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Sem Futuro

Não há passado nem mesmo futuro
não há palavras certas pro presente;
O tempo rói o espaço divergente
e transpassa-lhe ao meio, meio-escuro.

O tempo-espaço passa e perituro
arregaça-se ao meio qual pingente
que preso no pescoço do indigente
paga o preço da luz fria de Arcturo!

E a dor reminiscente flui qual rio
mais parco indo ao futuro tão sombrio
de cortes e de côrtes: cores vis...

Redesenhando o espaço em tempo cru
na quarta dimensão do fogo azul
onde o tempo faz círculos sutis!

Gustavo VS Ferreira
10/06/2019
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Mais Uma Dor

Mais uma dor que chega, chega e fica
trepidando no peito amargurado
despedaçando o amor desperdiçado
dentro do coração que petrifica.

É um raio que nada significa
nesse círculo atroz agalopado;
é viagem pelo tempo tresloucado
que nos mata, nos sangra e estratifica!

E essa dor que chegou amordaçando
o breve sonhador que soluçando
acorda em choro e pranto alucinado

Vai no seu peito preto congelando
as sensações que outrora memorando
o tornara capaz de ser alado!

Gustavo VS Ferreira
08/06/2019

A Donzela de Orleans (Para Joana D’Arc)

O meu nascimento é desconhecido
a minha doce infância é um segredo
o meu nome causou alegria e medo
e esperança ante o ódio definido!

Jovem guerreiro sem medo medido
a cavalgar um mundo insano e azedo
vencendo o grave mal como um torpedo
causando grande pânico e alarido!

Sou moça masculina desde cedo
atendendo o chamado proferido
da consagrada voz que emana albedo!

Serei assassinada por ter sido
mais que uma líder: fui o líder ledo
que não nascera um homem destemido.

Gustavo V.S Ferreira
04/04/2019


Dedicado a Joana D'Arc, uma jovem de 19 anos que se vestia como um homem guerreiro e liderou um pequeno exército, durante a Guerra dos Cem Anos (França, 1337 - 1443), vencendo vários conflitos e sendo motivo de inspiração para o exército francês vencer várias empreitadas contra os ingleses. Joana D'Arc foi queimada como bruxa numa fogueira, durante um ato de fé em 1431 pelos Borguinhões. Posteriormente foi canonizada pelo papa Bento XV.

Campo de' Fiori - (Para Giordano Bruno)

E nasci militar, tive infância atrevida
procurei estudar para obter sapiência
p'ra fazer-se capaz de fazer na ciência
o que meus maros pais não fizeram na vida.

Fui além do normal e da crença contida;
vaga fé anciã, velha resiliência
na loucura dos fãs baldos de competência
fui julgado vulgar pela fera ferida.

Inda filosofei contra a besta erigida
e quiseram meu mal - caso de divergência -
condenado assim fui na mais pura inocência.

Mesmo assim não temi a sentença escolhida
quieto a recebi; mas o clã genocida
temeu quando eu sorri da sua sucumbência!

Gustavo V.S Ferreira
13/03/2019


Dedicado a Giordano Bruno, frade, teólogo, filósofo e escritor que foi queimado vivo pela igreja romana em 1600 por propor ideias teológicas e filosóficas contrárias aos dogmas pregados e aceitos como norma na época. Sua ideias sobre cosmologia foram inspiradas nas teorias de Nicolau Copérnico; e suas ideias sobre relatividade anteciparam as de Galileu Galilei.

O Final

Chegamos ao final dum belo desafio
iniciado aqui neste poema ovante
leve igual bem-te-vi, grande como elefante!
Poema de aprendiz que mantém algum brio.

Pedaços pessoais do meu ultravazio
queimando em verso, prosa e soneto ofegante
mas em ternos plurais, poetar meliante
de substantivos vis com teor bem sombrio!

Chegamos ao final do começo gritante
dos termos irreais que eu mesmo balbucio
em textos radicais do vate delirante.

Desde o início ao fim falei num tom bem frio
nem cheguei a viver morri aqui diante
de ti, caro leitor (mantenha-se sadio)!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

O Ponto

Há um ponto final nas frases dessa vida.
É o ponto normal que no corpo ponteia.
Ponto-fogo fatal que até nos desnorteia.
Ponte paranormal d'água desconhecida.

