Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ Mantos Abismais

Que do abismo ressurjam densos mantos
escurecendo os traumas dos bons servos;
que os lobisomens comam os eus protervos
que se fingem de bons; de mestres santos.

✑ Duas Estrelas

As brilhantes figuras que fulguras
nesse puro semblante imaculado
trazem-me alento; sinto-me sagrado
por tamanha leveza e por ternuras.

✑ Duas Luas

Ó formas circulares, róseas, belas
formas perfeitas, mágicas, divinas!
De delícias supremas, cruas, finas
das panteísticas formas paralelas!

✑ Compostos Desculturais

Coliformes fecais em letra e verso
nas linhas purulentas dos compostos
dos músicos modernos do perverso
conceito e dos coprólitos expostos!

✑ O Verbo Pobre

Os sonhos doudos doutros homens domam
os sonhos desses homens que não pensam.
Homens que comem, cansam mas condensam;
que casam, caçam, cantam mas não somam...

✑ Densa Chuva

E chove na manhã branca e serena
e o céu de azul se veste na neblina;
A natureza quase nos fascina;
a ocupação atroz nos apequena.

✑ Traços

Trago traços e traumas intratáveis;
são travas que me trancam e atrapalham
os transes cerebrais que mui trabalham
mas não traduzem fatos imutáveis...

✑ O Herói

No peito sem razão algo constrói
um som mudo e sem cor, sem qualquer alma
que trava, trama e traça um novo trauma
no tonto coração que, sem herói

✑ Sem Futuro

Não há passado nem mesmo futuro
não há palavras certas pro presente;
O tempo rói o espaço divergente
e transpassa-lhe ao meio, meio-escuro.

✑ Mais Uma Dor


Mais uma dor que chega, chega e fica
trepidando no peito amargurado
despedaçando o amor desperdiçado
dentro do coração que petrifica.

✑ A Donzela de Orleans (Para Joana D’Arc)


O meu nascimento é desconhecido
a minha doce infância é um segredo
o meu nome causou alegria e medo
e esperança ante o ódio definido!

✑ Campo de' Fiori - (Para Giordano Bruno)

E nasci militar, tive infância atrevida
procurei estudar para obter sapiência
p'ra fazer-se capaz de fazer na ciência
o que meus maros pais não fizeram na vida.

✑ O Final

Chegamos ao final dum belo desafio
iniciado aqui neste poema ovante
leve igual bem-te-vi, grande como elefante!
Poema de aprendiz que mantém algum brio.

✑ O Ponto

Há um ponto final nas frases dessa vida.
É o ponto normal que no corpo ponteia.
Ponto-fogo fatal que até nos desnorteia.
Ponte paranormal d'água desconhecida.

✑ Poema Transverso

Há milhares de sóis no universo do verso,
há galáxias de luz luzindo belas rimas,
há grandezas além do que tu vês e estimas:
cada letra é um sol no verso do universo.

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