Gustavo Valério

O Poeta Soturno

✑ O Acidente

Desaceleração, brusca frenagem...
barulhos, gritos... Vozes inconstantes;
gemidos, sangue... Dores extasiantes
na palidez de estática paisagem...

✑ Maria e João

moça com asas - anjo
Maria é uma jovem do interior do nordeste brasileiro.
De família pobre, aprendeu desde cedo a cuidar da casa e de seus irmãos. Era uma bela jovem apesar das dificuldades que sua vida dura lhe trouxe desde cedo. Seus irmãos, apesar de mais velhos, sempre dependeram dela pra quase tudo, já que seus pais eram bem idosos e sofriam de problemas graves de saúde que os impossibilitavam de se locomover.

✑ Na Casinha Solitária

Cansado de estar nos mesmos lugares e com as mesmas pessoas, resolvi iniciar uma jornada pelo Brasil. O objetivo era conhecer lugares e pessoas novas, além de encontrar o lugar o qual eu desejava para construir minha estadia definitiva.

✑ Mantos Abismais

Que do abismo ressurjam densos mantos
escurecendo os traumas dos bons servos;
que os lobisomens comam os eus protervos
que se fingem de bons; de mestres santos.

✑ Duas Estrelas

As brilhantes figuras que fulguras
nesse puro semblante imaculado
trazem-me alento; sinto-me sagrado
por tamanha leveza e por ternuras.

✑ Duas Luas

Ó formas circulares, róseas, belas
formas perfeitas, mágicas, divinas!
De delícias supremas, cruas, finas
das panteísticas formas paralelas!

✑ Compostos Desculturais

Coliformes fecais em letra e verso
nas linhas purulentas dos compostos
dos músicos modernos do perverso
conceito e dos coprólitos expostos!

✑ O Verbo Pobre

Os sonhos doudos doutros homens domam
os sonhos desses homens que não pensam.
Homens que comem, cansam mas condensam;
que casam, caçam, cantam mas não somam...

✑ Densa Chuva

E chove na manhã branca e serena
e o céu de azul se veste na neblina;
A natureza quase nos fascina;
a ocupação atroz nos apequena.

✑ Traços

Trago traços e traumas intratáveis;
são travas que me trancam e atrapalham
os transes cerebrais que mui trabalham
mas não traduzem fatos imutáveis...

✑ O Herói

No peito sem razão algo constrói
um som mudo e sem cor, sem qualquer alma
que trava, trama e traça um novo trauma
no tonto coração que, sem herói

✑ Sem Futuro

Não há passado nem mesmo futuro
não há palavras certas pro presente;
O tempo rói o espaço divergente
e transpassa-lhe ao meio, meio-escuro.

✑ Mais Uma Dor


Mais uma dor que chega, chega e fica
trepidando no peito amargurado
despedaçando o amor desperdiçado
dentro do coração que petrifica.

✑ A Donzela de Orleans (Para Joana D’Arc)


O meu nascimento é desconhecido
a minha doce infância é um segredo
o meu nome causou alegria e medo
e esperança ante o ódio definido!

✑ Campo de' Fiori - (Para Giordano Bruno)

E nasci militar, tive infância atrevida
procurei estudar para obter sapiência
p'ra fazer-se capaz de fazer na ciência
o que meus maros pais não fizeram na vida.

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