Há uma queda abissal no infinito da lida
anexa ao laboral transpirar de cadeia
na prisão do eu real embasado na areia
atômica hiemal e biopesticida.

O ponto pontual faz parte duma teia
finita, universal, sacra e liberticida;
O ponto acidental do início que incandeia...

O tal ponto é igual e qualquer um liquida
Sendo do bem ou mal mesmo assim te permeia.
Há um ponto final nas fases dessa vida.

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Poema Transverso

Há milhares de sóis no universo do verso,
há galáxias de luz luzindo belas rimas,
há grandezas além do que tu vês e estimas:
cada letra é um sol no verso do universo.

Os satélites são os acentos no inverso;
são luas naturais das belas obras-primas
que o poeta transcreve açorado de enzimas
nos lívidos papéis do pensamento imerso.

Há vida inconsciente em poemas que estimas
e aventuras cabais no texto mais adverso
mesmo nos abismais há variados climas!

Vida subliminar no poema transverso:
sujeitos, orações, verbos que subestimas
quando não lês ou vês o profundo do verso!

Gustavo V.S Ferreira
11/03/2019

Fogão de Fogo

A sua luz de lua encrua a nua mente
que sua crua à cruz de sangue e de doçura.
E essa luz é fugaz e tenaz, é brancura
de guerra, luta e paz que abafa imoralmente

o conceito que traz deliberadamente
as sequelas reais do padrão e da alvura;
O alvo conquistador que conquista à tortura
quis ser fogo opressor do teu fogo evidente...

O tal bravo foi breve e houve greve, houve cura
tua luz se acendeu adamantinamente
atraindo fogões que bradavam à altura

Fogão de fogo e luz não coze a tua mente
tão crua e nua com pus, sem voz nem tessitura
e hoje é oito de Março e tua mente, mente.

Gustavo V.S Ferreira
08/03/2019

Letras de Sangue

Meus diversos boçais textos, irreversíveis
em folhas de papéis vivos, brancos, funestos;
expressões anormais de anseios vagos, lestos;
gritos rotos sem paz, lágrimas descritíveis...

Letras de sangue e fel em versos insensíveis
abala a pouca fé, assoreia meus restos
no interno escurecer dos desejos honestos;
meu sangue em verso e prosa aqui: vozes fusíveis.

Meu choro apenas é sombra dos manifestos
das letras que não são simples indivisíveis
mas revelam somente os meus eus indigestos.

Meu soneto contesta e sangra em rimas críveis,
suas estrofes são ossos podres, infestos
de morte enquanto lês meus lírios desprezíveis.

Gustavo V.S Ferreira
07/03/2019

Abraço Escuro

Não foi a morte quem abraçou a minh'alma
foi minh'alma soturna e asmática e devassa
que co’ ela se abraçou. Entregue a vida crassa,
não houve alternativa: A morte trouxe calma.

Em busca duma cura abissal p’ra o seu trauma
calmamente voou. A liberdade grassa
na sua mente solta e livre e leve e escassa...
Muito tempo se passa e agora há grande encauma.

Depois do abraço escuro, o mundo alou sem graça
e o espírito lesto ocupara o eixo d’alma,
causando-lhe uma dor alva que lhe transpassa...

Gritos azuis de dor; o inferno fogo espalma
e no fogo a alma surge envolta em biomassa.
O inferno me devolve a vida como agalma.

Gustavo V.S Ferreira
07/03/2019

Para Fora

Entrar fora do mundo ousando descobertas
exigiu ambição e gran' tecnologia;
Vermelhos Sociais dalém da guerra-fria
criaram nova base e geraram alertas...

Ousaram ir além das certezas incertas
das trêmulas ações de assaz topologia;
orbitaram no espaço e em bem menos de um dia
a Vostok 1 deixou as nações boquiabertas!

A Torre de Babel gerou isonomia
e também validou Vaga Democracia.
Gagarin foi O Herói das almas vis e espertas.

E fora do ovo azul, chorando de alegria
Yuri sente o sabor d'alma em epifania;
não enxergando deus viu galáxias abertas!

Gustavo V.S Ferreira
04/03/2019

Herança Casual

O ocaso é causador de tão belo cuidado
na vida vaga e vil do pensador errante
que cuida muito bem do bem mais instigante
da força divinal, do sideral legado.

