este poeta nato,
encontrarei no mato motivos para compor.
E se eu encontrar dor jamais serei ingrato,
estando putrefato ou não, serás meu amor.

Então farei, sem temor, um poema por dia;
mesmo sem alegria,  encontrarei-te em mim
e plantarei um jardim de poemas nas manhãs.

As lembranças artesãs em minha utopia
darão autonomia até que chegue o fim:
poemas de ínterim  para estrelas anãs.

Gustavo V.S Ferreira
29/04/2018

Ascaridíase

Ascaridíase e/ou teníase,
comuns insensíveis no corpo humano;
vermes levianos, semi-milíase,
moscas invisíveis do quotidiano.

No mundo urbano, chamada lombriga,
esta inimiga causa desagrados.
Vermes abastados e que nos intriga;
às vezes castiga! Vermes desgraçados!

Ficamos conturbados, buscamos cura
e essa procura supera os níveis
incompreensíveis do nosso bem-estar.
Vamos erradicar os vermes terríveis!

Gustavo V.S Ferreira
26/04/2018

Monstrinho

Seriam crianças pequenas instâncias
(com leves nuanças) de alguns monstrinhos?
Havendo carinho e/ou discrepâncias...
- Não vês as lambanças que fazem sozinhos?

Monstros anõezinhos e humanizados
estão espalhados em várias famílias.
Crianças são filhas de monstros coitados
que fantasiados estão em vigílias...

Foi-se a mobília e o que mais irá?
Crianças a vagar: perigo constante...
Monstros instigantes e doces e... Quiçá
somente a brincar fingindo flagrante.

Gustavo V.S Ferreira
25/04/2018

Hipersonia

Como compreender este raro poder
a nos surpreender tocando noss’alma?
E que nos desalma ao anoitecer,
fazendo-nos morrer em tão pura calma?

Será algum trauma persuadindo-me
e iludindo-me a desaparecer?
É correto saber se afligindo-me
estou partindo-me, sem sequer perceber?

Um amargo não-ser, de mim, esvaindo-se
vai comprimindo-se, dominando tudo...
Sono de veludo: os céus abrindo-se
e abduzindo-me num sonho felpudo.

Gustavo V.S Ferreira
23/04/2018

Café

Viciantes cafés, mágicos contrafés:
adenosina és? Deixas-me alerta,
tu que me desperta como se as marés
viessem através da alma incerta.

Meu sono consertas, calor desejado!
Quente ou gelado, qual deles preferes?
Por sabor diferes? Doce ou salgado?
Café é sagrado se assim quiseres.

Ainda que alteres a fórmula sua,
será falcatrua logo percebida.
Pois é a bebida que nos acentua,
acende a lua; dá gosto a vida!

Gustavo V.S Ferreira
22/04/2018

Sanguessuga

Como sanguessuga, lentamente sugas
o meu eu sem fugas; secas-me por dentro
e sem hemocentro, teu querer subjuga
o meu, sem ajuda. Assim desconcentro,

sem forças descentro enquanto meu leite
finda teu deleite e tu choramingas.
Cometes mandingas; não queres desleite
embora suspeites em tuas rezingas.

E nas caatingas abandonar-te-ei;
sozinha seguirei em busca de vigor.
Ouvirei teu clamor e ignorá-lo-ei
e só retornarei quando fores amor.

Gustavo V.S Ferreira
21/04/2018

Rosa-dos-ventos

São os sentimentos simples incrementos
da rosa-dos-ventos, chamada emoção.
A implementação destes fundamentos
causa desalentos e alienação.

Em retaliação, alguns resultados
serão alocados em nossa memória;
formarão histórias, corromperão dados...
Cruéis desagrados numa ilusória

e ímpar apória. Rasos sentimentos
são normais adventos e nossos pilares.
Veias pulmonares: arroteamentos
de ébrios alentos; sonhos tissulares.

Gustavo V.S Ferreira
20/04/2018

Como Lembrete

A dor é lembrete; ela é embrete
e pseudointérprete das nossas decisões.
Haveriam razões ou mesmo verbetes
que nos aquiete sem reivindicações?

Estas contrarrazões tornam-nos humanos,
também soberanos na arte de sentir.
Há quem queira fugir destes desenganos
e obtém profanos impulsos em mentir.

Aprendem a fingir fugindo das dores
e esquecem cores, senão sentimentos
atraem lamentos e fortes odores.
São espectadores dos próprios fragmentos.

Gustavo V.S Ferreira 19/04/2018

Embarcando

No mar embarcando prossigo amando;
E vou balançando minha triste vida
que descolorida está afundando;
segue reclamando destas despedidas...

Suas investidas afundam-me no mar;
neste teu desamar de desejos comuns
onde apenas uns conseguiram chegar;
na praia, a remar sem ter rumo algum.

Em destino nenhum chegarei, ind'assim
afasto-as de mim, tuas inconstâncias...
Adquiro distância do teu amor mastim...
Do teu lado ruim, restaram lembranças.

Gustavo V.S Ferreira
18/04/2018