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Não Quero Ser Amado


Eu não quero ser amado, não quero que você diga que sou o amor da sua vida,
a pessoa com a qual você sonhou a vida inteira. Não desejo ser
nenhum objeto de satisfação total de alguém.

Não quero ser teu amor, nem recebê-lo.
Pois sei que juntamente com a frase "te amo",
vem outras coisas, exigências e condições as quais não quero que me prendam.

Não espero que fales palavras mágicas para mim,
nem que fiques o dia inteiro ditando coisas doces, que logo,
quando as exigências não forem cumpridas, sucumbirão e se tornarão em ódio.

Não quero que me peças pra ser o teu homem,
pra ser teu capacho, ser teu chão, tua luz, teu céu, teu mundo;
não quero que exijas nada de mim, assim como jamais exigirei nada de você.

É estranho para mim essa conversa sobre amores e felicidades,
pois sei que as pessoas não estão dispostas a sentir o amor tal como ele é,
ou pelo menos, como deveria ser.

As pessoas fazem questão de dizer, repetidamente que nos amam, mas exigem recompensas,
tal como um cão adestrado, exigem que você aceite certas condições para ser merecedor daquele amor,
como se ele fosse o único no mundo, como se fosse o melhor amor de todos...

Não estou disposto a ser teu ajudante nos crimes, nem ficar contigo quando prefiro estar só;
não quero compartilhar contigo todos os meus momentos, não quero ver todas as horas passar ao teu lado.

Existem momentos que são meus, exclusivamente meus; existem horas que são para a manutenção do meu cérebro,
exijo meu espaço e não troco-o por amor algum.

Pessoas que exigem condições em troca do amor, que exigem mudanças e/ou alterações na sua rotina para que o amor seja possível,
na verdade, não ama, nunca amou e não amará, pelo menos, não desta forma, não em plenitude.

As pessoas não costumam amar quem elas dizem que amam, não costumam aceitar as pessoas como dizem que aceitam.
As pessoas, amam o que elas querem que os outros sejam, os amam e os aceitam conforme seus critérios, conceitos e condições,
isso não é amor, é ilusão, ou melhor: auto-ilusão.

Eu não quero que digas que me ama, pois sei que você não me ama,
amas a pessoa que queres que eu seja, amas a tua imaginação, quando refletida em mim.

O seu amor por mim é apenas fantasia, assim como não sou o objeto do seu amor, sou apenas a fantasia dele.

Eu não quero ser amado, assim como não quero amar.
Só quero alguém que eu possar cuidar, proteger, trocar momentos, dialogar, correr, assistir, ouvir música, passear,
ir ao cinema, dormir coladinho, tocar os lábios com os meus, e fazer outras coisas as quais não são necessárias serem descritas aqui.

Mas, é óbvio, como já disse, quero uma pessoa para compartilhar tudo isso comigo,
assim como quero compartilhar tudo isso com esta pessoa, mas não o tempo todo.

Não quero que nenhum dos dois viva a vida do outro,
quero apenas alguém para compartilhar parte da minha vida e participar de parte da vida dela.

Não quero amor, paixão ou qualquer outra coisa difícil de ser seguida,
só quero alguém que eu possa ser seu amigo quando precisar, que eu possa consolá-la quando precisar,
que eu possa beijá-la quando precisar, que eu possa abraçá-la quando precisar,
que eu possa esquentá-la quando precisar...

Sim, eu quero alguém necessário a mim, assim como quero ser necessário a esta pessoa.
Não quero amor nem nada cinematográfico...
Só quero alguém que esteja disposta a compartilhar algumas buscas comigo,
em busca dos pedaços de felicidades soltos pelo universo.

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herdeiro marginal do último grito.

Farei tu’alma tremer ante o real
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Gustavo V.S Ferreira
23/02/2019

Herança Casual

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na vida vaga e vil do pensador errante
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Não é especial, o espacial tablado
herança casual bio-peregrinante
que força a forca à força astral aglomerante
no animal racional que quer ser celebrado.

P'ro memorável ser há busca extravagante
se acaso quiser ser um imortalizado
deixará de viver de forma aconchegante.

Mas para enaltecer um eu dissimulado
vive só por viver, fala por ser falante
morre só por morrer e jamais é lembrado.

Gustavo V.S Ferreira
03/03/2019

Fuga da Caverna

Estava acorrentado na caverna
vendo meu conhecimento em solombras
que recobriam meu chão como alfombras
forçando-me a usar uma lanterna.

A tenra sombra do meu eu me assombra
causando uma ânsia cardíaca interna;
Meu coração néscio se desgoverna
à póstera liberdade me ensombra.

Amedrontado, acendo mi’a luzerna
nado para fora dessa cisterna
enquanto outro, de mim, somente zomba.

Adeus correntes! Fiquem na caserna
enquanto acho a vida real e eterna
voando em liberdade como uma pomba.

Gustavo V.S Ferreira
14/02/2019