Não é especial, o espacial tablado
herança casual bio-peregrinante
que força a forca à força astral aglomerante
no animal racional que quer ser celebrado.

P'ro memorável ser há busca extravagante
se acaso quiser ser um imortalizado
deixará de viver de forma aconchegante.

Mas para enaltecer um eu dissimulado
vive só por viver, fala por ser falante
morre só por morrer e jamais é lembrado.

Gustavo V.S Ferreira
03/03/2019

Graves Tinidos

Os sons da morte têm vida e graves tinidos;
metálicos faróis de pólvora ecoando
na cabeça sangrenta; há almas ressoando
no espaço assustador de astros desconhecidos.

Os ecos musicais dos sons indefinidos
sinéreses de dor e prazer percolando
os olhos num fitar fatal, perambulando
o corpo e o corte em tons de azuis envilecidos.

O caso é casual mas vem nos destroçando,
e cala, castra e queima os sonhos coligidos
sem ao menos nos dar qualquer tempo sobrando...

Os sons da morte são espasmos suprimidos
das notas imortais do eu finito acordando
enquanto a carne é morta ao léu dos esquecidos.

Gustavo V.S Ferreira
02/03/2019

Lua de Sangue

A lua de sangue é a minh’ampla passagem
para o mundo sem cor que os humanos habitam
sob leis vis, imorais e arcaicas que os limitam
a alcançar qualquer voo autônomo ou selvagem.

O sagrado amor pela alva vida - a viagem
é enforcado à noute quando eles conflitam;
votos, vales e vultos às trevas cogitam
velas, vilas e valas para antidopagem.

Novas senzalas, alas para os que acreditam
que a liberdade só pode ser gran’ vantagem
se for ilimitada e eles riem, e ditam

que a lua de sangue é uma falsa paisagem
e ninguém a vê, exceto os maus que necessitam
d’um pouco de nequícia à luz da pseudo-imagem.

Gustavo V.S Ferreira
01/03/2019

Destroços Internos

Neste eterno arrastar, destroços e cabelos
estão a revoar em sonhos desprezíveis
querendo ultrapassar os mais difíceis níveis
da vida crua em flor; conseguirei vencê-los?

Neste interno arrastar dos ossos e cabelos
estou a me matar em lutas impossíveis
as quais não vencerei pois são imprevisíveis
mas não desistirei, enfrento os pesadelos!

No intenso amortecer das vidas imiscíveis
eu rastejando vou sozinho combatê-los
sem ajuda qualquer dos homens insensíveis...

O tenso amanhecer não derreteu os gelos
de sangue já sem cor, marcas inesquecíveis
da minha guerra atroz, dos próprios atropelos.

Gustavo V.S Ferreira
27/02/2019

Hábil Prisioneiro

Sonhos são ilusões do pensador dormente
e o sono é o apagão do cérebro ligeiro;
A morte é salvação desse homem passageiro
e descanso fatal do mais inteligente.

Os sonhos nunca são obras do consciente
mas realização d'um latente hospedeiro.
O sono é condução para o despenhadeiro
do ser habitual, do mortal impotente.

O desejo vulgar pelo ato rotineiro
de se autodesligar daquilo que é ordeiro
é reles indução do vão subconsciente.

A mente genial do hábil prisioneiro
desperta fogo e luz e faz-lhe companheiro
do natural saber e aprendiz transcendente.

Gustavo V.S Ferreira
26/02/2019

Mortal Clarão

Há um mortal clarão queimando no meu peito;
infernal sedução - desamores d’outrora
quase a me estrangular no mal que corrobora
apenas me matar por ser insatisfeito

com tal amor vulgar, profundo desrespeito
ao puro e singular bem que nos condecora
à mais pura emoção, gás que nos revigora
a rebuscar razão, dar ou obter respeito.

E este mortal clarão, agouro de última hora
que vem me compelir a aceitar sem demora
o verbo desmentir p’ra sentir falso efeito.

Prefiro recusar o mal que se aprimora
no ofício de enganar; sozinho vou embora
mas jamais cederei a tão vago conceito.

Gustavo V.S Ferreira
25/02/2019

In[pacto]

O verbo ódio nasceu e causou grande impacto;
à luz escureceu esplendorosas vozes
desfazendo o apogeu das vítimas e algozes
ruindo a solidão num modo mais compacto.

