Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Na Casa

Aqui, na casa amarga, os meus soluços
afligem vários sonhos ilusórios
fazendo-me sentir os acessórios
da triste sina a machucar-me os pulsos...

✑ O Vulto Vivo

O sangue que jorrou morosamente,
marcando um temporal, um infortúnio
foi resultado duma insana mente,
descuido atroz durante um plenilúnio...

✑ Mortos-vivos

Anoitecendo em vendavais incertos
e sucumbindo aos pesadelos tristes
em vãos lamentos lancinantes vistes
a luz final por entre os céus abertos!

✑ Fórmulas da Paz

Assim que acordei mirei no horizonte
dois passos andei e os olhos arderam
senti-me mui mal, meus céus forneceram
um sonho abissal na face simbionte

✑ Tempos Anormais

Joguei os fatais jogos ignorantes
navegando em naus feitas por terceiros...
Sofri colisões pelas incessantes
certezas surreais de ideais aborteiros...

✑ Delírios Circulares

A fúnebre voz de lírios augustos
ressoam aqui dentro da minha alma
no eco circular - delírios robustos -
da estrela de luz, luzerna que acalma...

✑ Emudecimento

Desapareceu de dentro do peito
o meu coração. O que faço agora?
Emudeço à dor carnal que deflora
a alma em musicais vazios, sem pleito?

✑ Novos Cafezais

Cidades, capitais, famas, pobrezas...
Amores, temporais: Mundo altaneiro?
Igrejas, catedrais: honra ou dinheiro?
Cantores, musicais, notas chinesas...

✑ Vacas Magras

A seca safra, sacra e santa escreve
mas seus escritos são ardis e vagos
metáforas banais causando estragos
na mente do leitor que inda se atreve

✑ Augustos Versos

Quando vieste bater em minha porta
como um fantasma pasmo em calafrios
por entre as catacumbas dos vazios,
vi tua natureza quase morta.

✑ Maus Planos

Os maus planos e seus malfeitores
prendem laços e traços em trapos
desumanos; terríveis farrapos
dominando alguns homens e cores.

✑ O Povo

O Povo
São acordos criminosos
que aos gravatas dão poder
à lei juram defender
com seus verbos enganosos
mas são só peões gananciosos
querendo metas bater!

✑ Esportes Alheios


Os amores que tive outrora foram mortes
gradativas e fel infectando o meu sangue.
Agora amargo em dor; os sonhos são meus fortes
enquanto afundo só nesse intenso mangue...

✑ Arte de Ser

a arte de ser

A arte de ser o que se é, é anormal.
Moldar-se e se tornar, o que de fato, somos
exige um preço, apreço e crise existencial
sem isso, vagamente vivos, nos decompomos...

✑ Raízes de Sangue

Raízes de Sangue, Raízes Vermelhas
Líquido espesso umedecendo a terra...
Líquido orgânico gerador de vida...
Almas semeando o chão na guerra
silenciosa, branca, alva, genocida...

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