A vítima sem deus pressente-se coacto
ao nascer do não ser das emoções ferozes;
política cruel de milícias velozes
em polícias fiéis ao depravado pacto.

A vendida nação entregue aos albatrozes
espera salvação dos homens mais atrozes
de secos corações - bem mais secos que um cacto.

O verbo ódio floriu em caras simbioses;
O fantasma sorriu gerando apoteoses
e o tempo lhe partiu mas não ficou intacto.

Gustavo V.S Ferreira
25/02/2019

Carismático Anjo

O carismático anjo ofertou novidade!
A nova salvação do deus ambivalente;
trouxe uma liberdade afeita da corrente;
foco extremo de luz, de amor e ambiguidade.

Esse aprazível anjo em grande assiduidade,
terno dominador hipossuficiente;
grande conquistador de cérebro dormente
difunde a ilusão da auto-incolumidade.

É exímio invasor da vulnerável mente,
influenciador da subjetividade,
subliminal algoz, amargo intransigente.

Tal anjinho de luz simula alteridade
e invade o puro ser como falso adstringente
recriando zumbis vis sem identidade.

Gustavo V.S Ferreira
24/02/2019

Infinito do EU

Eu sou um astronauta de granito
desprendendo do espaço sideral;
Protejam-se na aurora boreal
fujam do bipolar e grave atrito.

Os profetas haviam me descrito
em páginas obscuras do anormal
livro sumeriano milenal
como Mediador do gran Conflito.

Sou O Astronauta-arcanjo supernal,
filho da ordeira morte original,
herdeiro marginal do último grito.

Farei tu’alma tremer ante o real
juízo consciente do impessoal.
Morte externa p’ra dentro do infinito.

Gustavo V.S Ferreira
23/02/2019

Beijo Abiótico

No beijo abiótico d’alma morta
lúgubres sentimentos tomam forma;
e contrariando a retrátil norma
cerram o peito e abrem uma porta.

A porta aberta traz o que conforta:
mal necessário multiplataforma;
promove ilusões na interna reforma
deixando apenas o que nos importa.

A Alma clara geme mas se transforma
na dor da perda infame se auto-exorta
mas perde essência na invisível morma.

O beijo esmarrido gran’ mal transporta
e morosamente o mundo deforma
enquanto a vida maviosa aborta.

Gustavo V.S Ferreira
20/02/2019

Órbitas Possessivas

Órbitas morais em fatais caveiras,
errantes e lastimáveis viventes,
caricatas figuras vis, doentes
cruzando a morte e a vida nas fronteiras.

Órbitas fatais, desiguais maneiras
espalham-se por entre as várias mentes;
são almas malévolas, mas cogentes
que nos conduzem às más ribanceiras.

Almas desalmadas e penitentes
perdidas em órbitas decadentes
procurando pessoas altaneiras.

Se encontram humanos convalescentes
as almas sombrias e dirimentes
se apossam em visitas rotineiras.

Gustavo V.S Ferreira
20/02/2019

Lágrimas Mortas

O parco brilho d’alma enrubescida
acende o bravo e belo coração;
obriga o Ser a ser um ser senão
a existência será despercebida.

Desobrigado a ser um homicida
torna-se um homicida com razão
e mata mais rápido que um tufão
na estranha ânsia de ser um genocida.

A guerra, quente ou fria, traz ação
que movimenta e aquece a tal nação
que faz da morte simples despedida.

E o parco brilho traz fugaz clarão
e alento p’ro eterno bebê chorão;
lágrimas mortas têm gosto de vida.

Gustavo V.S Ferreira
18/02/2019

Vida que Agoniza

A alva vida lentamente evapora
sucumbe matando o principal sonho;
Flutua no céu amargo e risonho
avermelhado, cru e turvo na aurora.

O sino maldito insinua a hora
e levemente à mão no peito ponho
sinto o último revoar tristonho
da ebúrnea alma triste que vai embora.

É penoso ver tal ato medonho
forçando a vida no passo enfadonho
a calcorrear sem aura nem glória.

Vida seca sem descanso, suponho
que a tua morte foi o único sonho
realizado em toda tua história.

Gustavo V.S Ferreira
18/02/2019

Anjos Suicidas

O voo belo sofre queda retumbante
à luz fúnebre, sob a lua inesperada;
pétalas que despedaçam à alma brilhante
na música silente, silente pancada.

Jaz no baque sutil o medo castigante
de quem voou eternamente para o nada
restou a dor e o desespero lancinante
de quem achou o anjo sem luz na madrugada.

Ismália na torre e seu sonho angustiante
vê Ofélia lá no rio sendo afogada
mas ninguém vê pois a lua está ofuscante...

Ismália pula, Ofélia jaz desacordada
sem conseguir nadar vê-se insignificante
perante a lua e o mar se perde imaculada.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Calor Intenso

O calor infernal que almas derrete
queima a pele, os olhos, a breve vida;
Mata os humanos sem que nada o afete
acinzenta a natura colorida.

Usa a dor, faz-nos de marionete
de sapiência fria e desprovida;
que amarga a morte que lhe compromete
na ânsia a salutar por subvida.

O intenso e fatal que nos acomete
acelerando a delgada descida
é o calor travestido de confete.

Pelados, nus, d’alma desprecavida
percebemos que o sonho exige frete
que custa caro, custa a nossa vida.

Gustavo V.S Ferreira
17/02/2019

Flor da Morte

Cavalgo a morte no horizonte belo
e amargo a vida em rasos pesadelos;
Carrego o eu em ossos e cabelos
em busca do irrecuperável elo.

Afogo-me no espaço paralelo
nadando em atômicos escalpelos
cortantes como pedaços de gelos
que arrancam minha pele num flagelo.

Conheço da dona morte, o modelo
resistente como um forte camelo
no deserto vital preso em castelos.

Sou uma flor da morte, um sinuelo;
transbordo em solidão co' imortal zelo
de matar nas batidas dos martelos.

Gustavo V.S Ferreira
16/02/2019

Fuga da Caverna

Estava acorrentado na caverna
vendo meu conhecimento em solombras
que recobriam meu chão como alfombras
forçando-me a usar uma lanterna.

A tenra sombra do meu eu me assombra
causando uma ânsia cardíaca interna;
Meu coração néscio se desgoverna
à póstera liberdade me ensombra.

Amedrontado, acendo mi’a luzerna
nado para fora dessa cisterna
enquanto outro, de mim, somente zomba.

Adeus correntes! Fiquem na caserna
enquanto acho a vida real e eterna
voando em liberdade como uma pomba.

Gustavo V.S Ferreira
14/02/2019

Persistência Douda

Ainda insistes em dar murros
em pontas de facas?
Achas que um dia a dor
vai simplesmente sumir?
Achas que as feridas sararão
se continuares tentando?

Ainda insistes onde sabes
que não há solução?
Achas que tentativas repetidas
garantem o resultado da ação
em algo que sequer esboça
algum tipo de reação?

Ainda insistes em abandonar
o teu eu em prol dos outros?
Achas que o mundo te dará de volta
o tempo perdido, jogado no esgoto?
Achas que insistir em quem se acomodou
trará algum tipo de amor que supere a dor?

Ainda insistes. Admiro tua burrice
travestida de persistência.
A tua resiliência na mesmice
é algo surreal, anormal, sem sapiência.

Gustavo V.S Ferreira
09/02/2019

Geração Psicopata

Lendo sobre psicopatas
acabo percebendo que muitos traços
não apenas me definem como um,
mas também me alivia.

Alivio-me por saber que todos
temos um lado sombrio, psicopata;
todos somos semi-psicopatas,
sociopatas da nova era,
os novos tipos de humanos...

Somos a geração mais fria de todas,
mais banal e sem objetivos a longo prazo.

Não temos mais relações sexuais
apenas nos masturbamos com os corpos
dos outros e fingimos que é sexo.

Não temos mais relações familiares.
Tudo o que temos são obrigações sociais
engatilhadas em nossos cérebros nativamente.

Empatia?
O que é isso?
Amor?
Como defini-lo?

Estamos tão perdidos em nossas
distorções pessoais
que nem sabemos mais diferenciar corretamente
amor, paixão, compulsão e obsessão.

Somos masoquistas sentimentais;
terroristas em corações alheios;
máquinas na arte de matar
fisicamente e/ou psicologicamente.

Somos a geração mais narcisista;
vivemos compartilhando nossas vidas,
fotos e fatos,
intimidades e comidas em redes sociais
queremos es…